sábado, 12 de dezembro de 2009

A dralien day

Para mim, os melhores jogos de computador são aqueles em que o jogador não tem que usar a destreza motora, mas, em vez disso, tem de ficar a olhar para o ecrã a tentar resolver situações enigmáticas, fazendo uso de capacidades como o sentido de observação, a intuição, a inteligência, a imaginação, o sentido de humor e o nonsense.

A Dralien Day é uma deliciosa miniatura em palataforma flash jogável na Internet. Em apenas meia dúzia de níveis muito simples, combina o melhor do género com uma sessão de um inofensivo shoot'em up.

Para não aborrecer muito os mais impacientes, até tem ajuda com a solução de cada nível. Mas não a usem. Resolver o enigma sem ajuda é muito mais emocionante.


sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Tasqueiros e bastonários


A propósito disto aqui, lembrei-me desta história:

Uma empresa entendeu que estava na hora de mudar o estilo de gestão e contratou um novo Director. Este veio determinado a agitar as bases e tornar a empresa mais produtiva.

No primeiro dia, acompanhado dos principais directores e coordenadores, fez uma inspecção a toda a empresa. No armazém todos estavam a trabalhar, mas um rapaz novo estava encostado à parede com as mãos nos bolsos.

Vendo aí uma boa oportunidade de demonstrar a sua nova filosofia de trabalho, o novo director geral perguntou ao rapaz:

- Quanto é que ganha por mês?

- Trezentos euros, porquê? - respondeu o rapaz sem saber do que se tratava.

O administrador tirou os EUR 300,00 do bolso e deu ao rapaz, dizendo:

- Aqui está o seu salário deste mês. Agora desapareça e não volte nunca mais! Esta empresa não tem lugar para si!

O rapaz guardou o dinheiro e saiu conforme as ordens recebidas.

O administrador, então, encheu o peito e, orgulhoso da atitude que serviria de exemplo, pergunta ao grupo de operários:

- Algum de vocês sabe o que este sujeito fazia aqui?

- Sim Senhor - responderam admirados os operários - Veio entregar uma pizza...



MORAL DA HISTÓRIA:

"Há pessoas que desejam tanto mandar, que se esquecem de pensar"

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

A Mãe Natureza tem destas coisas


(Acabadinhos de serem "colhidos" do quintal do Silva! Lembra-me aquele "trava línguas" que aprendi em pequeno, quando me pediam para dizer, repetidas vezes e muito mas muito depressa, a frase: "Fui ao mar colhi cordões, vim do mar cordões colhi")

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Vertigens escondidas, risos ingénuos

A viagem está marcada para o dia seguinte, o que me deixa com uma ansiedade e um friozinho no estômago gostoso de sentir. É bom atravessar a fronteira, ir para um país estrangeiro, atravessarmos o rio e sentir que partimos para um mundo diferente. Apesar de, ao lá chegarmos, me parecer tudo tão igual ao que existe nesta margem onde nos encontramos. Talvez o cheiro do ar, das coisas, seja diferente. O que importa é o entusiasmo e as sensações que provocam cada nova ida a um país diferente do nosso.

A ponte que separa as duas margens, é estreita, de ferro e antiga, e estremece a cada passagem de um carro, obrigado a reduzir a velocidade, e a esperar a sua vez de avançar. Nas laterais exteriores da ponte existem umas estreitas passagens para peões, e são estas o motivo da minha angústia momentânea. Quando vamos de carro não me incomoda. Mas nunca ninguém me perguntou se a preferia atravessar a pé ou de carro. Embora a minha resposta a essa possível pergunta fosse a indiferença. Não pretenderia manifestar o meu medo de a atravessar a pé.

Avançamos numa caminhada lenta para a ponte, e já começo a sentir incómodo. Mal coloco o pé naquele chão feito de uma fina grade de ferro, que mostra claramente em baixo a água que corre no rio, sinto-me perder a noção de equilíbrio, como se me fosse afundar num abismo, como se o meu estômago saísse pela boca. Tento respirar fundo, o peito não corresponde, olho para cima, procuro ignorar a imagem que passa por baixo dos meus pés, apetece-me fechar os olhos, mas mantenho-os alerta para o trajecto na minha frente. Procuro rezas que me distraiam o pensamento, que me dêem força. Choro por dentro cada segundo que me parece não ter fim. E mantenho a postura de quem nada teme. Ninguém se apercebe do meu mal-estar. Morro de medo por dentro, e espero que ninguém dê por isso.

O alívio de chegar a chão firme é depressa ultrapassado pela sensação de estar num país diferente. Tento sentir este novo sítio, aperceber-me do que terá de diferente. Os passeios por onde caminhamos são feitos de placas de cimento em vez de calçada, acho piada, acho feio, mas encanta-me ser diferente, ser feio. Tudo me parece estranhamente diferente e igual. Reparo numa mosca que poisa. É diferente, colorida, é grande. Nunca tinha visto uma assim.

No regresso enfrento novamente a travessia da ponte, anseio sentir o medo, receio sentir o mal-estar, mas desta vez o trajecto parece-me mais curto, mais fácil, sinto que ganhei confiança, sinto que perdi algo também (embora não perceba bem porque me incomoda essa perda).

Descansamos num banco de jardim, quando vejo uma mosca igual à outra, grande, diferente, e entusiasmada com a descoberta exclamo: “Olhem, uma mosca estrangeira aqui!” Todos se riem, e eu sorrio. É bom quando consigo fazer os adultos rirem, mesmo sem entender de imediato como o consegui.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

E depois de tanta especiaria...

E depois de tanta especiaria, a minha loja de especiarias preferida. Não tanto pelas especiarias em si, mas pelo dono e pelo ambiente da estreitíssima rua. Fica na Kalçin Sk, mesmo ao lado da Mesquita de Rüstempaşa.

Loja de especiarias em Kalçin Sk


Cúpula da Mesquita de Rüstempaşa

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Clube dos Contadores de Histórias

O Clube dos Contadores de Histórias é uma actividade desenvolvida na Escola S/3 Daniel Faria, de Baltar. Todas as semanas é publicada uma pequena história com intuitos pedagógicos, que pode ser recebida em correio electrónico. Esta actividade pode também ser seguida em http://www.prof2000.pt/users/historias/

São histórias simples, mas que nos levam à reflexão sobre valores essenciais da vida humana. A título de exemplo, aqui fica a história da passada semana.

Apenas um rapaz

Era uma vez um rapaz bravio que gostava de pregar partidas e fazer matulices, só por embirração. Era muito antipático este rapaz.
Mas emendou-se. Eu conto como foi.
Um dia, por maldade, deu-lhe na veneta atormentar uma pobre velhota, que vivia numa casinha pobre, à beira do povoado. Foi para uma pedreira que havia perto e pôs-se a atirar pedras e a rebolar pedregulhos, que iam cair no quintal da velhota. Para o que lhe havia de dar!?
No fim do seu feito, já cansado, aproximou-se da casa da velhinha, para ver de perto os resultados da sua proeza. Andava a velhinha a recolher as pedras, espalhadas pelo quintal.
— Foi uma bênção que me caiu do céu — dizia a velhinha. — Precisava, há que tempos, de consertar o muro do quintal, mas não tinha forças para trazer tantas pedras. Se não fosse esta avalanche...
O rapaz ficou de boca aberta. E mais sem fala ficou quando a velhinha lhe propôs:
— Bom rapazinho, importas-te de me ajudar a consertar o muro?
Ele, que tinha de fazer de conta que era um bom rapazinho, não teve outro remédio. Passou o resto do dia a acartar pedras, as pedras que ele lançara do alto do monte.
No fim da tarefa, a velhota agradeceu-lhe o trabalho e deu-lhe um grande boião de mel. O rapaz lá se foi, cansado e a lamber os beiços, um tanto confundido. À noite, quando se deitou, estava cá com uma dor nas costas, que não lhes digo nada! Mas regalado com o mel que a velhinha lhe dera.
Ora pois! Serviu-lhe de emenda. Mudou de intenções. Não posso garantir se, dessa vez em diante, nunca mais pregou partidas. Um diabinho não se transforma de repente num santinho. É exigir demais. Mas, na verdade, deixou-se de brincadeiras tolas.
Sem que possa ser considerado um virtuoso rapazinho, também já não é um venenoso rapazote. Nem rapazinho, nem rapazote. Apenas um rapaz. Nem muito mau, nem muito bom. Como quase toda a gente, aliás.

António Torrado

domingo, 8 de março de 2009

Cascata e laranjal

Aqui, acabei por não mostrar as cascatas. Há dias voltei lá. Desta vez achei que esta imagem merecia ser postada.


Já agora, o laranjal:

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

O método mais eficaz para emagrecer

Sempre me fizeram espécie as mil e uma referências a métodos e contra-métodos de emagrecimento, uma coisa que preocupa muita gente, principalmente mulheres que precisam urgentemente de engordar uns quilitos, mas enfim, isso é outro problema. Eu verifiquei que há um método muito simples para obter e manter o peso que se quer, que considero ser, de longe, o mais eficaz e, ainda por cima, o mais simples. Basta comprar uma balança de mostrador digital.

Na realidade, não basta comprá-la. É preciso comprá-la e usá-la. As balanças são uns aparelhos óptimos para medir o peso e é isso mesmo que quem quer emagrecer deve fazer – medir o peso todos os dias de manhã.

Esta prática irá dar um conhecimento total da forma como o nosso corpo se comporta em termos de peso face aos acontecimentos do dia-a-dia. O que comemos ou o que jejuamos, o que caminhamos ou deixamos de caminhar, o que dormimos ou deixamos de dormir, o stress, as gripes, o frio, o calor, tudo isto e muito mais se reflecte no nosso peso. E a balança dá-nos, ao fim de algum tempo, uma informação detalhada sobre isso. Depois é só dosear as coisas em função do peso que se pretende ter.

Nunca mais diga "ai, bolo não, que estou muito gorda!". Em vez disso, diga assim: "hoje de manhã pesava menos 300 gramas que ontem; como dei aquela caminhada extra à tarde que me deve ter retirado mais 600 gramas, e, como o resto do dia foi normal em termos de contribuição para o peso, dá perfeitamente para comer duas fatias de bolo". Quem fala assim não é gago. Nem gordo. Como dizia o outro, é só uma questão de... fazer as contas.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Imagens da Rota do Linho


No sábado passado fiz os 7 quilómetros da Rota do Linho.


Aldrabei um bocadinho na parte final por causa de uma dobradiça na perna direita. É natural, dada a dificuldade média-alta do percurso e as já várias décadas em que venho usando as tíbias e os perónios.


A chuva da véspera limpou as poeiras e ajudou a compor as cores.


Não ponho imagens das cascatas porque ficaram uma coisa muito déjà-vu.
Mas achei graça a esta parede de um dos moinhos.


Não sei se já tinham notado, mas clicando nas imagens vê-se uma ampliação.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Férias Trocadas, Férias Gozadas!

Estava o Silva descansadinho na sua casa, lápis na mão e papel à sua frente, porventura escriturando o parco apuro do dia (custa aceitar mas, com a Cátia Vanessa de férias... as pataniscas não são as mesmas!), ou quiçá refazendo a Ementa para o dia seguinte (acrescentando-lhe a "Sopa de Morangos", chamariz doutra tasca vizinha), quando lhe entra, porta adentro, um outro Silva, com "a patroa e os gaiatos atrás"!

Não faltava mais nada! Então não é que estes, tendo anunciado aos "sete ventos" umas férias em "litorais de águas quentes, com tudo pago", resolvem afinal trocar para umas férias "em interiores de águas frias, com tudo a pagar"??! Forretas!!!

No entanto, como Deus ajuda os pobres, e estes ajudam-se entre si, eis que no dia seguinte o Silva residente oferece ao Silva forasteiro (e famelga incluída) uma visita guiada pelas redondezas. Coração grande o deste Homem!

Tasca fechada, montanha arriba, lá foram eles, cantando e rindo!
E foi aqui que descobriram que, pelos interiores que "só os bons conhecem" , também há:

Quintas do Lago

Festivais de Sossego


Auto-Estradas de Paz


Hipermercados de Tranquilidade


Desafios de "Outros Tempos"


... e até Monstros de Beleza


Chegados ao fim do dia, "completamente bêbados" de imagens inesquecíveis e "empanturrados" de sensações únicas, ficou a impressão de que os muitos "Muito Obrigado" ao Silva .. pareceram "poucos".




Contudo ficou uma certeza: valeu a pena "A Troca"!

quarta-feira, 12 de março de 2008

Uma ida ao supermercado

O post anterior do XN, na parte das belezas locais que tantas vezes são preteridas a favor de destinos duvidosos, lembrou-me a minha ida ao supermercado no passado domingo. O supermercado fica a 7 quilómetros de minha casa. Eu e a "patroa" decidimos fazer um desvio de mais dois ou três quilómetros para aproveitar o sol e visitar pela enésima vez a paisagem local.







O rio da minha terra não é tão bonito como o Tejo, como dizia o poeta. Aqui não se pode ter tudo, mas têm-se algumas pequenas coisas que valem muitos Tejos.





Nesta aldeia não vimos uma única pessoa na rua. Mas depois da curva da estrada, o tanque por debaixo da cameleira era uma tela em movimento.



Um prado, dois cavalos, a serra e uma falha geológica com 500 metros de desnível. Um dos sítios mais bonitos do mundo. São assim as idas ao supermercado por aqui.

terça-feira, 11 de março de 2008

Vá para fora cá dentro!

Causa-me uma certa confusão ouvir pessoas falarem de que vão para determinado país tropical, quando muitas dessas pessoas nem sequer conhecem as belezas deste nosso País, nem estão interessadas em conhecer.

Sempre que posso (abundasse o carcanhol), viajo por essas belas terras, que existem desde Trás-os-Montes ao Algarve, principalmente aquelas que tenham associadas às suas lindas paisagens, certas tradições e culturas muito próprias e que as distinguem das demais.

Foi o que fiz no passado mês de Fevereiro, acompanhado da família e de um grupo de amigos (um grande abraço para eles... sois uns bacanos!), quando mais uma vez visitei Loriga (que me desculpem os Loriguenses pelo nome da sua linda Vila aparecer em minúsculas no filme).

Loriga é uma dessas terras. É daqueles sítios em que eu posso ir lá umas cinquenta vezes e nunca me farto, pois além da sua beleza natural e urbanística, tem um povo acolhedor e que faz questão de manter as suas tradições.

Para que possam comprovar aquilo que eu digo, aqui fica um cheirinho do que eu filmei (mal por sinal, dada a minha aselhice natural) e, se gostarem, façam um favor a vocês próprios e passem um dia destes por lá:

Aproveito para agradecer:
  • Em primeiro lugar aos Loriguenses, principalmente àqueles que fazem questão de manter as suas tradições (e creiam que naquela noite não deverá ter sido fácil, pois estar desde as três da matina até às tantas, ao frio e ao vento, não é para todos - só para os que fazem as coisas por gosto!);

  • À minha esposa Carla, pela paciência que teve para comigo, nomeadamente no tempo em que eu me dediquei quase em exclusivo à montagem deste trabalho, relegando a família para segundo plano;

  • Ao meu amigo Carlos Rocha, por me ter ajudado a fazer a montagem do filme;

  • A todos os amigos que comigo estiveram em Loriga.

Por último, as minhas desculpas pela qualidade da imagem, mas creiam que, para um principiante na matéria, tornou-se complicado transformar em menos de 100 MB um projecto que tinha no seu início para cima de 1 GB. Se eventualmente sentirem dificuldades em ler as legendas, só têm um remédio - carreguem no pause, que eu não mexo em mais nada... FONIX!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O respeito é uma coisa muito bonita

O respeito é uma coisa muito bonita. Estou a falar do respeito, não do respeitinho. Há uma diferença fundamental. O respeitinho é a submissão dos outros a uma série de normas artificiais, de forma a que o nosso umbigo não seja perturbado. O respeito é aquilo que nos compete fazer de forma lógica e natural para não perturbarmos o umbigo dos outros. A beleza deste último reside precisamente na evidência da naturalidade e nos melhores resultados que proporciona à sociedade em geral.

Um bom exemplo é o trânsito nas grandes cidades vietnamitas. Ali não há ponta de respeitinho, a começar pelas próprias regras de trânsito. Mas nós, que não estamos habituados, ficamos aparvalhados com tamanha lição de respeito.





segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O Marketing e a Música

Nunca vi nenhum teledisco do Mozart, tampouco do Paganini. Calhando, eram criaturas sem cara de jeito e qualidade nenhuma para aparecerem no triste jornal da Merdaleja, até porque é necessária uma equipa de marketing, a bem dizer, limpadores de latrinas. Parece que é muito importante ter-se uma cara que ainda esteja na moda, sim, porque há caras que já não se usam, nem que cada vez que abram a boca só digam disparates, o importante é serem apoiados pelos profissionais, exterminadores de cocó visual, em detrimento da cristalinidade do discurso, do olhar e da sinceridade, enfim, daquilo que é suposto serem e fazerem.

Quando comecei a ouvir música, nem televisão tinha em casa, revistas de música pouco ou nada, portanto, para mim, ou tocavam ou não tocavam, claro, segundo aquilo a que eu chamava tocar ou não tocar, que é discutível. De resto, não fazia a mínima ideia se eram feios, bonitos ou assim assim.

O Secreto parece que saiu dum episódio dos Marretas e o Calvin do bataclã da Maria Machadão, dizem as más línguas, mas alguém falou com eles de frente para concluir que assim é?

Escolhem-se poses, planos favoráveis, penteados a condizer, mas o alvo de tamanhas mordomias muitas vezes nem se sente à vontade com essa distinção, até porque não tem nada que ver com aquilo, apenas quer fazer o que tem a fazer e é o que lhe basta.

Tenho uma coisa comigo desde muito puto, quem não me olhar de frente quando fala comigo, fico logo de pé atrás, nem que seja o "Boogie man". Daí para a frente ou para trás, sei lá, não quero saber o aspecto que têm, mas sim o que fazem e transmitem.

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O Côncavo e o Convexo

Porque hoje precisei de ti como um drogado precisa da sua "dose". Precisei que me acalentasses a alma, porque é isso que timidamente conheço de ti.

Não resisti, fui à Tasca do Silva. Comprei não uma mas duas garrafas da melhor pinga do mundo! Oh, que prazer saborear aquele néctar dos Deuses e sentir o seu efeito!

Aquele líquido vermelho escuro, parecia percorrer-me as veias, parecia levitar.... não deixei que o efeito toldasse a imaginação e naquela leveza electrizante, fechei os olhos e deixei-me levar pelo doce encanto e desejo que aquele estado inebriante avivava em mim.

Lembrou-me a fusão do teu espírito com o meu. Juntos, como um mar revolto, com ondas gigantes, rebolamos na areia. Entrosámo-nos com força e energia meia bruta, meia sádica num amor quase infernal.

Em cada vaga sentíamos o côncavo e o convexo em frenesim. Tu estavas num êxtase atroz e eu dentro do mais recôndito do teu ser. E... a cada onda tudo se repetia... No ondular estonteante sentia-se um líquido viscoso que fluía pelo corpo, pelas pernas que me abraçavam...

E nesta agitação de dose dupla, o mar acalmou e o ondulante das ondas era mais suave, mais calmo, mais azul. Sentia-se uma preguiça latente como que a fundir-se na areia, no outro corpo também exausto de prazer...

Juntos, na união diabólica dos deuses e dos anjos esta transformação foi mais clara, mais pujante, mais única...

Eu, agora, sentia-me um ulmeiro forte, frondoso que espetava sem pejo as suas raízes dentro de ti. Tu, a terra, era o meu alimento, a minha salvação.

Nesta fusão permanente de fornicadores, estendia vaidoso os braços como que a dizer: "Juntos até ao infinito"!!....

Aí, éramos todos os elementos da Natureza: o mar vibrante cheio de paixão quando se enrola na areia e a árvore e a terra em comunhão única de "perfuração".

Bem, o efeito passou, deixa-me agora o espírito mais lúcido.

Que merda de realidade!!!!

Um dia destes, vou outra vez à Tasca do Silva buscar mais duas daquela pinga....

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Pedir desculpa....

O acto de “pedir desculpa” será um acto de puro arrependimento? Ou será um “atirar-a-pedra-e-esconder-a-mão”? um “fazer-o-que-se-pretende” fazendo de “conta-que-não-se-queria”...

Tenho andado a pensar nisto!

Fico admirada com a facilidade com que certas pessoas pedem desculpa e logo de seguida repetem a façanha que originou tal pedido.

Pedir desculpa pode ser uma nobre demonstração de arrependimento e de tentar minimizar os efeitos negativos da acção que o originou. Mas minimizar que efeitos? Os efeitos na pessoa lesada ou os efeitos na pessoa que lesou?

Todos nós nos fartamos de ver/ouvir pedidos de desculpa; acho mesmo que se tornou um acto “muito político”.

Diz-se o que se pretende, faz-se o que se quer... depois é só pedir desculpas e tudo fica apaziguado! Fica a “brilhar” na praça pública... acto muito honrado, nobre, admirável... Pois... mas entretanto a ofensa foi proferida, a “bolachada” foi dada, o dano foi efectivado.

E quem tem coragem de dizer que não desculpa? Assumir publicamente que não se aceitam as desculpas é passar para o papel de “mau-da-fita” invertendo os papéis.

Então é mais fácil aceitar as “desculpas” e ficar de pé-atrás... enquanto os apoiantes do “agressor” usam o Pedido-de-Desculpa como bandeira... símbolo da dignidade e da honra de quem pediu desculpas. Com um acréscimo... se alguém voltar a levantar o assunto ele é logo arrumado: “...mas já foram pedidas desculpas...”. Como se isso tivesse apagado por completo toda a questão ou tivesse esclarecido tudo e todos!

Peço desculpa se ofendo alguém....

Óh Silva... serve aí mais um absinto!

domingo, 23 de setembro de 2007

A4 = 210 x 297 x 0,1 mm

Todos nós temos necessidade de nos guiarmos por certezas, baseados na compreensão de tudo o que nos rodeia. Para isso usamos as informações que nos chegam através dos nossos sentidos. E depois temos a capacidade de raciocinar. Outras vezes agimos tendo em conta apenas informações parciais mas que não deixam margem para dúvidas na nossa cabeça. Ou então usamos a intuição, essa capacidade que o ser humano tem de formar conhecimento e opinião sem utilizar o raciocínio.

Contudo, a realidade prega-nos partidas com muita frequência. E o que é mais fantástico é que os mistérios e os absurdos que enganam a nossa mente ou fogem à nossa compreensão podem esconder-se em coisas tão insignificantes como folhas de papel A4 completamente em branco.

Uma folha de papel A4 de 80 g/m2 tem de espessura cerca de 0,1 milímetros. Coloquemos uma destas folhas no chão, subamos para cima dela e saltemos para fora. O salto é, obviamente, de apenas um décimo de milímetro de altura, nada que dê risco para se partir uma perna. Se colocarmos agora uma segunda folha em cima da primeira, nada de novo parece acontecer. O aumento de altura é ridículo e o salto far-se-á sem qualquer risco ou dificuldade.

Pensemos agora que idêntica coisa acontece sempre que adicionamos ao monte mais uma folha. A diferença de altura em relação à anterior é sempre irrelevante. Poderíamos, portanto, concluir que, por mais folhas que se coloquem na pilha, o salto em qualquer momento será sempre fácil e sem consequências, pois com menos uma folha era isso mesmo que acontecia. Sabemos que não é verdade. Mil folhas terão de altura apenas 10 centímetros, mas cem mil folhas totalizarão 10 metros, o que já é altura que baste para para fazer mossa visível. E por aí fora...

Esta é a lei da união das pequenas coisas. Uma gota de água é inofensiva, mas muitas gotas de água juntas podem fazer uma catástrofe. O que escapa à nossa compreensão é que é impossível determinar a partir de que folha ou de que gota o conjunto se torna fatal. Por esse motivo, porque nos parece que "só mais uma" não traz nada de novo, é que insistimos tantas vezes em adiar, em não evitar, em condescender que certas coisas ocorram e o resultado acaba por ser desastroso.

Retomemos a folha A4 inicial com 0,1 milímetros. Imagine que a dobramos ao meio. A folha dobrada passará a ter a espessura de 0,2 milímetros. Imagine agora que dobramos a folha ao meio sucessivas vezes. A folha dobrada ficará cada vez mais pequena e mais grossa. Suponha que a folha é dobrada 16 vezes. De forma intuitiva, sem fazer qualquer conta, quanto acha que poderá medir em espessura a folha assim dobrada? Pense mesmo num número, pois só assim poderá avaliar a sua capacidade para intuir certos fenómenos.

Façamos agora a conta, valores em milímetros:

1.ª dobra = 0,2; 2.ª dobra = 0,4; 3.ª dobra = 0,8;
4.ª dobra = 1,6; 5.ª dobra = 3,2; 6.ª dobra = 6,4;
7.ª dobra = 12,8; 8.ª dobra = 25,6; 9.ª dobra = 51,2;
10.ª dobra = 102,4; 11.ª dobra = 204,8; 12.ª dobra = 409,6;
13.ª dobra = 819,2; 14.ª dobra = 1638,4; 15.ª dobra = 3276,8;
16.ª dobra = 6553,6

A espessura da folha teria 6,5 metros de altura. Se lhe parece muito, confira os cálculos e veja que não há erro. Ou pense no efeito de mais uma dobra. Ela duplicaria a espessura, uma vez mais, pelo que o efeito dessa décima sétima dobra seria colocar a espessura em 13 metros.

Parece ser uma forma fácil de subir ao quinto andar de um prédio pelo lado de fora, numa situação de urgência. Basta ir dobrando uma folha de papel e ir subindo para cima de cada dobra. Na realidade, esta experiência não poder ser realizada, pois o máximo que se conseguirá dobrar uma folha A4 serão sete vezes e ficaremos a pouco mais de um centímetro do chão.

Estes dois exemplos mostram como a nossa mente nem sempre consegue compreender uma parte da realidade ou como a nossa percepção das coisas nem sempre é próxima do real. Para a próxima, não seja tão categórico nas suas apreciações. Dê uma hipótese ao invisível e outra ao absurdo. Vai ver que passará a errar menos vezes.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Ei-los que partem ...

Em véspera de Encontro Nacional, a RT (Reportagem Tasca) deslocou-se à estação de S. Bento no Porto, onde, como se pode constatar, a multidão se acotovela, em filas intermináveis, com vista a serem os primeiros, não a entrar no IKEA, mas no comboio para Coimbra. Resta desejar aos participantes votos de um dia Bem Passado, Bem Comido e Bem Regado. E... Ei-los que partem !


Ei-los que partem
novos e velhos
buscando a sorte
noutras paragens
noutras aragens
entre outros povos
ei-los que partem
velhos e novos

Ei-los que partem
de olhos molhados
coração triste
e a saca às costas
esperança em riste
sonhos dourados
ei-los que partem
de olhos molhados

Virão um dia
ricos ou não
contando histórias
de lá de longe
onde o suor
se fez em pão
virão um dia
ou não

Manuel Freire

terça-feira, 18 de setembro de 2007

O exemplo é a melhor ordem

Naquele dia, em vez do acordar ao som da alvorada, Eduardo acordou com o plantão da caserna a sacudir-lhe os ombros, dizendo que o tenente, comandante da companhia lhe queria falar, antes do inicio da instrução.
Eduardo cumpria o serviço militar obrigatório e odiava a guerra. Não desertara mas prometera a si próprio que se o mandassem para a guerra colonial iria para a clandestinidade tal como o seu amigo de infância, o Carlos "Carapau" que de repente desaparecera porque a PIDE/DGS já andava no seu rasto. Eduardo soube já depois de 1974 que o Carlos pertencia ao MRPP.
Calmamente fez a barba, vestiu a farda de instrução e olhou furtivamente para o espelho para uma ultima verificação se tudo estava de acordo com a forma como se deveria apresentar um militar, pois embora não morresse de amores pela instituição respeitava e fazia respeitar os princípios dos que envergavam uma farda das forças armadas.
Avançou pela parada, passo firme e sincopado com um tambor imaginário, em direcção ao gabinete do tenente que estava como sempre de porta aberta e verificou que lá dentro já estavam o seus três camaradas (atenção, não colocar conotações partidárias, é assim o tratamento entre militares) que com ele davam instrução aos quatro pelotões da companhia. Nunca percebeu porque eram aqueles ridículos batimentos com as botas mas faziam parte do "cerimonial da continência" e nos três últimos passos de aproximação à secretário do tenente bateu com o calcanhar da bota enquanto levava a mão direita à testa, ligeiramente acima do sobrolho, dizendo ao mesmo tempo, bom dia senhor tenente.
O tenente retribuiu o cumprimentos e começou a explicar a razão da reunião:
- Tenho em cima da secretária doze participações que informam o corte de fim de semana a recrutas que de uma ou de outra forma desobedeceram a ordens de superiores, nomeadamente vossas. Não entendo é uma coisa e por isso os chamei, para saber a razão porque sendo quatro os pelotões, só tenho queixas de três.
Um a um o tenente questionou cada um dos furriéis quais as razões dos cortes da saída de fim de semana dos seus recrutas e as respostas dos três primeiros foram sempre semelhantes.... ordenei que passasse na vala da merda e recusou (a vala da merda era uma pequena lagoa de água estagnada, que servia como "piscina" ao condomínio de ratos do quartel), ordenei que pagasse uma completa de cinquenta e não completou, ordenei que saltasse do pórtico para o galho a um metro do final e não o fez.... etc.
Quando chegou ao Eduardo o tenente perguntou se os homens dele obedeciam a todas as ordens, pois o facto de não existirem punições era no mínimo estranho.
Eduardo respondeu que não dava ordens aos seus instruendos.
- Como, não dá ordens. Mas se não dá ordens o que é que eles fazem ?
- Senhor tenente, os meus homens fazem tudo o que tem que fazer sempre que estamos em horário de instrução
- Sem ordens? Como pode ser isso?
- Com ordem, senhor tenente.
- Como? então não disse que não dava ordens? Em que ficamos?
- Nisso mesmo senhor tenente. Eu não dou ordens.... apenas dou uma ordem.
- Sim e qual?
- No inicio da instrução, apenas digo aos instruendos "Todos atrás de mim".... ai do filho da mãe que depois de eu entrar na vala da merda se atreva a não o fazer!
O tenente, que até era profissional, percebeu nesse dia que os milicianos tinham novas ideias... se calhar estava ali a semente das novas forças armadas.....