A Ministra da Educação anunciou há dias, embora de forma um pouco vaga, a intenção de acabar com as reprovações nas escolas portuguesas, uma vez que está provado que a retenção dos alunos só lhes traz consequências negativas. Esta notícia apanhou desprevenidos alguns políticos, os quais, instados a comentar a opinião da ministra, se viram na obrigação de dizer alguns disparates sobre educação.
Convém assentar algumas ideias básicas sobre o assunto. A primeira é que a retenção, em Portugal, é aplicada actualmente a três tipos de alunos: os que não querem saber, os que não podem saber e os que ainda não sabem. Embora só haja uma única forma de retenção (a que faz com que o aluno "não passe") e um único objectivo (fazer com que o aluno aprenda), ela adquire três naturezas distintas, consoante o tipo de alunos a quem é aplicada.
Para o aluno que não quer saber, a reprovação é punitiva. É o Inferno. Ai andaste a brincar, então toma lá qu'é praprenderes. E o aluno, como se sabe, aprende.
Para o aluno que ainda não sabe, a reprovação é benfeitora. É o Céu. Ao aluno é dada a permissão de voltar a ter professores e usar os recursos da escola para fazer de novo o trabalho já feito, para que o possa fazer ainda melhor. E o aluno, como se sabe, fica a saber.
Para o aluno que não pode saber, a reprovação é purificadora. É o Purgatório. Não só porque purga, limpa, tal como Pilatos fez às mãos, como permite evitar que o aluno atinja o Céu, que ele não merece, sem que se tenha de o enviar para o Inferno, o que também seria injusto. E o aluno, como se sabe... bem, quer dizer, eu não sei se o aluno fica melhor, mas com uma coisa tão sofisticada como esta, decerto melhorará.
Como se vê, a retenção escolar é um processo minuciosamente desenhado para, na sua inquestionável simplicidade, atingir diferentes e complexos desígnios. Antes de botar faladura sobre o tema, há que analisar bem se esses desígnios estão ou não a ser atingidos.
Uma segunda ideia fundamental é que deve evitar-se a todo o custo afirmar publicamente que a intenção da ministra é aumentar o facilitismo que abunda nas escolas portuguesas, baixando ainda mais a fasquia. Ou melhor, colocando a fasquia rente ao solo, de forma que até uma centopeia coxa a consiga ultrapassar. Esta ideia parece peregrina, mas já não colhe muito junto da população. Alunos, pais e encarregados de educação estão habituados a ir ver as pautas de exames e constatarem cenários de razia absoluta, principalmente em disciplinas como Matemática ou Física. É rara a família onde não tenha havido já reprovações, pois todos os anos mais de 30% dos alunos não obtêm, total ou parcialmente, a classificação mínima considerada positiva. Ora, como pode uma coisa destas acontecer numa escola facilitista e de baixa exigência? Qualquer coisa aqui não bate certo. Se calhar a escola não está a exigir pouco, está é a exigir mal. Se calhar, a escola não está a dar facilidades aos alunos, está é a evitar ajudá-los melhor, como seria o seu dever.
Terceira ideia basilar, convém ter algumas cautelas nas comparações com países onde não vigora o sistema de reprovações, como é o caso da Finlândia. A Finlândia ficou célebre por ter obtido os melhores resultados nos estudos PISA, ao passo que Portugal se quedou por uma modestíssima posição. Este é um dos argumentos mais recorrentes para mostrar que a escola portuguesa não está de boa saúde.
Façamos um pouco de ficção imaginativa: suponhamos que, enquanto as raparigas finlandesas permaneciam nas escolas daquele país nórdico, os rapazes vinham todos os anos a Portugal, onde, durante dois meses, frequentavam as nossas escolas. Voltemos à realidade: os relatórios PISA mostram que, de forma consistente, as raparigas finlandesas obtêm melhores resultados que os rapazes nas três áreas estudadas - língua, matemática e ciências. Cruzemos ficção e realidade: se os rapazes nórdicos viessem a Portugal, estava encontrada a explicação para o seu menor sucesso - a menor qualidade do nosso ensino. Mas, como isso não acontece, temos de concluir que alunos semelhantes, que frequentam o mesmo sistema de excelência como é o finlandês, têm resultados escolares diferentes apenas porque são de sexo diferente.
Este pequeno exemplo mostra três coisas: primeira, que as causas dos fenómenos no ensino também devem ser procuradas fora da escola e para além da forma como se encontra definido o sistema escolar; segunda, que há causas relevantes que têm a ver com aspectos aparentemente inofensivos; terceira, que muitos alunos portugueses, muito provavelmente, terão chumbado em circunstâncias onde houve alguma influência do facto de serem do sexo masculino.
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Algumas ideias para se discutir o fim das reprovações
Servido por EB às 22:49 0 arrotos
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
No meu tempo é que era bom
Toda a gente sabe que no meu tempo é que era bom. O meu tempo, como também se sabe, é o tempo que já lá vai. As coisas que nesse tempo eram boas, hoje são más. E as coisas que nesse tempo eram más, hoje estão péssimas.
Toda a gente sabe que a escola no meu tempo era melhor do que hoje. A escola nunca esteve tão má como está agora. A miudagem conclui o ensino secundário analfabeta e ignorante. Nenhum aluno hoje lê livros porque a leitura é uma tarefa hercúlea, extenuante e inútil. Os alunos de hoje nem sequer sabem ler - apenas conseguem soletrar. E são incapazes de interpretar correctamente um texto porque desconhecem termos elementares como "opositor" e "sintético". Ah! No meu tempo!...
Com 10 anos já eu tinha devorado pilhas de Camilo Castelo Branco e de literatura de cordel francesa que a minha avó tinha numa estante. Lembro-me da pena que me fazia, em certas noites, ter de deixar o livro para dormir, empolgado que estava na leitura de tão fascinantes peripécias. De manhã, assim que acordava, a primeira coisa que fazia era voltar às fantásticas personagens que viviam nos livros. De Xavier de Montépin, por exemplo, recordo a insuportável perversidade da Alma Negra ou a redentora vingança, ao fim de vinte anos, de Joana Fortier, a padeira injustamente condenada por um crime que não cometeu. Aos 10 anos, só de Camilo, eu já tinha lido, entre outros títulos, Onde está a felicidade, Um homem de brios, Cenas da Foz, O esqueleto, A brasileira de Prazins, Carlota Ângela, Amor de Perdição, Amor de Salvação, Os brilhantes do brasileiro, Estrelas funestas, O bem e o mal, A bruxa do Monte Córdova, A queda de um anjo...
Apesar de toda esta leitura, apesar deste treino, um dia, já com 17 anos, tive uma dificuldade enorme em ler uma obra obrigatória na disciplina de Português. As personagens eram chatas, a história não cativava, o estilo do autor era, por vezes, irritantemente impenetrável, com uma grande densidade de palavras de significado obscuro. Para me ajudar na leitura, iniciei então, com esse livro, um hábito que mantive durante alguns anos, que era sublinhar os termos desconhecidos e, depois de consultar o dicionário, anotar em rodapé o respectivo significado.
Esta prática permite-me agora verificar que eu, aos 17 anos, apesar de ter sido um leitor incessante, desconhecia termos que hoje consideraria triviais e acessíveis a qualquer jovem da mesma idade. Isto exemplifica, de forma muito concreta, a diferença que há entre o passado e uma certa ideia que temos dele. Não fossem as anotações feitas no livro e eu hoje consideraria impossível que desconhecesse, nessa altura, termos tão correntes. Mas tais anotações provam o contrário.
Elaborei uma lista que me parece significativa de 25 destas palavras. A obra era Viagens na minha terra de Almeida Garrett.
apático
asceta
austero
castrar
cepticismo
decrépito
déspota
enguiço
erudito
execrável
fêvera
índole
lascivo
lorpa
miríade
plácida
promíscuo
puberdade
pugnar
pulha
querela
reminiscência
supérfluo
utopia
zurrapa
Toda a gente sabe que no nosso tempo é que era bom. Saudosismo e memória de requeijão dão nisto - uma incapacidade de avaliar correctamente as diferenças entre o passado e o presente. Eis uma coisa que a boa escola de antigamente não nos ensinou.
Servido por EB às 20:48 0 arrotos
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sábado, 12 de dezembro de 2009
Claimeitegueite
No momento em que decorre a Conferência sobre Alterações Climáticas em Copenhaga, é altura para lembrar o caso Climategate. Em Novembro passado, pessoas desconhecidas acederam a um computador do CRU (Climatic Reserch Unit), em Norwich, Inglaterra, tendo obtido e divulgado e-mails confidenciais que mostram que alguns "cientistas" têm deturpado os dados tornados públicos sobre o aquecimento global, exagerando o fenómeno.
Este caso junta-se assim aos argumentos que vão no sentido de que o aquecimento global é uma grande treta ou, a haver algum aquecimento, ele não deriva da actividade poluente dos seres humanos.
Já sabemos que há coisas que não são o que são. Por isso, devemos cultivar o cepticismo. Ser céptico permite ver as coisas para além daquilo que elas parecem ser. Pelo menos algumas. É por sermos cépticos que "o mundo pula e avança". Mas fica uma sempiterna dúvida. Onde pode parar o cepticismo? Neste caso concreto, devemos acreditar que os e-mails comprometedores e a fraude científica existem mesmo?
A controvérsia está, mais do que nunca, acesa. O que pode muito bem ser uma das causas do aquecimento global.
Servido por EB às 19:52 0 arrotos
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sábado, 13 de junho de 2009
O Mergulho
Costumava ao acordar sentir a sensação de um mergulho. Alongava cada pedaço de mim num espreguiçar lento enquanto saboreava na imaginação o gosto de me lançar de cabeça na água, sentir-me leve, sentir-me envolvida pela água, pelo som náutico, como se aquele momento me permitisse nascer com ânimo renovado para aquele dia que começava.
Na piscina observava cada mergulho dos outros com alguma ansiedade de o vir a fazer também. Perguntava-me porque a monitora nunca nos tinha colocado em fila para mergulhar, tal como faziam com as crianças mais pequenas. E o quanto elas se divertiam…
Resolvi naquele dia colocar-me de pé na berma da piscina, imaginando-me a fazer os gestos que via outros fazerem, alinhando as mãos em frente ao peito, e lançar-me após o impulso que me faria desligar do chão, permitindo-me a sensação há tanto sonhada. A monitora reparou em mim e, adivinhando a minha intenção, colocou um sorriso enorme de incentivo para eu o fazer, acenando que sim com a cabeça. Sem pensar, atirei-me!
A leveza da água desaparece, sinto-me embater numa dureza estilhaçante. A água arde no corpo e sinto-me pesada. Não percebo… Ao regressar à tona da água olho a expressão frustrada da monitora, que sem grande entusiasmo pergunta se quero tentar de novo. Não o faço, disfarçando o meu próprio desapontamento.
Perdi o sonho, aquele que ao acordar me trazia uma envolvência única. Ganhei um novo ensinamento, refrescante ainda assim. Temos de perceber o quanto de realidade existe nos nossos sonhos, se os pretendermos concretizar.
Servido por Anônimo às 09:05 0 arrotos
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
O casamento entre pessoas do mesmo sexo
Debate na TV sobre o casamento dos homossexuais. Vi com muito interesse. À partida, a minha opinião fundamentava-se em 90% de razões a favor e 10% contra. No final do debate, a balança passou para uns meros 60-40. Não que os argumentos a favor do "não" tenham sido bons. A maior parte dos argumentos a favor do "sim" é que foram confrangedores.
A questão, se pensarmos bem, resume-se a duas vertentes: a prática e a simbólica. Se querem discutir o assunto a sério, concentrem-se nestes dois pontos.
Quanto ao aspecto prático, é bom ir logo ao osso da questão. Em termos de direito da propriedade e da família, que interessa que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja uma aberração do ponto de vista conceptual, se isso vai acabar com situações de injustiça e discriminação? Claro que é possível adoptar uma outra solução jurídica que não se chame casamento. Mas aqui entra a vertente simbólica, que tem estado muito arredada da discussão.
Deixem-me propor um par de analogias para se perceber melhor.
Na Matemática, sabemos que uma potência é uma representação simbólica que exprime o valor que se obtém multiplicando a base por si própria o número de vezes que surge em expoente. Sendo assim, é um absurdo escrevermos "cinco elevado a zero", pois zero não pode ser o número de vezes que a base multiplica por si própria. No entanto, "cinco elevado a zero" tem de existir por imperiosa necessidade da lógica matemática (ver explicação ao fundo).
Num plano mais próximo do casamento, toda a gente sabe que uma sociedade é um acordo entre duas ou mais pessoas. No entanto, porque é possível que um sócio detenha 99,9% do capital social ou até venha a adquirir, directa ou indirectamente, todas as quotas dos restantes sócios, o direito societário evoluiu no sentido de permitir a constituição de sociedades comerciais unipessoais, isto é, que apenas têm um sócio. As diferenças entre um comerciante singular e uma sociedade unipessoal não se resumem apenas a uma questão de direitos, mas incluem valores associados à imagem que se atribui no meio empresarial a cada uma destas formas jurídicas.
Nestes dois exemplos, a realidade matemática e a jurídica tiveram de se adaptar, combinando aspectos simbólicos, práticos e lógicos. É esta adaptação que tem de acontecer também no casamento.
Resumindo, as potências de base zero são um absurdo, mas têm de existir. As sociedades com uma só pessoa não são realmente uma sociedade, mas podem ser constituídas como tal. O casamento entre pessoas do mesmo sexo não é bem um casamento, mas é uma inevitabilidade. Por isso, altere-se a lei. E deixem-se de paneleirices.
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Por que tem de existir "cinco elevado a zero"?
Sendo 52 : 52 = 1 (um número a dividir por si próprio é igual a 1)
e 52 : 52 = 12 = 1 (propriedade da divisão de potências com o mesmo expoente)
então 52 : 52 = 50 = 1 (propriedade da divisão de potências com a mesma base).
Em conclusão, qualquer número elevado a zero é igual a 1.
Servido por EB às 08:51 1 arrotos
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sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
"Preposição" ou "predisposição", eis a questão!
Houve tempos em que me convenci que até percebia alguma coisa da língua portuguesa. Porém, com o decorrer dos tempos, chego à conclusão que as minhas notas na disciplina destinada a ensinar aos mortais a língua de Camões, foram pura e simplesmente um lapso por parte de quem mas atribuiu.
Se pensar bem agora, talvez a minha vocação estivesse mais virada para a filosofia, essa bela arte de se pensar o que se quiser, ainda por cima com a agradável sensação de que o meu pensamento poderia vir a fazer doutrina junto de discípulos.
Porque é que eu não pensei nisso antes?
Porque é que eu, em vez de estudar tão importante matéria, limitava-me a fazer extensos resumos em folhas A4, os quais metia entre os livros e depois chapava no teste, porque no fundo o que a professora queria era “palha”?
Ó miséria de vida, porque é que só agora, já na casa dos “entas”, cheguei à conclusão que tudo não passa de filosofias de vidas?
Problemas existenciais todos nós temos, mas agora, no meu caso em particular, penso que tal problema se assume como algo do foro psicológico/existencial, pois todas estas interrogações partiram dum banal “tampo-de-tacho" … É verdade, amigos – um mero, banal, simplório, sebento e quiçá asqueroso “tampo-de-tacho”!
Foi ali que fiquei naquela fronteira da indecisão entre o que vem no dicionário da língua portuguesa, versão Porto-Editora, e o que vem no recém-lançado dicionário da língua “XizéNiesa”.
Onde estava a indecisão? – Precisamente porque eu fiquei a ponderar se aquele instrumento que tampa o recipiente onde se confeccionam as comezainas, estava separado efectivamente do seu cara-metade por um “de” ou por um “do”.
Ora, depois de consultar o mais completo dicionário que existe neste belo país – aquele que nós vamos actualizando todos os dias com as nossas experiências, com as experiências dos outros, com os outros que fazem experiências connosco (muitas vezes no pobre desgraçado que não tem qualquer poder, a não ser o poder ficar calado) – cheguei à brilhante conclusão que existem dois movimentos cognitivos, a saber:
- Aquele cujo conhecimento assenta na ideia de que a experiência da vida e a forma intensa como a vivemos, leva-nos a ficar com os cabelos demasiadamente escassos para cobrir precisamente a carapaça que guarda o nosso disco rígido (e atenção que estou a referir-me aos que os têm mesmo rígidos e inflexíveis) – Estou a falar do “de”;
- Aquele outro em que o pensador é ele próprio o tampo, e que por isso só deixa entrar no tacho (da sua doutrina) propriamente dito, quem ele muito bem entende – Estou a falar do “do” (“do do”?… soa-me a jogador de futebol, mas enfim, não estou aqui propriamente para falar desse submundo, onde supostamente a coisa é mais nebulosa que qualquer manhã londrina).
Foi precisamente aqui que eu cheguei a mais uma brilhante conclusão e disse para mim mesmo “XN, espera lá, tu és um génio. Não é que tu, com a tua sabedoria saloia, conseguiste ver mais para além do que alguma vez viu um Sócrates (não façam analogias estúpidas ó faxabôr), um Platão e quiçá até um brilhante Descartes? … tu conseguiste vislumbrar algo que esses génios do pensamento nunca conseguiram, não obstante se dedicarem quase em exclusivo à arte de pensar!”.
Não sei propriamente se disse aquilo a mim mesmo enquanto dormia, ou se estava efectivamente acordado. Inclusivamente nem sei se alguma vez acordei até hoje de facto, mas sei-o realmente agora que há na verdade outro movimento e que até nem é novo, bem vistas as coisas. Trata-se de um movimento unificador daqueles dois acima referidos, o qual decidiu, após aturadas reuniões mais-ou-menos secretas (aquilo que agora pomposamente se chama de concertação), retirar a preposição substituindo-a por uma simples vogal, decisão bastante trabalhosa, pois bem sabemos a maçada que é esta coisa das fusões. E foi assim, caros companheiros, que nasceu o movimento mais em voga nos últimos tempos, de seu nome “TAMPA-O-TACHO”!
O que difere este novo movimento dos dois existentes anteriormente? – Praticamente nada amigos, praticamente nada! – No fundo, trata-se apenas de uma questão de maior rendimento logístico de pensadores que se dedicavam basicamente ao mesmo e que era o de só deixar entrar no seu tacho, aqueles cujos condimentos não viessem estragar a panelinha!
E foi assim que entrei novamente num estado depressivo, pois afinal eu até nem descobrira uma coisa por aí além, apenas fui mais além na arte de puxar pela cabeça… que me senti predisposto a fazê-lo, portanto!
N.B.: Não faltariam imagens que pudessem reflectir e ao mesmo tempo abrilhantar este meu relatório, mas façam também vocês um exercício com o vosso cérebro e tornem-se também em brilhantes pensadores – Olhem à vossa volta, olhem para quem manda em vós, olhem para quem pensa que manda em vós… e depressa chegarão à conclusão que esses pensadores dos tempos modernos existem aos pontapés (atenção, espero que o termo “pontapés” não vos leve a enveredar pela violência, pois nem é esse o meu intuito e tal nem é necessário amigos, porque sabeis, esses pensadores já são por si só bastante martirizados pela sua própria consciência).
Servido por XN às 11:37 7 arrotos
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sábado, 27 de dezembro de 2008
O sexo no quotidiano de homens e mulheres
Tendo em vista um estudo que espero publicar em breve, compilei já cerca de trezentos mil factos do quotidiano que exemplificam a curiosa diferença de pontos de vista entre homens e mulheres no que respeita a sexo. Mais especificamente, o estudo procura mostrar, através desses diversificados exemplos, de que forma o sexo está sempre presente no quotidiano dos homens, enquanto que para as mulheres ele apenas se revela... digamos... às vezes.
Nesta quadra natalícia, por exemplo, quando uma mulher deseja Boas Festas está a pensar no ritual familiar das prendas em família, no encanto das iluminações coloridas e nas iguarias de uma mesa farta e festiva. Para o homem será uma excelente oportunidade para imaginar algumas zonas do corpo onde, depois do jantar, das prendas e das luzes, as festas possam ser realmente Boas.
No vestuário encontramos um dos maiores desníveis entre os pontos de vista masculino e feminino. Por exemplo, o decote ousado. A ousadia, para a mulher, reside na dificuldade em combinar algumas peças de roupa, tendo em atenção a cor, de maneira que umas se vejam e outras não, e com isso exibir 80 por cento do peito. Para o homem, porém, decote ousado seria aquele que revelasse apenas os restantes 20 por cento, independentemente da roupa usada.
Esta forma de ver as coisas tem evoluído com o passar dos tempos, adaptando-se às novas práticas e às alterações tecnológicas. Uma das situações modernas mais eróticas, para os homens, é arranjar estacionamento nos parques que têm muito movimento. É evidente a similitude que existe entre a conquista sexual do macho e a procura de um lugar livre para estacionar, desde o circular exploratório de busca em ambiente concorrencial até à penetração final do veículo num espaço limitado. Alguns homens, encontrado o espaço livre, chegam mesmo a fazer sucessivos avanços e recuos do veículo, uma manobra de claros contornos explicitamente sexuais.
Imagino que a publicação deste estudo será apreciada por parte dos homens, que confirmarão nele várias ideias que já lhes tinham ocorrido, mas chocará provavelmente as mulheres. Como se sabe, para as mulheres, o principal defeito dos homens é eles estarem sempre a pensar em sexo. Já, para os homens, o principal defeito das mulheres é elas nunca pensarem em sexo.
Embora estas sejam verdades universalmente aceites, eu acho que elas pecam por algum exagero. Não é verdade que um homem esteja sempre a pensar em sexo. Eu, por exemplo, lembro-me perfeitamente que consegui estar cerca de sete minutos sem pensar em sexo numa tarde de domingo de Junho de 1973. Nesse período de tempo, fiquei completamente absorvido a ver na televisão as peripécias de um episódio do Bonanza, enquanto brincava distraidamente com as mamas de uma das empregadas do meu pai. Mas acredito que eu seja apenas a excepção que confirma a regra.
Servido por EB às 17:46 2 arrotos
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domingo, 2 de novembro de 2008
O "grande embuste" dos exames
Pela enésima vez na comunicação social, veio o jornal Expresso desta semana, em dois locais, criticar, enquanto medida política, o "grande embuste" do facilitismo dos exames nacionais do 9.º ano de 2008. Nem uma só vez se viu, porém, uma análise séria do fenómeno, quer justificando onde e porquê foram os exames deste ano mais fáceis que os dos anos anteriores, quer discutindo a inadequação do respectivo grau de dificuldade.
Eu experimentei resolver de uma assentada os exames de Matemática de 2005, 2007 e 2008. Dado que os critérios de correcção são muito objectivos, é fácil determinar resultados indiscutíveis. E os resultados que eu obtive foram, respectivamente, 85%, 83% e 95%. Estes resultados confirmam a maior facilidade do exame de 2008? Parece que sim. Mas a diferença observada não é, de maneira alguma, indiciadora de que se passou do 8 para o 80, como as mais calamitosas notícias podem fazer crer ao cidadão inadvertido. Eu pergunto, que dados objectivos como o desta minha experiência foram tidos em consideração para fazer juízos de valor como os que se têm visto na comunicação social?
Por outro lado, é estranho que nunca se discuta se o grau de dificuldade dos exames tem sido adequado (ou inadequado) em relação aos respectivos objectivos e à população alvo. É sempre apresentada a ideia de que os exames fáceis, ao "baixar a fasquia", são catastróficos para a formação do aluno. Esta atitude ignora duas coisas. A primeira, é que muitos professores têm uma inexplicável tendência para não colocar nos testes ou nos exames questões demasiado simples, apenas porque assim os alunos as iriam acertar e isso não lhes acarretaria qualquer mérito. Como se só houvesse mérito em saber as coisas difíceis. A segunda, é que está por fazer uma análise cuidadosa sobre as competências médias do aluno português, considerando questões históricas e culturais da sociedade em Portugal. Será que o aluno médio real é aquilo que se imagina? Ou estará uns 10% mais abaixo?
Espero que não haja pruridos em relação a este último aspecto. Voltando ao lugar-comum da fasquia, é perfeitamente aceite que as marcas nos saltos em altura sejam mais baixas para atletas do sexo feminino, sem que isso represente um anátema inferiorizador das mulheres. Ou será que, em analogia com o título de um dos artigos do Expresso, devemos considerar que a fasquia oficial mais baixa para estas atletas são um grande embuste?
Servido por EB às 17:42 0 arrotos
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sábado, 6 de setembro de 2008
Há vida para além da porca e do parafuso!?
Acabado o período a que alguém se lembrou de chamar de férias, eis que regressamos à vidinha do dia-a-dia.
Hoje em dia já não me custa tanto ultrapassar esse tormento que era o “Jet-Job”, pois já se sabe que noutros tempos, os de solteiro, depois de muitas noites que tinham tanto de bem bebidas, como de mal dormidas, a coisa custava a engrenar e era ver-nos a ressacar em pleno trabalho, tipo olhar para a máquina da água ao canto do escritório e imaginar um barril de “Super-Bock” fresquinha, ou então olhar para a colega do lado e imaginá-la em fio dental (e talvez até dizer-lhe “tu és fresca”… espera, já estou a sonhar… naqueles tempos penso que ainda não havia dessas modernices, perdão, “porcalhices”).
Uma das coisas úteis que fiz nas ditas férias, por estranho que possa parecer, foi levar o puto mais velho ao cinema. Sim, leram bem – AO CINEMA!
Agora não é bem cinema… é mais um aglomerado de capoeiras à escolha do freguês… então aquela parte das pipocas e da cola é que acabam com a minha paciência… mas onde foi parar o velho costume de levar uma gaja ao cinema para lhe dar umas trincas?… pipocas?… comei-as vós!… melhor, comei o milhinho em cru… pode ser que rebente nessas entranhas imundas de tudo… e ao mesmo tempo limpas de nada!
Reparei agora que já escrevi “porcalhices” e “imundices”. Nada mais a propósito para introduzir aquilo que eu vi.
Chegados ao dito aglomerado de salas de cinema, depara-se-nos logo uma tarefa árdua e difícil, que é a de escolher os filmes – outra coisa que não existia antigamente, pois limitavamo-nos a ir ver um único filme que estava em exibição uma série de dias seguidos, e por isso já sabíamos para o que íamos. E mesmo que não soubéssemos era igual ao litro, pois basicamente era tudo à base de murros, tiros e facadas… salvo as sessões das quartas-feiras, em que a malta, mesmo no verão, ia munida dum sobretudo… de preferência com um ou dois tamanhos acima do que gastávamos.
Acabei por escolher o “Wall-E”, dada a minha companhia, e em boa altura o fiz, ou nem por isso, dados os problemas existenciais que acabei por acumular aos que já trazia e que são muitos, como sabeis.
“Wall-E”, resumidamente, trata-se da história de um pequeno e simpático robot, cuja missão era a de limpar o planeta Terra depois deste ter sido abandonado à força pelo homem – o mesmo homem que o encheu de tudo quanto era porcaria.
O pequeno robot, que há centenas de anos se limitava a arrumar sucata sozinho, acaba por conhecer uma robot, de seu nome Eve, enviada à terra pelo homem que agora vivia numa enorme nave, Eve essa pela qual o “E” se apaixona e acompanha para tudo quanto é lado, mesmo quando esta regressa à nave que a tinha deixado no nosso planeta.
Por detrás desse grande amor entre dois indivíduos de lata, está uma história mais profunda e abrangente, pois é esse casal de pombinhos que acaba por dar uma visão da vida ao homem, da qual este já não se lembrava, sendo que no fim todos regressam à terra, robots incluídos (eram às manadas e faziam de tudo lá na nave espacial onde a humanidade vivia desde que abandonou a terra… presumo que até limpavam o cuzinho dos bebés, a crer no aspecto arredondado de toda a gente), para supostamente recomeçarem tudo de novo.
“Muito bonito sim senhor”, disse para mim mesmo mal saí da sala. No entanto, mais tarde estive a pensar naquilo e cheguei à seguinte conclusão – “Espera, está tudo errado, logo a começar pela “gaja” por quem se apaixona o “E”… mas ela até se chamava Eve… onde é que eu já vi isto?… Robots?… Mas não foi por causa da nossa ânsia em não fazer um corno, que acabamos por mecanizar tudo, inclusive o nosso pensamento?”.
Senhores da “Pixar”, vós sois de facto muito criativos, disso não restam dúvidas e por isso aqui vos faço uma vénia. Agora não me venham lá com tretas de histórias profundas, porque dessas nós já conhecemos da história passada e da presente, e até já sabemos o final da história. Olhai, se queríeis fazer uma coisa realmente bem feita, pegavam em dois humanos, tipo o Joaquim e a Gertrudes, punham-nos a exterminar todo o homem-máquina que por aí empesta a humanidade e, para abrilhantar a coisa, metiam umas belas cenas de amor e sexo pelo meio …. ISSO É QUE ERA!
Ok, eu sei, sou um sonhador e nada do que eu penso já faz sentido. Por falar em fazer sentido e para dar um tom de humor à coisa sensaborona que escrevi, deixo-vos aquilo que eu considero ser de um humor refinado e em que, aqui sim, se vê a verdadeira utopia a que chegámos nos dias de hoje. Ora saboreiem lá:
Bem, está na hora de mudar o óleo… às azeitonas!
Servido por XN às 17:39 5 arrotos
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domingo, 31 de agosto de 2008
Manias e preconceitos
Os feitos do atleta Francis Obiorah Obikwelu durante anos não despertaram qualquer interesse em Portugal, pelo simples facto de ele ser um cidadão nigeriano. Mas o interesse subiu e generalizou-se no nosso país a partir do momento em que Francis passou a ter a nacionalidade portuguesa. Um simples acto administrativo mudou a forma como passámos a ver a actividade daquele atleta.
Nos meus arquivos de bagatelas e preciosidades, conservo um cartaz que uma escola do ensino secundário, há já uma boa dezena de anos, usou para publicitar uma actividade. Essa actividade era de divulgação musical e tinha por título "Por que é que a música clássica é tão chata?". O cartaz tornou-se uma curiosidade porque um aluno escreveu nele um rotundo e categórico "Foda-se a escola". Aquilo que eu acho mais significativo nesta relíquia é que a antipatia em relação à escola conseguia, neste caso, ser ainda maior do que aquela que, sem dúvida, o aluno teria em relação à música clássica.
Uma serpente, mesmo que inofensiva, causa calafrios e medo a quase toda a gente, apenas porque é uma serpente. Milhares de pessoas são indiferentes à música clássica ou até a detestam, apenas porque ela é música clássica. Todos estes exemplos mostram como há um certo tipo de rótulos que atribuem um valor de preconceito a tudo quanto existe à face da Terra, sejam pessoas, nações, animais, instituições, obras de arte ou resultados desportivos.
Se eu vos convidar para ouvir o belíssimo tema principal do segundo andamento da Sinfonia n.º 1 do compositor português Luís de Freitas Branco, imagino que poucos aceitarão o convite. Bah! Música clássica e, ainda por cima, de um reles compositor português! Que isto do nacionalismo português dá para os dois lados - glorificam-se umas merdas sem interesse nenhum ao mesmo tempo que superiormente se denigrem sólidos valores e mesmo riquezas absolutas. Mas esta mesma música decerto iria comover toda a gente que a ouvisse num aclamado filme americano, caso ela tivesse sido escolhida como leitmotiv do simpático e nostálgico herói, a quem tudo acabou por correr bem para maior contentamento do espectador.
Querem experimentar? Ora então fechem os olhos, imaginem a cena e ouçam os 2 minutos anteriores ao The end deste inexistente filme.
Luís de Freitas Branco (1890-1955)
Tema principal do 2.º andamento da Sinfonia n.º 1
RTÉ National Symphony Orchestra (Irlanda)
Maestro Álvaro Cassuto
Naxos (8.570765), 2008
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sexta-feira, 9 de maio de 2008
Gaijas com o pipi à mostra
O Ricardo e a Rita são amigos, têm ambos 8 anos de idade e estiveram a navegar na Internet. Logo a seguir, o pai do Ricardo descobriu acidentalmente a actividade dos miúdos. Pesquisa no Google: "Gaijas com o pipi à mostra".
Este episódio verídico é bem revelador da sociedade em que vivemos, principalmente do péssimo estado a que chegou o ensino em Portugal, minado pelo famigerado eduquês. Aos 8 anos já eu tinha aprendido na escola tudo quando havia para aprender sobre sexualidade. Mestre Alcino, rapaz que aos 14 anos ainda tarimbava na terceira classe, revelou a toda a gente esse fantástico mundo até aí misterioso. Em apenas meia dúzia de lições, os alunos absorveram conceitos fundamentais como minete, broche, colhões ou punheta, envolvendo-se depois em actividades práticas muito significativas.
Isso sim era escola, um local onde se aprendiam coisas úteis e importantes! Essa aprendizagem foi tão relevante, que continua a ser praticamente todo o meu conhecimento sobre sexo, o qual se revelou mais que suficiente ao longo de cinco décadas, se exceptuarmos as duas coisas novas que entretanto surgiram: a SIDA e os direitos da paneleiragem.
A busca por "gaijas com o pipi à mostra" apenas apresenta 3 mil páginas, sendo que a quase totalidade não contém a informação pretendida. O erro ortográfico é decisivo. Corrigindo para "gajas" a coisa sobe logo para umas muito mais significativas e reveladoras 50 mil páginas. No meu tempo, um erro de palmatória destes era impensável. E mais, teriam sido logo ensaiadas de forma criativa múltiplas e dinâmicas variantes, como "miúdas com a racha à vista", "meninas mostrando o grelo" ou "madames exibindo a xoxota".
Hoje as crianças dispõe de melhores professores (antigamente não havia formação contínua obrigatória), dispõem das mais modernas tecnologias, como computadores, Internet e esferográficas (no meu tempo escrevia-se numa ardósia), até já têm aulas de Inglês, mas revelam uma confrangedora insipiência sobre como fazer uso correcto de tudo isso. De facto, com o pipi da Ritinha ali à mão, é preocupante verificar que o Ricardo só andou a perder tempo na Internet.
Servido por EB às 12:49 5 arrotos
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sábado, 2 de fevereiro de 2008
Coiso ...
Confesso que as últimas semanas têm sido difíceis para mim, por diversas razões. Por um lado, é a pressão do trabalho e quando isso me acontece é quando eu rendo menos, ou pelo menos tenho essa impressão. Por outro, é o estar constantemente a pensar nas outras dificuldades desta vida:
As financeiras, pois isto de darmos o melhor aos nossos filhos, nos dias de hoje, é uma coisa complicada. E mais complicada se torna ainda quando pensamos o que será isso do “dar o melhor”. Será dar-lhes quase tudo o que eles querem? Será dar-lhes aquilo que nós pensamos que eles querem? Será dar-lhes aquilo que nós pensamos que eles devem querer? Sinceramente não sei. O que eu sei é que existe por aí muita gente, já de idade avançada, que são verdadeiros exemplos de vida e que na sua infância sempre se viram privadas das muitas coisas fúteis, muitas daquelas que hoje nós achamos importantes para os nossos filhos!
As financeiras, pois nós nunca estamos satisfeitos com aquilo que temos. Ora é o carro, ora é a casa, enfim, uma série de futilidades que muitas vezes pouco uso lhes damos, pois a vida é muito curta para podermos usufruir de tudo. Por que será que nós hoje somos assim? – Sinceramente não sei. O que eu sei é que as tais pessoas mais “velhotas” eram e são muito mais felizes com muito menos!
As de relacionamento. Sim, para mim a nossa maior dificuldade prende-se com o facto de não nos conseguirmos relacionar uns com os outros numa posição de igualdade. Penso que, hoje em dia, quando olhamos para alguém raramente o vemos como sendo uma pessoa igual a nós, que tem sentimentos como nós, que pensa como nós, mas que pode perfeitamente ter outros sentimentos e pensamentos que não propriamente os mesmos que os nossos!
As de relacionamento, porque hoje em dia já quase ninguém sabe o significado de amizade. Para mim isso é das maiores tristezas que assolam a minha alma. Eu gosto muito de fazer amigos e de os conservar, mas reconheço que é difícil tal tarefa, reconheço que só de pensar nisso entro quase em paranóia, pois muitas vezes aquilo que nós pensamos como sendo o melhor para manter uma amizade mais não é do que aquilo que nós queremos que a nossa amizade seja. Pior do que isso, para mim, é quando fazemos o melhor pelo nosso amigo e a certa altura, como paga (cá está, muitas vezes, quando ajudamos um amigo, começamos logo a pensar como ele nos vai “pagar”), levamos uma autêntica punhalada nas costas (sim, nas costas, porque hoje, em muitos casos, a amizade foi substituída pela cobardia)!
Conclusão, penso que, como eu, existem hoje muitas pessoas cujo cérebro anda constantemente cheio de “merdúncias”, qual sanita entupida!
(Ok… eu sei que esta foto é nojenta, mas é isso mesmo que eu quero fazer ver – o nojo em que a nossa vida muitas vezes se transforma!)Nem de propósito, um Domingo destes, mais precisamente da parte de tarde, lá estive eu a tirar a crosta dos carros, o tempo lá foi passando e, quando me lembro, eis que tinha uma SANITA para desentupir. É, digamos que foi um Domingo de merda. Lá fui para a casa de banho sem saber muito bem como ia resolver aquilo, sem qualquer ferramenta. Sentei-me ali ao lado a olhar para a sanita, perguntando-lhe em pensamento “ora diz lá minha filha, o que comeste e que te fez mal?”. Como ela não me respondeu, decidi meter a “bicha”da banheira pela sanita abaixo, liguei a água no máximo, de forma a que a pressão pudesse empurrar o que estava a entupi-la. Azar do caraças, a sanita ficou com merda até às orelhas!
Ainda pensei num arame, mas que raio, onde iria arranjar um arame num apartamento? – Desisti da ideia e eis que me vem à cabeça outra luminosa – por que não tentar com aqueles desentupidores utilizados nas bancas de cozinha?
Lá pedi à mulher para ir ao supermercado, a ver se ainda existiam instrumentos daqueles à venda… e não é que havia mesmo? Olhei para o dito artefacto como se ele fosse o Salvador, peguei nele com todo o carinho, meti a mão na sanita, movimentando o desentupidor para cima e para baixo e eis que de repente toda a porcaria se some a uma velocidade estonteante!Tal foi a alegria sentida, que nem sequer me lembrei da mão borrada, muito menos dos salpicos de excrementos que me saltaram para a cara!
Com aquela experiência, veio-me à cabeça o seguinte desabafo: “caraças, gostei da experiência … porque é que os estudiosos da mente nunca se lembraram de criar um desentupidor de merdas existenciais, antes que a nossa vida se torne numa autêntica sanita, a qual acaba por sugar a razão da nossa existência?”
P.S.: Ainda pensei em dar o titulo de “merda” a este post ... de merda, mas isso já seria porcaria a mais, não acham!?
Servido por XN às 02:50 5 arrotos
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terça-feira, 29 de janeiro de 2008
A Economia
Há fenómenos curiosíssimos na Economia. Por exemplo, as actualizações salariais são sempre niveladas pela inflação esperada no próximo ano, coisa que ninguém pode saber qual é, e nunca pela inflação real do ano anterior, que é perfeitamente conhecida. Desconfio que esta prática se deve ao facto de a inflação real ser sempre superior à esperada, mas não tenho a certeza.
Outro conceito interessantíssimo é o PIB, um indicador que, ao que parece, deve estar sempre a aumentar, pois mede a riqueza de um país. Em termos simples, o PIB é a soma da actividade das empresas. Se eu tiver de tratar de um assunto e escrever uma carta, o serviço que me é prestado vale o custo de um mero selo do correio. Mas se eu telefonar, a factura da operadora de telecomunicações será superior. E se eu me deslocar de automóvel para tratar pessoalmente do assunto, o valor do consumo em combustível é substancialmente maior. Quanto mais eu gasto maior é o valor do meu contributo para o PIB nacional. Daqui eu concluo que o país será tanto mais rico quanto mais pobre eu me tornar.
A Economia fascina-me. Ou melhor, fascinam-me os esforços que os economistas fazem para tentar compreender, explicar e intervir na Economia. Fazem-me lembrar médicos falhados, sempre a fazer diagnósticos a um eterno doente que teima em padecer tanto da doença como do tratamento. Baixar a inflação é fácil, mas isso provoca desemprego. Há várias medidas eficazes para acudir ao desemprego, mas aplicá-las gera défice orçamental. Baixar o défice orçamental não é difícil, mas estagna a actividade económica. E por aí fora.
Ao fim de vários anos de observação desta interessante actividade, eu concluí que os fenómenos económicos são tão controláveis como o tempo atmosférico. Chove a cântaros há dois meses consecutivos provocando catastróficas inundações? O governo anuncia medidas radicais para parar a chuva, de entre as quais sobressai a publicação de uma lei que regulamenta a atribuição de subsídios para adquirir impermeáveis. Ao fim de mais um mês continua a chover? Vem o Ministro da Especialidade dizer que isto de medidas políticas leva o seu tempo a fazer efeito. Mas, finalmente, vem o momento em que a chuva dá lugar a dias de radioso sol, provando-se assim que as medidas tomadas acabaram por dar o seu fruto. Irá depois entrar-se num período de seca, mas isso só vai dar a oportunidade aos especialistas para anunciarem novas medidas para corrigirem esse problema.
O meu interesse pelas coisas da Economia iniciou-se há mais de 30 anos, quando Portugal negociou com a Comunidade Económica Europeia condições favoráveis para a penetração do tomate nacional no mercado europeu. Eu fiquei intrigado ao ler sobre a importância da coisa no Diário de Notícias. Portugal lançava-se de forma decisiva no caminho do desenvolvimento. E eu fiquei firmemente esperançado que os tomates cumprissem a sua função, o que, pelos vistos, aconteceu. Hoje estamos, sem dúvida, mais desenvolvidos. É pena que não tenham feito o mesmo com a salsa e as cebolas.
Servido por EB às 11:10 0 arrotos
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
O intrigante momento do "Zé-das-Acções"...
Ora, então, muito boas noites p'ró pessoal todo! -- bradou forte o "Zé-das-Acções", colocando os dois pés em posição rigorosamente simétrica e como que colados aos ladrilhos da Tasca, enquanto lançava um interrogante olhar descrevendo um ângulo de 120 graus pelos presentes. E ainda os tasqueiros lhe não haviam retribuído a saudação já acrescentava (e sorria): Parece que o pessoal, hoje, está preocupado é com o futuro dos dois maiores Bancos cá do bananal!
Mas nem esperou as reacções para arrematar com a questão sobre a qual vinha cogitando, soltando logo ali todas estas frases soltas, afirmativas e interrogativas:
- Estive a ler o "Correio da Manhã" na Internet e fiquei sem perceber tudo. Mas acho que não vou ficar a perder...
- Então, agora, os agentes privados já dependem do Estado, ehim? Isto é de doidos!- Digam-me cá o que é que o Governo do País tem a ver com o governo do BCP?
- Mas que falta de vergonha política e de respeito pela concorrência!!!
- Então, agora, o Governo abre mão do segredo do seu melhor negócio -- o da Caixa -- para fazer chegar a sua estratégia e know-how a um outro Banco onde só indirectamente tem interesses?!
- Oh, cum escafandro!
- Será que não havia mais ninguém capaz de presidir aos destinos do BCP?
- Ó Silva, não precisas de ficar com olhos esbugalhados; cumpre a tua obrigação e serve aí o pessoal, que quem paga sou eu; é que em 2009 vou receber uma pipa de dividendos dumas acçõeszitas que tenho do BCP!!!
E enquanto, uns após outros, todos beberam o seu copo à conta do virtualmente bafejado pela sorte a quem, desta vez, a imprevisível estratégia política lhe acena, prosseguiu:
- Eh pá, ele há coisas na política que nem ao diabo lembraria!
- Então, ainda se o demissionário não tivesse ido à audiência prévia com o Ministro, eu ainda admitiria que simplesmente o BPI e o Berardo lhe teriam oferecido um ordenado de craque da bola!... Mas não; o homem vai p'ró BCP porque há ali uma estratégia qualquer que eu ainda não consegui perceber!
- Olhem, nem me interessa perceber. O que me interessa é que os melhores clientes da Caixa passem para o BCP, que é para ver se, finalmente, as minhas acçõezitas rendem algum, que é p'ra compensar o marasmo dos últimos anos!!!
Todos beberam e... arrotaram. E as conversas, opiniões e especulações surgiram em catadupa -- cada cabeça sua sentença -- mas nenhum dos tasqueiros deu uma explicação lógica p'rá transferência de Santos Ferreira (solto ou apoiado em Vara) da CGD p'ró BCP. E uns por ali ficaram a arrotar enquanto outros foram arrotando a caminho do vale de mantas; mas todos ficaram magicando sobre que raio de "cambalacho" é que estará por detrás de tais novidades...
Alguns tasqueiros até tentaram associar a coisa à referência que Sócrates fez -- na sua Mensagem de Natal -- em relação à solução, que parece ter na manga, para os 145.000 postos de trabalho que ainda tem que arranjar até ao fim do mandato, se quiser não levar rodas de lírico ou, pior, de Pinóquio...
Servido por Jacques às 20:54 2 arrotos
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sábado, 22 de dezembro de 2007
TDS - Vida Selvagem
No outro dia, lá ia eu andando pelos caminhos tortuosos desta selva (há quem lhe chame vida), quando me deparo com este sinal (para quem ainda não tirou o código, atenção, pois estamos a falar de um sinal de perigo):
Como sou ignorante em matéria de bicharada (entre muitas outras), deu-me para fazer um pequeno estudo sobre o dito lagarto.
Consultando a “Wikipedia”, lá podemos ler que “os camaleões são conhecidos pela sua habilidade em trocar de cor conforme o ambiente, por sua língua rápida e alongada, e por seus olhos, que podem ser movidos independentemente um do outro.”
Espera aí, já começo a perceber o porquê do sinal de perigo. Mais, até já me questiono se não deveria haver mais sinais daqueles por aí espalhados, pois realmente aquela espécie tem-se multiplicado desmesuradamente, correndo-se o risco de desaparecerem outras espécies animais, tão necessárias ao nosso equilíbrio. Veja-se do quão letal pode ser o dito animal:
- Habilidade em trocar de cor: Imaginemos que eu sou um simples e banal lagartixo, franco, amigo do meu amigo, respeitador, honesto e trabalhador (eu disse “imaginemos”, ok?). Como um lagarto simples que sou, qualquer pessoa, perdão, qualquer lagarto, é meu amigo e merecedor do meu respeito. Acontece que entretanto conheço um camaleão e com ele troco impressões sobre um determinado assunto, chegando à conclusão que ambos partilhamos dos mesmos princípios e que, acima de tudo, somos lagartos com princípios!
Como é que eu fico mais tarde, quando, em conversa com outro lagarto, o mesmo me diz que o tal lagarto com quem eu tinha falado antes, de uma forma franca e aberta, era um vira-casacas sem princípios!?
E como é que eu fico, quando, mais tarde ainda, descubro que o tal lagarto que me falou do outro lagarto, é ele próprio um “cafageste”?
(ups … enganei-me … selva ainda vá que não vá … agora pântanos!?) - Língua rápida e alongada: Ora bem, língua rápida até pode ser uma virtude, mas agora alongada? … tipo … língua comprida??? … daquelas que estão sempre prontas para acabar com a nossa pacata vidinha? Não, obrigado!

- Olhos que podem ser movidos independentemente um do outro: Mas estamos a falar de quê??? … daquelas pessoas, como dizia o outro, que conseguem olhar para a câmara um e para a câmara dois ao mesmo tempo? Não, obrigado, eu gosto mais daquela história dos “olhos nos olhos”, daqueles olhares sem segundas intenções!
(ups … enganei-me outra vez … foi sem intenção!)
Mal por mal, prefiro as víboras - são o que são e ou se gosta ou não!
Quanto ao dito animal, objecto da minha investigação, apenas vos digo (com muita tranquilidade): LAGARTO, LAGARTO!
Servido por XN às 23:39 1 arrotos
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sexta-feira, 30 de novembro de 2007
O clube dos poetas... tortos
Hoje em dia existe clubes de amigos de todo o género e feitio. Ele é o Clube dos Amigos dos Porquinhos da Índia, o Clube de Amigos da Panasqueira, o Clube de Amigos de Bigode, sendo que ultimamente está a formar-se aí um grupo, o qual provavelmente andará a tratar dos estatutos para criar o Clube de Amigos M&M.

Ainda não percebi muito bem essa dos clubes de amigos. Digamos que gosto mais do ambiente da nossa Tasca, onde acabamos por ser amigos uns dos outros, não porque pensemos todos da mesma forma, mas porque respeitamos as nossas diferenças, sem fundamentalismos e subserviências portanto.
Voltando ao Clube dos Amigos M&M, estava aqui a pensar com os meus botões:
- “Por que raio há pessoas que são uns autênticos lambe-botas, os quais passam a vida a sorrir para o chefe, mesmo que este, enclausurado na sua fatiota de ser supremo e grandioso, mais não veja naqueles seres simpáticos que umas guloseimas para alimentar o seu super-ego?”
- “Será que os M e as M ainda não perceberam que, com essa conduta submissa e indiciadora de parca inteligência, acabam por estar assim a modos que confinados a um gueto onde impera a lei do mais forte, o qual não permite aos seus súbditos que tenham a ousadia sequer de pensar pelas suas próprias cabeças, por outras palavras, que saiam do seu exíguo espaço e que passem a ver a luz, qual embalagem tetra pack?”
(olha, vê-se bem que o M amarelo é novo no clube, coitado!)
É com saudade que recordo os velhos tempos em que ali nas prateleiras da Tasca, o Silva colocava, mesmo ao lado dos famosos rebuçados do Dr. Bayard, os não menos famosos e populares rebuçados catraio, que ainda por cima eram vendidos avulso. Esses sim, mantinham sempre a mesma cor enquanto a gente os saboreava e duravam muito tempo.
Hoje o que vemos? – Uma guloseima que mais parece uma drageia, bonita por fora, não o nego, mas enganadora, pois consumida a primeira camada (a da aparência), facilmente se desvanece a segunda (a das ideias).
Bem, deixa-me acabar por aqui, antes que algum catraio mimado fique chateado com as minhas palavras.
Servido por XN às 17:00 8 arrotos
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sábado, 3 de novembro de 2007
13
Perturbações aparte proporcionadas pelas curvas da Ana Malhoa (chiça que aquilo tem mais curvas que o Marão!), o Chico Ranhoso passou a tarde intrigado na Tasca, com um Grupo de 13 bebedolas que alugaram o Reservado lá de trás para uma reunião, "esotérica" disseram eles. O que é certo é que nem o Silva nem a Cátia Vanessa tiveram um minutinho de descanso, ele eram bifanas, bem e mal passadas, sempre bem regadas com o Tinto da Casa. "Foram 20 garrafões", contou-os o Chico... mesmo com a vista a dobrar que lhe conhecemos!
Mas o mais estranho era a fumarada que do Reservado saía. Aquilo parecia uma mistura de Incenso de Sábado de Aleluia, com Barbas de Milho de Dia da Desfolhada! E os ruídos estranhos? O Carlinhos Almofadinha, rapaz de muita progesterona (acho que é um medicamento daqueles novos que há agora... genéricos, não é?), sempre que escuta ruidinhos lá dá a sua espreitadela. Disse ele que viu, "com o seu olho que alguém há-de comer" - palavras dele - objectos a voar de um lado para o outro!
Comentava-se à boca cheia (e à garganta molhada!) que era uma... Sessão Espírita! Por isso estavam 13 à mesa!
Entretanto, pregado à cortina na entrada do Reservado, estava este Panfleto:
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1 - Magnético - Unifica o propósito. Atrai.
2 - Lunar - Polariza o desafio. Estabiliza.
3 - Eléctrico - Activa o serviço. Une.
4 - Auto-Existente - Define a forma. Mede.
5 - Harmónico - Potencia a radiação. Manda.
6 - Rítmico - Organiza a igualdade. Equilibra.
7 - Ressonante - Canaliza a entoação. Inspira.
8 - Galáctico - Sintoniza a integridade. Modela.
9 - Solar - Pulsa a intenção. Realiza.
10 - Planetário - Aperfeiçoa a manifestação. Produz.
11 - Espectral - Dissolve. Liberta.
12 - Cristal - Dedica a cooperação. Universaliza.
13 - Cósmico - Persevera a presença. Transcende.
Sabemos que o que dá movimento aos nossos corpos são as nossas treze articulações principais e cada uma delas corresponde a um dos 13 tons galácticos, na ordem que consta na figura seguinte. Portanto, qualquer “corpo” com “cabeça, tronco e membros “, contém o código dos ciclos naturais que governam tanto os aspectos físicos, como os aspectos espirituais da vida.
----------------------------------------------------------------------------------------------------Chiça... o que é que estariam aqueles gajos pr'ali a fazer?
Servido por Bilgueits às 22:14 2 arrotos
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terça-feira, 30 de outubro de 2007
O poder da inércia, ou a inércia do poder
Ainda pensei em ir para casa no intervalo e aconchegar-me à beira da minha Maria, isto enquanto a coisa ainda funciona sem comprimidos milagrosos.
Mas depois pensei “porra, deixa-me lá ver a segunda parte e emborcar mais umas bejecas, pois enquanto estou aqui parado a ver 22 gajos a jogar à bola (neste caso foram só onze – os do Porto), não penso na crise, nas prestações, nos caloteiros e nas rasteiras que o destino prega à nossa vida (ou será ao contrário?)”.
Afinal, lendo bem nas entrelinhas daqueles dois anúncios, vemos:
1.º - Um gajo que é pago principescamente por um banco (ele e os administradores), para aparecer deitado num colchão, colchão esse que deve ser de algum cliente depenado, pois roupita da cama nem vê-la;
2.º - Provavelmente o mesmo gajo uns anitos mais tarde, deitado na cama (esta com roupita - pudera, não fosse o gajo um príncipe) com a sua Maria, dando-se ao luxo de fazer intervalos nas suas obrigações enquanto macho, isto porque lhe apareceu a meio um compromisso inadiável, prometendo no entanto à Maria que voltava para continuar com as palhaçadas, pois o efeito do remédio milagroso dura que se farta.
Pergunto:
- Quem é que anda a atira-nos areia para os olhos, pois se um gajo não tem possibilidades sequer de economizar, quando as terá para comprar medicamentos que nos levantem a moral, se entretanto aparecem os problemas da próstata, os bicos de papagaio, a osteoporose e, com jeitinho, as doenças de Parkinson ou Alzheimer?
Servido por XN às 10:55 1 arrotos
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terça-feira, 23 de outubro de 2007
Áh pai, pai, se eu fosse Abel ...!
"AH PAI, PAI... SE EU FOSSE ABEL...!"
Se algum dia, ao passarem pela rua da Tasca ou arredores, ouvirem o desabafo em titulo é porque aconteceu injustiça ou abuso merecedor de "reparo".
Muitos que o ouvem - e até muitos que o dizem - não sabem o porquê daquela frase, que perdura nos tempos como forma de aliviar o agravo que se sente ou de apontar e lamentar a ausência de merecido castigo para alguém.
Hoje, ao passar ali na rua, falava-se da horta do Esquim das Cenouras, da ASAE porque multou a Tasca por ainda não ter a funcionar o sistema do autocontrolo denominado HACCP e ainda, principalmente, de uma reunião da paróquia, com direito a “tickets de combustível”, onde teria sido informado, a propósito de uma contagem de fiéis, que era maluco aquele que “não fosse à missa” nesse dia e não comesse a hóstia igual à do celebrante. Não sei bem o que aquilo queria dizer, mas decerto que se tratava de alguma coisa feia ou de alguma injustiça, porque logo ouvi aquele frase: AH PAI, PAI, SE EU FOSSE ABEL! E isto fez-me recordar, com saudade, o Ti Abel e a origem daquela lendária expressão de revolta e sinónimo de injustiça.
Eu conto-vos:
O Ti Abel era um mouro de trabalho. Homem alto e desenvolto, falava depressa tal como também depressa trabalhava a terra e as suas lidas e como, também depressa, fez 10 filhos! 6 rapazes e 4 raparigas. Colocados em fila formavam uma “escadinha” perfeita.
Há sua volta não havia pausas. Até “levantava pó”!
Os tempos eram difíceis. Criar aquele “time” sem faltar pão não era tarefa fácil. Com muitos sacrifícios e trabalho de todos, a comidinha, no seu essencial, nunca faltou.
Difícil e duro, também, era o dia a dia dos miúdos. Logo que, pelo fim da tarde, a escola – sim, ninguém podia faltar à escola até à 4.ª classe – lhes abria a porta, vinham de correr ajudar no trabalho da terra ou no trato dos animais ou, as mais moças, nas lides domésticas e era vê-las, conforme as forças e a idade de cada uma o permitia, de cântaro à cabeça a “acarretar” água da fonte ou de caminho de lavar a roupa no rio, etc..
Eles, sempre em passo apressado, no carro dos “machos” a comandar aceleradamente a viatura, agarrados à rabiça da charrua que mal lhes chegavam ou montados nos “machos”, em pelo, galopes desenfreados, tipo autênticos “índios americanos” no bom estilo farwest!
Disciplina, rigor, trabalho... qual pelotão de cavalaria. E que ninguém se baldasse! Ti Abel era duro na sua justiça, não perdoava.
Germano era um dos filhos, pela idade aí dos “do meio”. Miúdo rebelde, revoltava-se, indignava-se e enervava-se com as injustiças. Gaguejava um pouco, o que lhe dava alguma graça. Pele escura, pés descalços (ai sapatos! Ou pão ou... sapatos!), calças remendadas no rabo, rôtas nos joelhos, alça caída...
Naquele dia o Germano saiu de casa em passo apressado, não se sabe o que lhe aconteceu, mas decerto que foram ordens do ti Abel para alguma tarefa que entendeu “menos apropriada”. Zangado, barafustava alto, ao mesmo tempo que andava olhava lá para cima, para casa, e, sem se poder conter, bradava repetidamente o seu lamento, a sua “ameaça”, num grito de revolta: AH PAI, PAI, SE EU FOSSE ABEL...!!!
Aquele lamento, de falta de força e de falta de poder para inverter a situação, foi ouvido pela vizinhança que o arrecadou, sentidamente, nas suas memórias e ainda hoje, passadas muitas décadas, quando por cá se ouve, por cá consta ou por cá se testemunha alguma injustiça ou se reclama castigo para qualquer abuso ou ofensa, logo alguém alivia o seu agravo, manifesta a sua revolta ou o seu desprezo exclamando:
AH PAI, PAI, SE EU FOSSE ABEL !!!!
Ah pai, pai, se eu fosse Abel!
Servido por Ze dos Anjos às 16:31 5 arrotos
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sexta-feira, 19 de outubro de 2007
É urgente comunicar.
“Quando entro na tasca e não vejo a minha “cumpincha”... começo a di... a di... Pergunta o outro, a divagar?... a disparatar?... a distanciar?... Escolham... que se lixe.
Já ouviram falar do Homus Ocupados? Hoje em dia há várias formas de comunicação - Chat, Blog, Orkut, Mail, Telemóvel, MSN, Second Life, Site, Skype, etc..., carta. Carta?!! Este meio está em desuso... dirão.
Pessoalmente adoro cartas... nem que fiquem amareladas e com cheiro a mofo.....pois estas têm voz, os meus olhos conseguem ouvir o seu conteúdo... mesmo com o passar do tempo.
E o telefone fixo? Pois... outro que tem os dias contados.
Actualmente anda meio mundo a falar com outro meio mundo on-line. Mas on-line com o quê? Qual a ligação afectiva que existe com 2 pessoas que teclam no MSN? O Homo Ocupados entrou de vez na era da vida lascada... não que eu seja contra as novas tecnologias... mas cada vez mais comunicamos uns com os outros quase como o Outlook envia aquelas respostas automáticas de férias.
O chat para mim é como me esbarrar com desconhecidos e ouvir apenas ruídos... Dependendo da intensidade, podem-se criar laços... por vezes fortes... inesperados... repúdios...
Orkut é quase um cemitério digital... estão lá mas não estão...
E blog? Muita gente só comenta um texto para dar mimo a um amigo... e morre aí.
O MSN lembra-me o filme O Sexto Sentido.. .com a diferença de que “I see live people every day”... eles estão lá a toda a hora, mas não os podemos tocar...
E second live? Pergunte ao meu avatar... aliás, convide o meu avatar para ir ao seu aniversário... sem comentários... Que tal a tasca? Sexo? Ou um simples “Oi, tá tutti?”
Daqui a pouco... alguém vai ler... podem comentar ou não... e depois voltarão ao seu mundo e continuarão à conversa com os seus dedos. Hoje em dia falta aquela coisa de saber o que o outro vai falar antes dele falar. Falta alma, falta emoção, falta voz nas conversas, falta cumplicidade...
Bem... a minha "cumpincha" virtual ainda não apareceu.... sim com esta consegui criar um laço que não desenlaça... sinto que ficou muita coisa por dizer... mas a minha vida não é só a Tasca..."
Vou para a Ilha.
Servido por Xi às 14:46 4 arrotos
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