Chegados que estamos ao final do ano, altura em que a estimada clientela desta Tasca pensou já ter assistido ao que de pior pode acontecer neste cantinho (rectangulozinho… para ser mais exacto), eis que eu próprio decidi agoniá-los ainda mais com a abertura de um canal televisivo.
Senhoras e senhores, meninas e meninos, é com um enorme prazer que lhes apresento a TDS-TV!
Bem sei que estou sujeito a comentários jocosos, género “ai e tal, ainda te falta muito para chegares sequer aos calcanhares da TVI!”, mas de uma coisa não tenho dúvidas – pelo menos tentei!
Para todos um super-hiper-mega-fixe 2009! (espera… a Floribela dava na TVI ou na SIC?)
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
TDS-TV - Emissão experimental?... inaugural?... final?
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
O método mais eficaz para emagrecer
Sempre me fizeram espécie as mil e uma referências a métodos e contra-métodos de emagrecimento, uma coisa que preocupa muita gente, principalmente mulheres que precisam urgentemente de engordar uns quilitos, mas enfim, isso é outro problema. Eu verifiquei que há um método muito simples para obter e manter o peso que se quer, que considero ser, de longe, o mais eficaz e, ainda por cima, o mais simples. Basta comprar uma balança de mostrador digital.
Na realidade, não basta comprá-la. É preciso comprá-la e usá-la. As balanças são uns aparelhos óptimos para medir o peso e é isso mesmo que quem quer emagrecer deve fazer – medir o peso todos os dias de manhã.
Esta prática irá dar um conhecimento total da forma como o nosso corpo se comporta em termos de peso face aos acontecimentos do dia-a-dia. O que comemos ou o que jejuamos, o que caminhamos ou deixamos de caminhar, o que dormimos ou deixamos de dormir, o stress, as gripes, o frio, o calor, tudo isto e muito mais se reflecte no nosso peso. E a balança dá-nos, ao fim de algum tempo, uma informação detalhada sobre isso. Depois é só dosear as coisas em função do peso que se pretende ter.
Nunca mais diga "ai, bolo não, que estou muito gorda!". Em vez disso, diga assim: "hoje de manhã pesava menos 300 gramas que ontem; como dei aquela caminhada extra à tarde que me deve ter retirado mais 600 gramas, e, como o resto do dia foi normal em termos de contribuição para o peso, dá perfeitamente para comer duas fatias de bolo". Quem fala assim não é gago. Nem gordo. Como dizia o outro, é só uma questão de... fazer as contas.
Servido por EB às 12:57 3 arrotos
Etiquetas: Pingas perfeitas
Um conto de Natal
Olá, o meu nome é Parménides Juvenal, moro aqui no bairro e tenho uma história de Natal para contar.
Ontem, como é tradição em época de Natal, depois de tomar o meu nestum ao pequeno almoço, fui com os meus pais à missa do padre Inácio. Quer dizer, na verdade foi a minha mãe que entrou comigo pela mão na igreja, porque o meu pai insiste sempre em ficar lá fora a dar esmola aos pobrezinhos que estão nos degraus da entrada, embora no último ano, a minha mãe se tenha chateado com ele por, ao sair, o ter encontrado na esquina agarrado a uma senhora das que vivem na casa da madame Sissi.
Eu até compreendo o meu pai, pois se já tinha dado toda a esmola que podia, estava a dar algum calor humano à pobre senhora, que estava de mini-saia e top a tiritar de frio, coitadita! Pelos vistos a minha mãe não pensa nas pessoas que, chegado o Inverno, não ganham para comprar roupa mais quente...
Bom... mas estava eu a falar da missa do padre Inácio. Já estávamos quase de saída, quando o padre lançou a pergunta às mais de 10 pessoas que estavam na igreja:
– ... meus irmãos, onde está Deus?
– Ele está nesta igreja – disse o sr. Almerindo da mercearia.
– Sim, muito bem visto, pois esta é a casa Dele. - replicou o padre Inácio.
– Ele está no céu, onde vela por nós – disse a amante do doutor Anacleto.
– Ele está nos nossos corações... - disse uma vozinha lá atrás.
Ora isso deve ser falso, pensei eu, pois venho cá todos os anos e nunca o vi por aqui! Aliás, acho que ele deve ser como o Bin Laden, pois diz-se que ele está em todo o lado, mas muita gente o procura e nunca ninguém sabe onde ele está. Foi aí que me lembrei de um episódio passado há muitos anos que me mostrara onde está Deus. E decidi intervir:
– Eu sei que Deus morava na minha casa-de-banho!
– ??... Ai sim?! E o que te faz pensar nisso? - perguntou o padre Inácio, depois de esperar cerca de dez minutos que a assistência acabasse de rir.
– Porque eu lembro-me, quando era mais novo, tinha para aí os meus trinta anos, muitas vezes ouvia a minha mãe a entrar na casa de banho, e passado uma hora ou assim, ouvia o barulho do meu pai a bater na porta, a torcer-se todo com a mão na braguilha e a gritar “Meu Deus, mas tu nunca mais sais daí?!”
Servido por PJ às 11:58 1 arrotos
Etiquetas: Pataniscas
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
THE T-FILES – Encontros Imediatos do Grau Esquisito (I)
TASCA DO SILVA
4ª FEIRA – 21H30
- Praticamente crescemos os dois juntos...- lamentou-se Parménides Juvenal afogado na sua dor e olhando para o fundo do copo, que repousava vazio no balcão da Tasca. Enquanto quebrava a casca a uns ovos cozidos para servir no dia seguinte, o Silva procurava que aquele jovem de 40 anos tomasse consciência de si.
- Não achas que por hoje já chega?
- Era mais uma gasosa, faz favor! - continuou Parménides sem atender ao que lhe dizia o taberneiro, que para não contrariar o seu cliente, e porque não era do seu feitio prejudicar o negócio, serviu-lhe uma gasosa pela terceira vez, aumentando o estado de alienação na exacta medida do seu desgosto - ...era um grande amigo, sempre disposto a ouvir-me, nunca se negou quando eu tinha de desabafar algum problema, eu sabia que a qualquer hora que precisasse ele estava ali e eu podia contar com ele...nunca pensei que fosse tão duro ver partir assim um amigo! Nem quis ver quando o meu pai o largou na sanita e puxou o autoclismo...
- Como?... - espantou-se o Silva, quase entornando a gasosa no balcão.
- ...pois é, nunca me esquecerei do meu peixinho vermelho...
O Silva rolou os olhos e mirou o relógio do Benfica que, na parede de fino azulejo Viúva Lamego, marcava o imparável caminhar dos ponteiros a caminho das dez.
- Não será melhor eu levar-te a casa?
- Não, mas é melhor eu ir andando, se eu chegar a casa depois das dez é capaz de a minha mãe se chatear e já nem me dá o banhinho antes de deitar...
Massacrado pela perda do ente querido e por 3 gasosas nunca antes tomadas de uma assentada, Parménides saiu para a rua, indo ao encontro da noite fria, que lhe despertou os sentidos do torpor produzido pelo dióxido de carbono da bebida. Num movimento pendular semelhante ao de um limpa-pára-brisas caminhou entre o passeio da esquerda e o da direita, escutando os seus passos no empedrado, agora que todo o bulício do bairro cessara no exterior, transferindo as actividades físicas nocturnas para o interior da casa de madame Sissi.
Parménides ía a meio da Travessa do Berbigão quando, subitamente, após um estrondo seco, os candeeiros da rua se apagaram todos, deixando-o apenas com a fraca companhia da lua, ainda em quarto crescente. O seu pequeno coração começou a palpitar mais intensamente quando foi tomado pela estranha sensação de estar a ser observado, sem saber muito bem de onde. Um arrepio percorreu-lhe a espinha de cima a baixo, logo seguido de um fenómeno idêntico em sentido inverso, pelo que decidiu alargar o passo.
De repente, algo o surpreendeu não conseguindo conter um pequeno grito de medo. À sua frente, em enormes letras vermelhas, estava a palavra “MORTA”! O nó que se lhe formou na boca do estômago acalmou um pouco quando percebeu que se tratava de um cartaz publicitário do Lidl, anunciando “Mortadela a 1,29 €”.
O seu passo foi de novo apressado quando ouviu o som nítido e não distante de lobos uivando à lua cheia, o que era tanto mais estranho quanto a lua estava em crescente e ao fundo da rua só se viam 2 cães vadios. Atalhando pelas traseiras da Tasca, Parménides não reparou no cadáver carbonizado de uma ratazana junto de um poste de alta tensão recentemente instalado, e que exalava um odor de morte. Contudo, não pôde deixar de reparar em algo que, no meio da rua, o fez estacar o passo, estarrecido.
Uma figura estranha, algo retorcida mas ao mesmo tempo de silhueta humanóide, irradiava uma aura em tons de verde, como que um brilho que acompanhava todo o corpo, simultâneamente atraente e repulsivo, e que estendeu um braço na tentativa de estabelecer contacto.
E então, a criatura emitiu som.
Uma voz grave e rouca, com um sotaque que, dir-se-ía numa disparatada comparação, semelhante ao de um emigrante de leste, falou:
- Não ter medo, senhor... - pareceu-lhe ouvir em português.
O cérebro de Parménides perdeu o controlo sobre o seu corpo e a razão cedeu lugar à emoção. O seu coração disparou a ordem, a bexiga aliviou-se e as pernas desataram a correr o mais rápido que podiam, a caminho de casa.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
E porque...
... hoje há uma Tasqueira a celebrar primaveras (ou será invernos?), aqui vai a nossa singela – mas ao mesmo tempo sentida – prenda… Ora desembrulha (ou embrulha… tudo dependendo como interpretas a coisa).
Servido por XN às 03:05 6 arrotos
Etiquetas: Pataniscas
domingo, 9 de novembro de 2008
CSI:TDS - "Afinal havia outra" - parte VI (e última, carago)
Intrigado pela descoberta da conversa entre Tozé e Marineide, Parménides Juvenal decidiu ir até à porta da Tasca do Silva, estabelecimento estável de Chico “Búfalo” Dias, para tentar saber mais sobre o que tinha ouvido o engraxador, pois o que vira não parecia ter sido uma discussão violenta, como este tinha afirmado.
Chico aguardava clientela, enquanto degustava uma mini preta.
- Boa tarde, sr. Dias! – Parménides tratava toda a gente pelo apelido – Sabia que afinal a Sueli não matou o sr. Vilarinho?
- Ai sim? E eu ajudei a polícia a prendê-la porquê? Por causa da música sertaneja que ela trazia em altos berros no telemóvel, foi?...
- Não, ela gostava mesmo dele como afirmou à polícia. Eu ouvi o que ela lhe disse numa gravação vídeo da loja do sr. Xixi...
Parménides desviou-se para dar passagem a um cliente que chegava, o qual tomou o seu lugar no banquinho de engraxador, enquanto “Búfalo” Dias se sentava no apoio frontal aos sapatos. Já sentado, Chico esticou-se para pousar a garrafa de cerveja no chão, e foi então que Parménides lhe viu o fundo das costas, o que o traumatizou bastante. Não porque o rego do engraxador fosse mais peludo que o de um normal trabalhador das obras, mas porque a camisola levantada permitiu ver, nas costas de Chico, uma borboleta tatuada em tons de verde e roxo. Parménides estremeceu ao olhar também para a cabeleira loura do “Búfalo”, não conseguindo parar a tempo o seu discurso:
- ...e ela falava noutra pessoa envolvida, que tem os cabelos louros e uma tatuagem de borboleta nas costas...
Com a velocidade de um relâmpago ou, mais velozmente, com a velocidade com que Luís Filipe Menezes muda de opinião, Parménides apercebeu-se que tinha encontrado o criminoso. Fora de facto um crime passional, embora diferente do que seria de esperar!
Ao mesmo tempo, Chico “Búfalo” Dias apercebeu-se que tinha de dar uma “engraxadela” definitiva naquela personagem, antes que mais alguém soubesse disso.
O engraxador virou-se repentinamente para trás, destilando toda a sua fúria de homem acossado pela revelação dos seus sentimentos, tentando atingir Parménides com a lata de graxa preta, algo que o jovem de 40 anos conseguiu evitar.
- Ó sr. Dias, veja lá que quase me ía aleijando...
- ...sim, foi ciúme... e qual é o problema? Um caso com a lambisgóia da brasileira eu ainda aguentava, afinal, não é fácil assumirmos quem somos neste bairro hipócrita, cheio de gente antiquada, agora... renovar os votos de casamento com aquela pindérica da Carmelinda? Isso não!
Sentindo pela segunda vez nessa semana, um ligeiro descontrolo do seu esfíncter e pressentindo uma pequena mancha acastanhada nos boxers, Parménides largou a correr pela rua abaixo, perseguido pelo engraxador em fúria, que sacou do seu canivete suíço, curiosamente, comprado na loja do sr. Ping Xixi, e que para lá de cortar pão e queijo serrano, tinha ferramentas muito úteis para o esventramento de testemunhas incómodas.
- Tenho duas novidades, uma boa e uma má!
- Deixa-me adivinhar – disse Gil – o iva vai passar a ser pago apenas aquando do recebimento dos clientes e o nosso orçamento foi reduzido para metade!...
- Quase...-lamentou Nico – A má notícia é que Tozé não limpava as unhas muito frequentemente e estavam cheias de...digamos, resíduos. A boa notícia é que, entre eles encontrámos restos da pele, identificados como pertencentes a um tal de Parménides Juvenal, morador do bairro.
- Apanhámos o nosso homem! Rápido, alerta total, vamos cercar o bairro!
Entretanto, nesse mesmo instante, Parménides lutava pela vida, num esforço físico nunca antes atingido, se descontarmos as vezes em que a sua mãe vai ao Jumbo e ele tem de carregar as compras até ao terceiro andar onde mora. Numa espantosa coordenação de movimentos, enquanto corria, pensou, porém em voz alta, com os seus botões:
- ...eu não estou a perceber nada, como é que podia achar aquele senhor atraente?...
Três metros atrás de si, o engraxador ouviu o comentário:
- ...ah, já percebi, tu também és daqueles que acha que um homem não pode sentir atracção por outro homem, se calhar também obedeces à disciplina na votação da lei do casamento homossexual... anda cá, meu choninhas...
Era espuma de raiva o que escorria pelos lábios de Chico Dias enquanto dobrava a esquina na perseguição a Parménides, que num harmonioso movimento de quadris, sem dúvida inspirado na famosa revienga de Cristiano Ronaldo, evitou a banca de frutas do sr. Almerindo, o mesmo não sucedendo com o engraxador, que se foi estatelar numa caixa de tomates maduros.
- Já que gostas tanto, brinca agora com esses... - diria um herói de acção, intrépido e galante como, por exemplo, James Bond. Mas Parménides não disse nada.
Subitamente, entram na rua dez carros de patrulha, com as sirenes de novo imitando José Castelo Branco, respondendo à ordem da central CSI para deterem Parménides Juvenal para interrogatório. O merceeiro entregou Chico Dias às autoridades por assalto à mão armada perpetrado sobre uma caixa de tomates, o que facilitou o trabalho da polícia quando Parménides relatou no interrogatório tudo o que tinha descoberto.
Nessa noite, Parménides Juvenal pôde mais uma vez gozar o conforto do seu lar, sentado aos pés do maple onde sua mãe fazia renda, enquanto ambos viam um concurso na televisão, embora sem lhe prestar grande atenção. Na verdade, o seu imparável cérebro preocupava-se com a viúva de Tozé Vilarinho.
- Finalmente, a Carmelinda pôde ter alguma paz de espírito...
- Meu filho, a verdade vem sempre ao de cima. Foi bom ela saber que o marido não foi morto pela lambisgóia da amante mas sim por um abafador de palhinha psicótico!
Não sabendo bem o que a mãe quereria dizer com isso, Parménides achou por bem interromper os movimentos que fazia com a palhinha no seu copo de leite morninho, não fosse isso torná-lo psicótico...
domingo, 2 de novembro de 2008
O "grande embuste" dos exames
Pela enésima vez na comunicação social, veio o jornal Expresso desta semana, em dois locais, criticar, enquanto medida política, o "grande embuste" do facilitismo dos exames nacionais do 9.º ano de 2008. Nem uma só vez se viu, porém, uma análise séria do fenómeno, quer justificando onde e porquê foram os exames deste ano mais fáceis que os dos anos anteriores, quer discutindo a inadequação do respectivo grau de dificuldade.
Eu experimentei resolver de uma assentada os exames de Matemática de 2005, 2007 e 2008. Dado que os critérios de correcção são muito objectivos, é fácil determinar resultados indiscutíveis. E os resultados que eu obtive foram, respectivamente, 85%, 83% e 95%. Estes resultados confirmam a maior facilidade do exame de 2008? Parece que sim. Mas a diferença observada não é, de maneira alguma, indiciadora de que se passou do 8 para o 80, como as mais calamitosas notícias podem fazer crer ao cidadão inadvertido. Eu pergunto, que dados objectivos como o desta minha experiência foram tidos em consideração para fazer juízos de valor como os que se têm visto na comunicação social?
Por outro lado, é estranho que nunca se discuta se o grau de dificuldade dos exames tem sido adequado (ou inadequado) em relação aos respectivos objectivos e à população alvo. É sempre apresentada a ideia de que os exames fáceis, ao "baixar a fasquia", são catastróficos para a formação do aluno. Esta atitude ignora duas coisas. A primeira, é que muitos professores têm uma inexplicável tendência para não colocar nos testes ou nos exames questões demasiado simples, apenas porque assim os alunos as iriam acertar e isso não lhes acarretaria qualquer mérito. Como se só houvesse mérito em saber as coisas difíceis. A segunda, é que está por fazer uma análise cuidadosa sobre as competências médias do aluno português, considerando questões históricas e culturais da sociedade em Portugal. Será que o aluno médio real é aquilo que se imagina? Ou estará uns 10% mais abaixo?
Espero que não haja pruridos em relação a este último aspecto. Voltando ao lugar-comum da fasquia, é perfeitamente aceite que as marcas nos saltos em altura sejam mais baixas para atletas do sexo feminino, sem que isso represente um anátema inferiorizador das mulheres. Ou será que, em analogia com o título de um dos artigos do Expresso, devemos considerar que a fasquia oficial mais baixa para estas atletas são um grande embuste?
Servido por EB às 17:42 0 arrotos
Etiquetas: Filosóficas e bagaceiras
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Vitela com tomilho
Há pratos que surpreendem pela simplicidade da sua confecção, parcimónia nos ingredientes e riqueza de sabor. Um dos meus preferidos é a vitela com tomilho, que combina o sabor desta erva aromática com o vinho tinto e a cebola cozida. Um clássico.
Cortar carne de vitela em pequenos cubos (eu costumo usar agulha ou chambão).
Marinar a carne durante 2 horas em vinho tinto, tomilho, alho, sal e pimenta.
Num tacho amplo, fritar a vitela num pouco de azeite bem quente durante 4 ou 5 minutos. Adicionar o vinho da marinada e deixar estufar durante 15 minutos em lume médio.
Adicionar cebolas pequenas inteiras ou médias partidas em metades (pelo menos uma cebola média por pessoa) sem as misturar com a carne (as cebolas são colocadas sobre a carne e ficam durante algum tempo a cozer apenas no vapor).
Deixar cozer mais 45 minutos em lume brando. A cebola tem de ficar tenra e completamente embebida no molho.
Servir com arroz cozido ou puré de batata.
sábado, 25 de outubro de 2008
CSI:TDS - "Afinal havia outra" - parte V
Em frente da tasca aglomeravam-se as equipas de reportagem de várias televisões que permitiam que Chico “Búfalo” Dias se vangloriasse da ajuda dada à polícia para a detenção de uma criminosa, bem como lançasse os necessários alertas ao governo para a necessidade de mais apoios ao negócio da engraxadela. Este aparato desagradava ao Silva, porque nem as televisões mostravam a fachada da tasca nem os jornalistas faziam qualquer consumo aos seus pipis, moelas e tinto de estalo.
Na Travessa do Berbigão, esquina com a tasca, fica a loja chinesa de artigos electrónicos do sr. Ping Xixi, que para sua protecção contra as máfias chinesas que por vezes rondam o bairro, tem um câmara de vídeo ligada dia e noite sobre a porta do estabelecimento. Esse facto chamou a atenção de Parménides Juvenal, que motivado pela sua crença na inocência de Marineide, decidiu pedir acesso às filmagens do dia em que ocorrera a discussão entre Tozé e a amante.
No mundo cão em que vivemos, a honestidade e sentido de justiça têm sempre um preço – no caso de Parménides, foram 5 palmilhas de cortiça, uma camisola da selecção e um dragão luminoso que ele teve de comprar, para que o sr. Ping lhe desse acesso às filmagens.
Aninhados na central de vigilância localizada por baixo do balcão, Ping Xixi e Parménides Juvenal assistem às imagens da discussão:
– “Cê é um cafageste, Tozé... cê diz qui gosta dji mim e vai renovar os votos de casamento com sua muiér?... cê mi ama ou não mi ama?”
– “...mas querida, as coisas não podem ser assim... o problema não está em ti, está em mim...”
– “Ocês homens são tudo farinha do mesmo saco, viu? Vive djizendo qui mi ama... eu dei minha vida pra ocê, seu cafageste, dei minha vida todinha, meu coração e minha auma e agora eu mi sinto capaz de tje matar, viu?...”
O sr. Ping trocou olhares com Parménides, que sentiu o sangue gelar-lhe nas veias, sinal de que um leite morninho seria bem vindo, e sinal também de que Marineide podia de facto ter morto Tozé.
– “...eu fui burra mesmo, e pensar qui eu tava preocupada com seu outro caso...”
Outro caso? – interrogou-se Parménides.
Outlo caso? – interrogou-se Ping Xixi – Com mil dlagões flamejantes de labo inflamado! Aquel goldo tinha tlês mulheles?...
– “...cabelos louros e tattoo de borboleta nas costas? Nossa, é tão kitsh qui enjoa...”

(Coragem, este foi o penúltimo...)
sábado, 11 de outubro de 2008
CSI:TDS - "Afinal havia outra" - parte IV
O raiar do dia pintou os céus do bairro de tons alegres e inspiradores para a maioria da população. O Benfica ganhara na véspera, Cátia Vanessa conseguira finalmente desencardir o local da ocorrência com um detergente novo comprado no LIDL e a equipa de investigação do inspector Agostinho tinha apurado que Tozé era proprietário de um andar há 3 anos, tendo-o colocado à venda uma semana antes de morrer. Uma minuciosa inspecção à caixa de correio desse andar, permitiu descobrir, além de alguns vales de desconto para a pizaria do bairro, um envelope de fotos em que Tozé e Marineide Sueli apareciam juntos, em grande intimidade. Provava-se que viviam como amantes e ganhava força a tese de crime passional. Ao mesmo tempo, no laboratório dos CSI chegava o relatório toxicológico de Tozé Vilarinho.
– A nossa vítima morreu de ataque cardíaco, sem qualquer traço de drogas no sangue – disse Catarina Salgueiro lendo a conclusão do exame.
– Devemos concluir que não houve crime? – perguntou Gil Grisso.
– Calma lá! – protestou Nico – Mas eu encontrei junto do corpo um frasco de Coumadin, um anticoagulante usado para evitar a trombose ou recidiva de enfarte de miocárdio. Ora se ele tomava medicação, não deveria aparecer alguma coisa?...
– A não ser... que ele estivesse a tomar um placebo – disse Gil, arqueando a sobrancelha como só ele sabia fazer quando debitava a sua imensa sabedoria, ou quando tentava engatar alguma ucraniana nos bares de solteiros que costumava frequentar – Testaram os comprimidos encontrados?
Feitos os testes ao frasco de Coumadin, descobriu-se, não varfarina sódica cristalina, mas vulgares comprimidos de adoçante, o que, aliado às informações do inspector Agostinho sobre as fotos encontradas no apartamento de Tozé, determinou nova saída da equipa de reacção rápida CSI, com o potente Smart a levar Nico e Catarina de regresso à Tasca do Silva para falar com Marineide Sueli. Seguidos, obviamente, por 5 carros patrulha cujas sirenes, para aqueles de mente mais retorcida, fariam lembrar os gritos de prazer de José Castelo Branco quando experimenta uma nova bicicleta. Sem selim.
A entrada de rompante na Tasca permitiu apanhar a perigosa brasileira enquanto dava os acabamentos numas unhas de gel acabadas de colocar em Cátia Vanessa, cujas pontas dos dedos ficaram a parecer navalhas de um tom vermelho-quente, fogoso como o de qualquer estrela porno. Vasculhando o cacifo de Sueli, foi possível encontrar os verdadeiros comprimidos Coumadin de Tozé, bem como embalagens similares com o adoçante. Detida imediatamente, Marineide foi levada para o carro patrulha, enquanto, chorosa, gritava a sua inocência a toda a população que se juntara na porta da Tasca do Silva em busca de um espectáculo grátis sobre a miséria humana e a degradação moral.
Lá bem atrás da multidão e vendo menos do que um retardatário num concerto de Madonna, estava o incógnito Parménides Juvenal, morador do bairro que soltava uma furtiva lágrima por Marineide, pois sentia no seu coraçãozito que a brasileira não era a responsável pela morte de Tozé. Por um lado, Parménides tinha a tendência para acreditar no que dizem as pessoas de mini saia e meias de renda. Por outro, ela parecia bastante sincera quando gritava que amava Tozé e que nunca lhe faria mal. Poderia ela ter mentido à polícia sobre a discussão que tivera com Tozé?
Ainda se fazem clássicos?
Em termos estritamente musicais, ainda se fazem clássicos na música pop? Ainda se fazem hoje daquelas músicas que têm o tal click que as transformam em coisas eternas?
A resposta é, obviamente, sim. O problema, contudo, é o mesmo de sempre. Como reconhecer um clássico antes que ele se torne clássico? É um bom exercício tentar antever esse futuro distante, imaginando o efeito que o tempo, o acaso e as boas influências das editoras farão a certas músicas de hoje.
O que proponho hoje é uma dessas músicas que têm tudo para serem clássicos. Esta tem tudo no sítio certo. Apenas lhe falta o tempo. No último álbum dos Metallica, publicado há um mês, parece que o que está a dar em termos de popularidade é o The Day That Never Comes. Nada mau! Mas eu aposto noutro cavalo.
Metallica
The Unforgiven III
Death Magnetic, 2008
Warner Bros. Records
Servido por EB às 11:31 4 arrotos
Etiquetas: Fados e guitarradas
domingo, 5 de outubro de 2008
CSI:TDS - "Afinal havia outra" - parte III
Era grande a discussão junto ao posto médico, naquela manhã. A fila para a marcação de consultas já chegava à porta da Tasca do Silva, mas corria o boato que o Dr. Anacleto tinha levado a mulher para um congresso de medicina em Punta Cana e não haveria consultas tão cedo. Outro dos temas em vivo debate naquele “Prós e Contras” de bairro, era sobre quem teria mais razões para matar Tozé Vilarinho – uma amante ou a hipertensão arterial?
Apesar de ser voz corrente que o cardiologista já lhe tinha recomendado mais exercício físico, os 66% de matéria gorda do seu corpo pareciam indicar tanta atenção a este conselho como quando o Silva insiste em dizer “fiado só amanhã” aos clientes da sua tasca. Entre o mulherio ali presente, grande percentagem inclinava-se para a inveja da extrema sensualidade e sex appeal daquele que alguns insistiam em rotular de gordo, badalhoco, suado e pouco agradável ao olfacto. A este último argumento, havia mesmo uma quarentona que vociferava:
- A isso chamam-se feromonas, seus estúpidos! O Tozé era só um pouco descuidado com elas, apenas isso...
Na sede dos CSI, na sala de “Interrogatórios, Questionários e Perguntas Parvas”, Gil Grisso, Catarina Salgueiro e Nico, faziam perguntas a Chico “Búfalo” Dias. Devendo a sua alcunha à marca de pomada para calçado, Chico Dias, bem parecido jovem sub-30, de cabelo loiro e braços tatuados com personagens de BD, tinha ignorado o programa Novas Oportunidades e trabalhava de engraxador à porta da Tasca, sete dias por semana em full time, pelo que era uma testemunha dos acontecimentos que antecediam o apagamento de Tozé.
Ser engraxador é ter uma profissão sensível, tal como a de manicure ou barbeiro. Tem-se acesso a segredos íntimos da clientela, que só o restrito Código Deontológico impede que caiam na vox populi. Assim, Gil Grisso ficou sem perceber, quando questionou Chico Dias sobre possíveis amantes de Tozé Vilarinho, se o engraxador de facto desconhecia a sua existência, ou se o seu sentido deontológico falava mais alto que os sórdidos pormenores a que teria tido acesso.
No entanto, as persuasivas técnicas interrogatórias da equipa CSI (entre as quais se contou o abandono da sala por parte dos criminologistas durante mais de uma hora, deixando a testemunha entregue a si mesma e a um pequeno televisor que passava continuamente compactos dos Morangos com Açúcar) permitiram apurar que naquele mesmo dia, Chico Dias tinha ouvido, na travessa que faz esquina com a Tasca do Silva, e portanto, uma ocorrência do domínio público, uma discussão entre Tozé Vilarinho e Marineide Sueli, escultural mulata brasileira que trabalhava no centro comercial fazendo unhas de gel para as senhoras do bairro e, ocasionalmente, fazia algumas horas na Tasca ajudando Cátia Vanessa no serviço às mesas, quando o trabalho apertava.
Destacando imediatamente uma equipa de investigação rápida para o centro comercial, Gil Grisso enviou o colega Nico no seu potente Smart, interrogar Marineide Sueli e proceder à recolha de cera dos ouvidos para posterior análise de ADN. Nas palavras da brasileira, a discussão havia sido motivada pelo trabalho de unhas que ela tinha feito em Carmelinda Vilarinho, as quais se tinham quebrado na primeira vez que a mulher de Tozé tinha lavado a loiça, sendo que o amantíssimo marido pretendia ser reembolsado, apesar de Marineide explicar que trabalhava a recibos verdes e não podia fazer notas de crédito. Oferecido um desconto em próximos trabalhos, Tozé não tinha aceite e a discussão tinha acontecido. Muito traumatizada por pensarem que seria capaz de matar Tozé, Marineide refugiou-se no “banheiro” a chorar, não sendo possível apurar mais nada. O mistério adensava-se.
domingo, 28 de setembro de 2008
CSI:TDS - "Afinal havia outra" - parte II
– Gil Grisso, criminologista – apresentou-se o recém chegado, estendendo a mão ao detective Agostinho, que chefiava a equipa de polícia responsável por fazer da Tasca do Silva algo entre um acampamento de escuteiros e um première de cinema, tal o aparato de homens, cães, equipas a cavalo e projectores de halogéneo em todo o quarteirão. - Conte-me tudo.
– Tozé Vilarinho – disse o inspector apontando para o corpo coberto com um lençol, que jazia na entrada da Tasca – 45 anos, um metro e sessenta, 128 kgs, badocha morador no bairro, apreciador de comida com altos teores de gordura, estava ao balcão a petiscar umas tiras de entremeada barradas com manteiga, quando começou a arroxear e saiu cambaleando do estabelecimento "sem sequer pagar a despesa", segundo palavras do sr. Silva, proprietário.
– Gil, – chamou Catarina Salgueiro, uma loira quarentona boa comós pêssegos em calda, vestindo um blusão azul com grandes letras CSI – o morto tem resíduos de pele nas unhas, já recolhi amostra de ADN, e existem muitos cabelos junto ao balcão.
– Encontrei um frasco de comprimidos no fundo da sarjeta,- anunciou Nico, um dos criminalistas que estava no exterior da Tasca – junto com uma ratazana cinzenta.
– Por falar nisso – disse Gil – já comia qualquer coisa. Sinto um ratito em mim.
– Eu tenho comigo uma ratita, talvez pudéssemos confraternizar...– propôs Catarina.
– ...E aquela ali ao canto? – perguntou Gil ao inspector Agostinho, desviando a conversa antes de entrar por caminhos dos quais se viesse a arrepender... ou não.
– Carmelinda Vilarinho, 40 anos, ex-esposa de Tozé, um metro e setenta, 69 kgs, 95 de busto, 60 de cintura, 90 de anca, calça 39, tem um sinal em forma de lótus sobre o seio direito, gosta de sexo tântrico...
– Ex-esposa? – atalhou Gil Grisso.
– Sim, a partir do momento em que o Tozé quinou. Um óptimo partido, se me perguntares... – suspirou Agostinho.
Gil já não ouviu este último detalhe, pois dirigiu-se à chorosa viúva.
– Carmelinda Vilarinho? Sou Gil Grisso, criminologista reputado e podre de bom. Já deve ter falado com a polícia, mas pode contar-me alguma coisa sobre o seu marido?
– ...ele ficava excitado quando eu lhe punha chantilly no umbigo e lambia...
– Eu referia-me a qualquer coisa relativa à sua morte!
– Ah, isso... Espero que apanhem rapidamente o responsável, ou neste caso, a responsável por este crime horrível...
– A responsável?
– Sim, eu estou desconfiada que o meu marido tinha uma amante. Sabe como é, um homem charmoso, na força da vida, tinha começado agora a fumar charutos pois o médico tinha-o proibido de continuar a fumar cigarros, lindo de morrer com uma vida profissional bem sucedida...
– Lindo?... – Gil franziu o sobrolho, conferindo a foto de Tozé no processo, na qual ele sorria patrocinado não por uma marca de dentífrico, mas por uma marca de mostarda, tal a quantidade de creme que lhe escorria dos lábios.
– Claro, não acha que o Tozé é um homem atraente? Para mais agora, que íamos renovar os nossos votos de casamento, é bastante óbvio que a amante teria razões para o matar.
Encontrem a amante, e terão encontrado a assassina!...
sábado, 20 de setembro de 2008
Para que conste!
Fez há dias um ano que este estabelecimento abriu oficialmente ao público, por obra e graça de duas pessoas, cuja sanidade mental com certeza não andaria nos melhores dias, coisa estranhíssima, pois até são duas pessoas muito equilibradas. Não o foram, de facto, na altura, pois só assim se compreende o facto de me deixarem mandar aqui as minhas postas de pescada… podre… ou isso, ou então quiseram arranjar alguém que se enquadrasse na etiqueta “deixa-lá-postar-aqui-algo-abruptamente-estúpido-que-possa-fazer-frente-à-estupidificante-ideia-de-um-individuo-de-barbas-com-a-mania-de-intelectual-em-cujo-blogue-são-editadas-fotos-enviadas-pelos-frequentadores-do-seu-estaminé” ... também haverá uma terceira hipótese, que foi o facto de na altura do casting só terem aparecido mais estes dois candidatos,
Conversation from Martin Wilson on Vimeo.
Se bem que me subsistissem dúvidas na altura sobre o porquê do convite, depressa me esqueci de tal questão, pois tive a oportunidade de assistir a um casting de mais dois candidatos, os quais também acabaram por ser contratados. Ora apreciai a beleza do número,
Para levantar um bocadinho do véu acerca destes dois, apenas vos digo que o indivíduo esverdeado só há bem pouco tempo se sentiu com maturidade suficiente para postar… isto com a condição de a Tasca lhe servir um copo de leite morninho sempre que ele por aqui passe… quanto à senhora não falo… por questões de preservação da única integridade que ainda me resta, a física… Percebeis?
Parabéns à Tasca, ao Silva, aos seus colaboradores, familiares e amigos, bem como ao vastíssimo público que frequenta este humilde, mas limpinho, estabelecimento!
Servido por XN às 13:02 4 arrotos
Etiquetas: Pataniscas
domingo, 14 de setembro de 2008
CSI:TDS - "Afinal havia outra" - parte I
Entre os vários mitos urbanos induzidos pela música moderna, está aquele que diz que Nova Iorque é a cidade que nunca dorme, olvidando que todas as cidades frenéticas e fervilhantes assim o são.
Esta é uma cidade onde, para muitos cidadãos, o trabalho nocturno é uma regra: do técnico de higienização de ruas a uma empregada de uma loja de chineses, de uma colaboradora do estabelecimento de madame Sissi a um criminologista a trabalhar no turno da noite. Também esta cidade nunca dorme, também este bairro nunca adormece.
A noite estava escura e fria, como compete a uma noite de lua nova, em que o termómetro desce abaixo do habitual. Na parte baixa, da madrugada ao anoitecer, o alcance das brilhantes luzes de néon do estabelecimento de madame Sissi emprestam vida àquele bairro, competindo com um milhão de estrelas fixas no firmamento negro, tão longínquas e minúsculas quando comparadas com José Mourinho ou Cristiano Ronaldo. Na parte alta, o ambiente é outro e a calma aparente pode quebrar-se a qualquer momento, como um copo de três que cai do balcão da Tasca do Silva directamente sobre os frios mosaicos do pavimento.
Um homem sai cambaleante do estabelecimento, com uma mão tacteando o caminho como um invisual e outra agarrada ao peito, sobre o lado esquerdo, crispada, como se tentasse agarrar a vida que se lhe esvai como areia fina de entre os dedos. Parménides Juvenal, morador do bairro, atravessa o passeio despreocupado, depois da sua saída nocturna para levar o lixo ao ecoponto, quando o cambaleante sujeito avança sobre ele. Tenta agarrar-se a Parménides, cravando-lhe as unhas na carne, mas o último sopro de vida esvai-se e o seu corpo cai redondo aos pés do jovem atónito, que sente um ligeiro descontrolo do seu esfíncter e pressente uma pequena mancha acastanhada nos seus boxers.
Em estado de pânico, corre para casa quase à mesma velocidade que o seu pensamento trabalha sobre um sobressalto que lhe inquieta o espírito: todos os segundos podem ser vitais para que o leite morninho, que o aguarda antes de deitar, não arrefeça...
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Imagens da Rota do Linho


Não ponho imagens das cascatas porque ficaram uma coisa muito déjà-vu.
Mas achei graça a esta parede de um dos moinhos.

Servido por EB às 01:18 0 arrotos
Etiquetas: Pingas perfeitas
