... ou para quem viu e não ficou suficientemente elucidado, o que o homem disse resume-se a isto:
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Para quem não viu a entrevista do primeiro-ministro na SIC...
domingo, 4 de janeiro de 2009
THE T-FILES – Encontros Imediatos Do Grau Esquisito (II)
CASA DE PARMÉNIDES (quer dizer, dos pais...)
5ª FEIRA – 10H15
- Tu viste o quê? - perguntou a incrédula mãe, à mesa do pequeno-almoço.
- É verdade, mãe, eu vi um ser de outro planeta!
- Parménides! Se voltas a falar uma maluquice dessas, já não te faço uma bolsa em crochet para o telemóvel. E ai de ti que fales qualquer coisa na rua, que eu ponho-te de castigo e não sais à noite durante um mês. Passa o teu pai a levar o lixo à rua.
- Mas... mas... eu vi, tinha uma luz brilhante verde em volta e tocou-me e tudo, vê como a minha camisola ficou com uma substância viscosa...
- Aquilo é vomitado teu, meu palerma! Ainda por cima estavas perdido de bêbado! O que te deu meu filho? Sabes que não podes beber mais de uma laranjada por semana.
- Este rapaz tem cada uma... – comentou o pai de Parménides, interrompendo por instantes a leitura do jornal.
- Tu já viste isto? O que iria dizer a vizinhança se ele fosse para a rua com histórias deste género? Passava por tolinho, só pode!...
- Bem, vê lá que diz aqui no jornal que nasceu no Entroncamento uma ovelha com duas cabeças e o pastor diz que não tem carneiro nenhum no estábulo, que foi concepção divina...
- Pode muito bem ser, sim senhora! Aquela vaca da vizinha do 4.º esquerdo também apareceu prenha na semana passada e o marido anda emigrado há mais de 3 meses. A concepção divina tem destas coisas... agora cá seres de outro planeta!
Desalentado por não conseguir convencer ninguém do seu encontro imediato, Parménides acabou de comer o seu nestum mel em silêncio e foi até ao Salão Almerindo, “Barba e cabelo do homem moderno-phundado em 1912”, conforme rezava na placa de latão dourado, exclusiva dos membros da Ordem do Barbeiros, e que atestava a sua idoneidade profissional e credibilidade pública em matéria de melenas, marrafas, bigodes e suíças.
E foi enquanto lhe esticavam os 27 fios de sedoso cabelo, alinhado à esquerda, por cima do cocuruto até atingir a orelha direita, que Parménides se descaiu sobre o seu estado de alma, contando, primeiro, sobre o seu peixinho vermelho e segundo, sobre o estranho encontro da noite anterior. Contudo, não foi o fraco código deontológico dos barbeiros que contou ao mundo essa revelação. Insuspeito, entre os clientes que aguardavam no banco corrido de napa a sua vez de sentir a implacável, porém profissional, tesoura do sr. Almerindo, estava um repórter do prestigiado semanário “Dica da Semana”, que titulava no dia seguinte “Há homens verdes no bairro!”.
- Uau, Mulder! – exclamou Scully lendo as letras gordas – Pá de porco com osso só a 2,99 € o quilo!
- Não é bem isso. Temos aqui mais um relato aparentemente infundado de um encontro alienígena. Penso que devemos ir investigar esta situação e falar com este tal de Parménides.
- Não devíamos antes reforçar as equipas de investigação da “Operação Furacão”? Penso que têm tido dificuldades com falta de pessoal na investigação do BPN.
- Scully, em termos de não identificados, continuo a preferir objectos voadores a contas off-shore...
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
O Silva anda zangado
O Silva tem andado com um Stress que não se pode aturar, além de lhe provocar gazes insuportáveis, corre com todos da tasca. Ainda ontem berrava ele, num ataque de fúria:
- QUEM DISSER MAL DO TINTO, É POSTO NA RUA E NÃO ENTRA CÁ MAIS!!!!!
E eu:
- Ó Silva, a pinga anda boa!
sábado, 27 de dezembro de 2008
O sexo no quotidiano de homens e mulheres
Tendo em vista um estudo que espero publicar em breve, compilei já cerca de trezentos mil factos do quotidiano que exemplificam a curiosa diferença de pontos de vista entre homens e mulheres no que respeita a sexo. Mais especificamente, o estudo procura mostrar, através desses diversificados exemplos, de que forma o sexo está sempre presente no quotidiano dos homens, enquanto que para as mulheres ele apenas se revela... digamos... às vezes.
Nesta quadra natalícia, por exemplo, quando uma mulher deseja Boas Festas está a pensar no ritual familiar das prendas em família, no encanto das iluminações coloridas e nas iguarias de uma mesa farta e festiva. Para o homem será uma excelente oportunidade para imaginar algumas zonas do corpo onde, depois do jantar, das prendas e das luzes, as festas possam ser realmente Boas.
No vestuário encontramos um dos maiores desníveis entre os pontos de vista masculino e feminino. Por exemplo, o decote ousado. A ousadia, para a mulher, reside na dificuldade em combinar algumas peças de roupa, tendo em atenção a cor, de maneira que umas se vejam e outras não, e com isso exibir 80 por cento do peito. Para o homem, porém, decote ousado seria aquele que revelasse apenas os restantes 20 por cento, independentemente da roupa usada.
Esta forma de ver as coisas tem evoluído com o passar dos tempos, adaptando-se às novas práticas e às alterações tecnológicas. Uma das situações modernas mais eróticas, para os homens, é arranjar estacionamento nos parques que têm muito movimento. É evidente a similitude que existe entre a conquista sexual do macho e a procura de um lugar livre para estacionar, desde o circular exploratório de busca em ambiente concorrencial até à penetração final do veículo num espaço limitado. Alguns homens, encontrado o espaço livre, chegam mesmo a fazer sucessivos avanços e recuos do veículo, uma manobra de claros contornos explicitamente sexuais.
Imagino que a publicação deste estudo será apreciada por parte dos homens, que confirmarão nele várias ideias que já lhes tinham ocorrido, mas chocará provavelmente as mulheres. Como se sabe, para as mulheres, o principal defeito dos homens é eles estarem sempre a pensar em sexo. Já, para os homens, o principal defeito das mulheres é elas nunca pensarem em sexo.
Embora estas sejam verdades universalmente aceites, eu acho que elas pecam por algum exagero. Não é verdade que um homem esteja sempre a pensar em sexo. Eu, por exemplo, lembro-me perfeitamente que consegui estar cerca de sete minutos sem pensar em sexo numa tarde de domingo de Junho de 1973. Nesse período de tempo, fiquei completamente absorvido a ver na televisão as peripécias de um episódio do Bonanza, enquanto brincava distraidamente com as mamas de uma das empregadas do meu pai. Mas acredito que eu seja apenas a excepção que confirma a regra.
Servido por EB às 17:46 2 arrotos
Etiquetas: Filosóficas e bagaceiras
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
TDS-TV - Emissão experimental?... inaugural?... final?
Chegados que estamos ao final do ano, altura em que a estimada clientela desta Tasca pensou já ter assistido ao que de pior pode acontecer neste cantinho (rectangulozinho… para ser mais exacto), eis que eu próprio decidi agoniá-los ainda mais com a abertura de um canal televisivo.
Senhoras e senhores, meninas e meninos, é com um enorme prazer que lhes apresento a TDS-TV!
Bem sei que estou sujeito a comentários jocosos, género “ai e tal, ainda te falta muito para chegares sequer aos calcanhares da TVI!”, mas de uma coisa não tenho dúvidas – pelo menos tentei!
Para todos um super-hiper-mega-fixe 2009! (espera… a Floribela dava na TVI ou na SIC?)
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
O método mais eficaz para emagrecer
Sempre me fizeram espécie as mil e uma referências a métodos e contra-métodos de emagrecimento, uma coisa que preocupa muita gente, principalmente mulheres que precisam urgentemente de engordar uns quilitos, mas enfim, isso é outro problema. Eu verifiquei que há um método muito simples para obter e manter o peso que se quer, que considero ser, de longe, o mais eficaz e, ainda por cima, o mais simples. Basta comprar uma balança de mostrador digital.
Na realidade, não basta comprá-la. É preciso comprá-la e usá-la. As balanças são uns aparelhos óptimos para medir o peso e é isso mesmo que quem quer emagrecer deve fazer – medir o peso todos os dias de manhã.
Esta prática irá dar um conhecimento total da forma como o nosso corpo se comporta em termos de peso face aos acontecimentos do dia-a-dia. O que comemos ou o que jejuamos, o que caminhamos ou deixamos de caminhar, o que dormimos ou deixamos de dormir, o stress, as gripes, o frio, o calor, tudo isto e muito mais se reflecte no nosso peso. E a balança dá-nos, ao fim de algum tempo, uma informação detalhada sobre isso. Depois é só dosear as coisas em função do peso que se pretende ter.
Nunca mais diga "ai, bolo não, que estou muito gorda!". Em vez disso, diga assim: "hoje de manhã pesava menos 300 gramas que ontem; como dei aquela caminhada extra à tarde que me deve ter retirado mais 600 gramas, e, como o resto do dia foi normal em termos de contribuição para o peso, dá perfeitamente para comer duas fatias de bolo". Quem fala assim não é gago. Nem gordo. Como dizia o outro, é só uma questão de... fazer as contas.
Servido por EB às 12:57 3 arrotos
Etiquetas: Pingas perfeitas
Um conto de Natal
Olá, o meu nome é Parménides Juvenal, moro aqui no bairro e tenho uma história de Natal para contar.
Ontem, como é tradição em época de Natal, depois de tomar o meu nestum ao pequeno almoço, fui com os meus pais à missa do padre Inácio. Quer dizer, na verdade foi a minha mãe que entrou comigo pela mão na igreja, porque o meu pai insiste sempre em ficar lá fora a dar esmola aos pobrezinhos que estão nos degraus da entrada, embora no último ano, a minha mãe se tenha chateado com ele por, ao sair, o ter encontrado na esquina agarrado a uma senhora das que vivem na casa da madame Sissi.
Eu até compreendo o meu pai, pois se já tinha dado toda a esmola que podia, estava a dar algum calor humano à pobre senhora, que estava de mini-saia e top a tiritar de frio, coitadita! Pelos vistos a minha mãe não pensa nas pessoas que, chegado o Inverno, não ganham para comprar roupa mais quente...
Bom... mas estava eu a falar da missa do padre Inácio. Já estávamos quase de saída, quando o padre lançou a pergunta às mais de 10 pessoas que estavam na igreja:
– ... meus irmãos, onde está Deus?
– Ele está nesta igreja – disse o sr. Almerindo da mercearia.
– Sim, muito bem visto, pois esta é a casa Dele. - replicou o padre Inácio.
– Ele está no céu, onde vela por nós – disse a amante do doutor Anacleto.
– Ele está nos nossos corações... - disse uma vozinha lá atrás.
Ora isso deve ser falso, pensei eu, pois venho cá todos os anos e nunca o vi por aqui! Aliás, acho que ele deve ser como o Bin Laden, pois diz-se que ele está em todo o lado, mas muita gente o procura e nunca ninguém sabe onde ele está. Foi aí que me lembrei de um episódio passado há muitos anos que me mostrara onde está Deus. E decidi intervir:
– Eu sei que Deus morava na minha casa-de-banho!
– ??... Ai sim?! E o que te faz pensar nisso? - perguntou o padre Inácio, depois de esperar cerca de dez minutos que a assistência acabasse de rir.
– Porque eu lembro-me, quando era mais novo, tinha para aí os meus trinta anos, muitas vezes ouvia a minha mãe a entrar na casa de banho, e passado uma hora ou assim, ouvia o barulho do meu pai a bater na porta, a torcer-se todo com a mão na braguilha e a gritar “Meu Deus, mas tu nunca mais sais daí?!”
Servido por PJ às 11:58 1 arrotos
Etiquetas: Pataniscas
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
THE T-FILES – Encontros Imediatos do Grau Esquisito (I)
TASCA DO SILVA
4ª FEIRA – 21H30
- Praticamente crescemos os dois juntos...- lamentou-se Parménides Juvenal afogado na sua dor e olhando para o fundo do copo, que repousava vazio no balcão da Tasca. Enquanto quebrava a casca a uns ovos cozidos para servir no dia seguinte, o Silva procurava que aquele jovem de 40 anos tomasse consciência de si.
- Não achas que por hoje já chega?
- Era mais uma gasosa, faz favor! - continuou Parménides sem atender ao que lhe dizia o taberneiro, que para não contrariar o seu cliente, e porque não era do seu feitio prejudicar o negócio, serviu-lhe uma gasosa pela terceira vez, aumentando o estado de alienação na exacta medida do seu desgosto - ...era um grande amigo, sempre disposto a ouvir-me, nunca se negou quando eu tinha de desabafar algum problema, eu sabia que a qualquer hora que precisasse ele estava ali e eu podia contar com ele...nunca pensei que fosse tão duro ver partir assim um amigo! Nem quis ver quando o meu pai o largou na sanita e puxou o autoclismo...
- Como?... - espantou-se o Silva, quase entornando a gasosa no balcão.
- ...pois é, nunca me esquecerei do meu peixinho vermelho...
O Silva rolou os olhos e mirou o relógio do Benfica que, na parede de fino azulejo Viúva Lamego, marcava o imparável caminhar dos ponteiros a caminho das dez.
- Não será melhor eu levar-te a casa?
- Não, mas é melhor eu ir andando, se eu chegar a casa depois das dez é capaz de a minha mãe se chatear e já nem me dá o banhinho antes de deitar...
Massacrado pela perda do ente querido e por 3 gasosas nunca antes tomadas de uma assentada, Parménides saiu para a rua, indo ao encontro da noite fria, que lhe despertou os sentidos do torpor produzido pelo dióxido de carbono da bebida. Num movimento pendular semelhante ao de um limpa-pára-brisas caminhou entre o passeio da esquerda e o da direita, escutando os seus passos no empedrado, agora que todo o bulício do bairro cessara no exterior, transferindo as actividades físicas nocturnas para o interior da casa de madame Sissi.
Parménides ía a meio da Travessa do Berbigão quando, subitamente, após um estrondo seco, os candeeiros da rua se apagaram todos, deixando-o apenas com a fraca companhia da lua, ainda em quarto crescente. O seu pequeno coração começou a palpitar mais intensamente quando foi tomado pela estranha sensação de estar a ser observado, sem saber muito bem de onde. Um arrepio percorreu-lhe a espinha de cima a baixo, logo seguido de um fenómeno idêntico em sentido inverso, pelo que decidiu alargar o passo.
De repente, algo o surpreendeu não conseguindo conter um pequeno grito de medo. À sua frente, em enormes letras vermelhas, estava a palavra “MORTA”! O nó que se lhe formou na boca do estômago acalmou um pouco quando percebeu que se tratava de um cartaz publicitário do Lidl, anunciando “Mortadela a 1,29 €”.
O seu passo foi de novo apressado quando ouviu o som nítido e não distante de lobos uivando à lua cheia, o que era tanto mais estranho quanto a lua estava em crescente e ao fundo da rua só se viam 2 cães vadios. Atalhando pelas traseiras da Tasca, Parménides não reparou no cadáver carbonizado de uma ratazana junto de um poste de alta tensão recentemente instalado, e que exalava um odor de morte. Contudo, não pôde deixar de reparar em algo que, no meio da rua, o fez estacar o passo, estarrecido.
Uma figura estranha, algo retorcida mas ao mesmo tempo de silhueta humanóide, irradiava uma aura em tons de verde, como que um brilho que acompanhava todo o corpo, simultâneamente atraente e repulsivo, e que estendeu um braço na tentativa de estabelecer contacto.
E então, a criatura emitiu som.
Uma voz grave e rouca, com um sotaque que, dir-se-ía numa disparatada comparação, semelhante ao de um emigrante de leste, falou:
- Não ter medo, senhor... - pareceu-lhe ouvir em português.
O cérebro de Parménides perdeu o controlo sobre o seu corpo e a razão cedeu lugar à emoção. O seu coração disparou a ordem, a bexiga aliviou-se e as pernas desataram a correr o mais rápido que podiam, a caminho de casa.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
E porque...
... hoje há uma Tasqueira a celebrar primaveras (ou será invernos?), aqui vai a nossa singela – mas ao mesmo tempo sentida – prenda… Ora desembrulha (ou embrulha… tudo dependendo como interpretas a coisa).
Servido por XN às 03:05 6 arrotos
Etiquetas: Pataniscas
domingo, 9 de novembro de 2008
CSI:TDS - "Afinal havia outra" - parte VI (e última, carago)
Intrigado pela descoberta da conversa entre Tozé e Marineide, Parménides Juvenal decidiu ir até à porta da Tasca do Silva, estabelecimento estável de Chico “Búfalo” Dias, para tentar saber mais sobre o que tinha ouvido o engraxador, pois o que vira não parecia ter sido uma discussão violenta, como este tinha afirmado.
Chico aguardava clientela, enquanto degustava uma mini preta.
- Boa tarde, sr. Dias! – Parménides tratava toda a gente pelo apelido – Sabia que afinal a Sueli não matou o sr. Vilarinho?
- Ai sim? E eu ajudei a polícia a prendê-la porquê? Por causa da música sertaneja que ela trazia em altos berros no telemóvel, foi?...
- Não, ela gostava mesmo dele como afirmou à polícia. Eu ouvi o que ela lhe disse numa gravação vídeo da loja do sr. Xixi...
Parménides desviou-se para dar passagem a um cliente que chegava, o qual tomou o seu lugar no banquinho de engraxador, enquanto “Búfalo” Dias se sentava no apoio frontal aos sapatos. Já sentado, Chico esticou-se para pousar a garrafa de cerveja no chão, e foi então que Parménides lhe viu o fundo das costas, o que o traumatizou bastante. Não porque o rego do engraxador fosse mais peludo que o de um normal trabalhador das obras, mas porque a camisola levantada permitiu ver, nas costas de Chico, uma borboleta tatuada em tons de verde e roxo. Parménides estremeceu ao olhar também para a cabeleira loura do “Búfalo”, não conseguindo parar a tempo o seu discurso:
- ...e ela falava noutra pessoa envolvida, que tem os cabelos louros e uma tatuagem de borboleta nas costas...
Com a velocidade de um relâmpago ou, mais velozmente, com a velocidade com que Luís Filipe Menezes muda de opinião, Parménides apercebeu-se que tinha encontrado o criminoso. Fora de facto um crime passional, embora diferente do que seria de esperar!
Ao mesmo tempo, Chico “Búfalo” Dias apercebeu-se que tinha de dar uma “engraxadela” definitiva naquela personagem, antes que mais alguém soubesse disso.
O engraxador virou-se repentinamente para trás, destilando toda a sua fúria de homem acossado pela revelação dos seus sentimentos, tentando atingir Parménides com a lata de graxa preta, algo que o jovem de 40 anos conseguiu evitar.
- Ó sr. Dias, veja lá que quase me ía aleijando...
- ...sim, foi ciúme... e qual é o problema? Um caso com a lambisgóia da brasileira eu ainda aguentava, afinal, não é fácil assumirmos quem somos neste bairro hipócrita, cheio de gente antiquada, agora... renovar os votos de casamento com aquela pindérica da Carmelinda? Isso não!
Sentindo pela segunda vez nessa semana, um ligeiro descontrolo do seu esfíncter e pressentindo uma pequena mancha acastanhada nos boxers, Parménides largou a correr pela rua abaixo, perseguido pelo engraxador em fúria, que sacou do seu canivete suíço, curiosamente, comprado na loja do sr. Ping Xixi, e que para lá de cortar pão e queijo serrano, tinha ferramentas muito úteis para o esventramento de testemunhas incómodas.
- Tenho duas novidades, uma boa e uma má!
- Deixa-me adivinhar – disse Gil – o iva vai passar a ser pago apenas aquando do recebimento dos clientes e o nosso orçamento foi reduzido para metade!...
- Quase...-lamentou Nico – A má notícia é que Tozé não limpava as unhas muito frequentemente e estavam cheias de...digamos, resíduos. A boa notícia é que, entre eles encontrámos restos da pele, identificados como pertencentes a um tal de Parménides Juvenal, morador do bairro.
- Apanhámos o nosso homem! Rápido, alerta total, vamos cercar o bairro!
Entretanto, nesse mesmo instante, Parménides lutava pela vida, num esforço físico nunca antes atingido, se descontarmos as vezes em que a sua mãe vai ao Jumbo e ele tem de carregar as compras até ao terceiro andar onde mora. Numa espantosa coordenação de movimentos, enquanto corria, pensou, porém em voz alta, com os seus botões:
- ...eu não estou a perceber nada, como é que podia achar aquele senhor atraente?...
Três metros atrás de si, o engraxador ouviu o comentário:
- ...ah, já percebi, tu também és daqueles que acha que um homem não pode sentir atracção por outro homem, se calhar também obedeces à disciplina na votação da lei do casamento homossexual... anda cá, meu choninhas...
Era espuma de raiva o que escorria pelos lábios de Chico Dias enquanto dobrava a esquina na perseguição a Parménides, que num harmonioso movimento de quadris, sem dúvida inspirado na famosa revienga de Cristiano Ronaldo, evitou a banca de frutas do sr. Almerindo, o mesmo não sucedendo com o engraxador, que se foi estatelar numa caixa de tomates maduros.
- Já que gostas tanto, brinca agora com esses... - diria um herói de acção, intrépido e galante como, por exemplo, James Bond. Mas Parménides não disse nada.
Subitamente, entram na rua dez carros de patrulha, com as sirenes de novo imitando José Castelo Branco, respondendo à ordem da central CSI para deterem Parménides Juvenal para interrogatório. O merceeiro entregou Chico Dias às autoridades por assalto à mão armada perpetrado sobre uma caixa de tomates, o que facilitou o trabalho da polícia quando Parménides relatou no interrogatório tudo o que tinha descoberto.
Nessa noite, Parménides Juvenal pôde mais uma vez gozar o conforto do seu lar, sentado aos pés do maple onde sua mãe fazia renda, enquanto ambos viam um concurso na televisão, embora sem lhe prestar grande atenção. Na verdade, o seu imparável cérebro preocupava-se com a viúva de Tozé Vilarinho.
- Finalmente, a Carmelinda pôde ter alguma paz de espírito...
- Meu filho, a verdade vem sempre ao de cima. Foi bom ela saber que o marido não foi morto pela lambisgóia da amante mas sim por um abafador de palhinha psicótico!
Não sabendo bem o que a mãe quereria dizer com isso, Parménides achou por bem interromper os movimentos que fazia com a palhinha no seu copo de leite morninho, não fosse isso torná-lo psicótico...
domingo, 2 de novembro de 2008
O "grande embuste" dos exames
Pela enésima vez na comunicação social, veio o jornal Expresso desta semana, em dois locais, criticar, enquanto medida política, o "grande embuste" do facilitismo dos exames nacionais do 9.º ano de 2008. Nem uma só vez se viu, porém, uma análise séria do fenómeno, quer justificando onde e porquê foram os exames deste ano mais fáceis que os dos anos anteriores, quer discutindo a inadequação do respectivo grau de dificuldade.
Eu experimentei resolver de uma assentada os exames de Matemática de 2005, 2007 e 2008. Dado que os critérios de correcção são muito objectivos, é fácil determinar resultados indiscutíveis. E os resultados que eu obtive foram, respectivamente, 85%, 83% e 95%. Estes resultados confirmam a maior facilidade do exame de 2008? Parece que sim. Mas a diferença observada não é, de maneira alguma, indiciadora de que se passou do 8 para o 80, como as mais calamitosas notícias podem fazer crer ao cidadão inadvertido. Eu pergunto, que dados objectivos como o desta minha experiência foram tidos em consideração para fazer juízos de valor como os que se têm visto na comunicação social?
Por outro lado, é estranho que nunca se discuta se o grau de dificuldade dos exames tem sido adequado (ou inadequado) em relação aos respectivos objectivos e à população alvo. É sempre apresentada a ideia de que os exames fáceis, ao "baixar a fasquia", são catastróficos para a formação do aluno. Esta atitude ignora duas coisas. A primeira, é que muitos professores têm uma inexplicável tendência para não colocar nos testes ou nos exames questões demasiado simples, apenas porque assim os alunos as iriam acertar e isso não lhes acarretaria qualquer mérito. Como se só houvesse mérito em saber as coisas difíceis. A segunda, é que está por fazer uma análise cuidadosa sobre as competências médias do aluno português, considerando questões históricas e culturais da sociedade em Portugal. Será que o aluno médio real é aquilo que se imagina? Ou estará uns 10% mais abaixo?
Espero que não haja pruridos em relação a este último aspecto. Voltando ao lugar-comum da fasquia, é perfeitamente aceite que as marcas nos saltos em altura sejam mais baixas para atletas do sexo feminino, sem que isso represente um anátema inferiorizador das mulheres. Ou será que, em analogia com o título de um dos artigos do Expresso, devemos considerar que a fasquia oficial mais baixa para estas atletas são um grande embuste?
Servido por EB às 17:42 0 arrotos
Etiquetas: Filosóficas e bagaceiras
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Vitela com tomilho
Há pratos que surpreendem pela simplicidade da sua confecção, parcimónia nos ingredientes e riqueza de sabor. Um dos meus preferidos é a vitela com tomilho, que combina o sabor desta erva aromática com o vinho tinto e a cebola cozida. Um clássico.
Cortar carne de vitela em pequenos cubos (eu costumo usar agulha ou chambão).
Marinar a carne durante 2 horas em vinho tinto, tomilho, alho, sal e pimenta.
Num tacho amplo, fritar a vitela num pouco de azeite bem quente durante 4 ou 5 minutos. Adicionar o vinho da marinada e deixar estufar durante 15 minutos em lume médio.
Adicionar cebolas pequenas inteiras ou médias partidas em metades (pelo menos uma cebola média por pessoa) sem as misturar com a carne (as cebolas são colocadas sobre a carne e ficam durante algum tempo a cozer apenas no vapor).
Deixar cozer mais 45 minutos em lume brando. A cebola tem de ficar tenra e completamente embebida no molho.
Servir com arroz cozido ou puré de batata.
sábado, 25 de outubro de 2008
CSI:TDS - "Afinal havia outra" - parte V
Em frente da tasca aglomeravam-se as equipas de reportagem de várias televisões que permitiam que Chico “Búfalo” Dias se vangloriasse da ajuda dada à polícia para a detenção de uma criminosa, bem como lançasse os necessários alertas ao governo para a necessidade de mais apoios ao negócio da engraxadela. Este aparato desagradava ao Silva, porque nem as televisões mostravam a fachada da tasca nem os jornalistas faziam qualquer consumo aos seus pipis, moelas e tinto de estalo.
Na Travessa do Berbigão, esquina com a tasca, fica a loja chinesa de artigos electrónicos do sr. Ping Xixi, que para sua protecção contra as máfias chinesas que por vezes rondam o bairro, tem um câmara de vídeo ligada dia e noite sobre a porta do estabelecimento. Esse facto chamou a atenção de Parménides Juvenal, que motivado pela sua crença na inocência de Marineide, decidiu pedir acesso às filmagens do dia em que ocorrera a discussão entre Tozé e a amante.
No mundo cão em que vivemos, a honestidade e sentido de justiça têm sempre um preço – no caso de Parménides, foram 5 palmilhas de cortiça, uma camisola da selecção e um dragão luminoso que ele teve de comprar, para que o sr. Ping lhe desse acesso às filmagens.
Aninhados na central de vigilância localizada por baixo do balcão, Ping Xixi e Parménides Juvenal assistem às imagens da discussão:
– “Cê é um cafageste, Tozé... cê diz qui gosta dji mim e vai renovar os votos de casamento com sua muiér?... cê mi ama ou não mi ama?”
– “...mas querida, as coisas não podem ser assim... o problema não está em ti, está em mim...”
– “Ocês homens são tudo farinha do mesmo saco, viu? Vive djizendo qui mi ama... eu dei minha vida pra ocê, seu cafageste, dei minha vida todinha, meu coração e minha auma e agora eu mi sinto capaz de tje matar, viu?...”
O sr. Ping trocou olhares com Parménides, que sentiu o sangue gelar-lhe nas veias, sinal de que um leite morninho seria bem vindo, e sinal também de que Marineide podia de facto ter morto Tozé.
– “...eu fui burra mesmo, e pensar qui eu tava preocupada com seu outro caso...”
Outro caso? – interrogou-se Parménides.
Outlo caso? – interrogou-se Ping Xixi – Com mil dlagões flamejantes de labo inflamado! Aquel goldo tinha tlês mulheles?...
– “...cabelos louros e tattoo de borboleta nas costas? Nossa, é tão kitsh qui enjoa...”

(Coragem, este foi o penúltimo...)
sábado, 11 de outubro de 2008
CSI:TDS - "Afinal havia outra" - parte IV
O raiar do dia pintou os céus do bairro de tons alegres e inspiradores para a maioria da população. O Benfica ganhara na véspera, Cátia Vanessa conseguira finalmente desencardir o local da ocorrência com um detergente novo comprado no LIDL e a equipa de investigação do inspector Agostinho tinha apurado que Tozé era proprietário de um andar há 3 anos, tendo-o colocado à venda uma semana antes de morrer. Uma minuciosa inspecção à caixa de correio desse andar, permitiu descobrir, além de alguns vales de desconto para a pizaria do bairro, um envelope de fotos em que Tozé e Marineide Sueli apareciam juntos, em grande intimidade. Provava-se que viviam como amantes e ganhava força a tese de crime passional. Ao mesmo tempo, no laboratório dos CSI chegava o relatório toxicológico de Tozé Vilarinho.
– A nossa vítima morreu de ataque cardíaco, sem qualquer traço de drogas no sangue – disse Catarina Salgueiro lendo a conclusão do exame.
– Devemos concluir que não houve crime? – perguntou Gil Grisso.
– Calma lá! – protestou Nico – Mas eu encontrei junto do corpo um frasco de Coumadin, um anticoagulante usado para evitar a trombose ou recidiva de enfarte de miocárdio. Ora se ele tomava medicação, não deveria aparecer alguma coisa?...
– A não ser... que ele estivesse a tomar um placebo – disse Gil, arqueando a sobrancelha como só ele sabia fazer quando debitava a sua imensa sabedoria, ou quando tentava engatar alguma ucraniana nos bares de solteiros que costumava frequentar – Testaram os comprimidos encontrados?
Feitos os testes ao frasco de Coumadin, descobriu-se, não varfarina sódica cristalina, mas vulgares comprimidos de adoçante, o que, aliado às informações do inspector Agostinho sobre as fotos encontradas no apartamento de Tozé, determinou nova saída da equipa de reacção rápida CSI, com o potente Smart a levar Nico e Catarina de regresso à Tasca do Silva para falar com Marineide Sueli. Seguidos, obviamente, por 5 carros patrulha cujas sirenes, para aqueles de mente mais retorcida, fariam lembrar os gritos de prazer de José Castelo Branco quando experimenta uma nova bicicleta. Sem selim.
A entrada de rompante na Tasca permitiu apanhar a perigosa brasileira enquanto dava os acabamentos numas unhas de gel acabadas de colocar em Cátia Vanessa, cujas pontas dos dedos ficaram a parecer navalhas de um tom vermelho-quente, fogoso como o de qualquer estrela porno. Vasculhando o cacifo de Sueli, foi possível encontrar os verdadeiros comprimidos Coumadin de Tozé, bem como embalagens similares com o adoçante. Detida imediatamente, Marineide foi levada para o carro patrulha, enquanto, chorosa, gritava a sua inocência a toda a população que se juntara na porta da Tasca do Silva em busca de um espectáculo grátis sobre a miséria humana e a degradação moral.
Lá bem atrás da multidão e vendo menos do que um retardatário num concerto de Madonna, estava o incógnito Parménides Juvenal, morador do bairro que soltava uma furtiva lágrima por Marineide, pois sentia no seu coraçãozito que a brasileira não era a responsável pela morte de Tozé. Por um lado, Parménides tinha a tendência para acreditar no que dizem as pessoas de mini saia e meias de renda. Por outro, ela parecia bastante sincera quando gritava que amava Tozé e que nunca lhe faria mal. Poderia ela ter mentido à polícia sobre a discussão que tivera com Tozé?
Ainda se fazem clássicos?
Em termos estritamente musicais, ainda se fazem clássicos na música pop? Ainda se fazem hoje daquelas músicas que têm o tal click que as transformam em coisas eternas?
A resposta é, obviamente, sim. O problema, contudo, é o mesmo de sempre. Como reconhecer um clássico antes que ele se torne clássico? É um bom exercício tentar antever esse futuro distante, imaginando o efeito que o tempo, o acaso e as boas influências das editoras farão a certas músicas de hoje.
O que proponho hoje é uma dessas músicas que têm tudo para serem clássicos. Esta tem tudo no sítio certo. Apenas lhe falta o tempo. No último álbum dos Metallica, publicado há um mês, parece que o que está a dar em termos de popularidade é o The Day That Never Comes. Nada mau! Mas eu aposto noutro cavalo.
Metallica
The Unforgiven III
Death Magnetic, 2008
Warner Bros. Records
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Etiquetas: Fados e guitarradas
domingo, 5 de outubro de 2008
CSI:TDS - "Afinal havia outra" - parte III
Era grande a discussão junto ao posto médico, naquela manhã. A fila para a marcação de consultas já chegava à porta da Tasca do Silva, mas corria o boato que o Dr. Anacleto tinha levado a mulher para um congresso de medicina em Punta Cana e não haveria consultas tão cedo. Outro dos temas em vivo debate naquele “Prós e Contras” de bairro, era sobre quem teria mais razões para matar Tozé Vilarinho – uma amante ou a hipertensão arterial?
Apesar de ser voz corrente que o cardiologista já lhe tinha recomendado mais exercício físico, os 66% de matéria gorda do seu corpo pareciam indicar tanta atenção a este conselho como quando o Silva insiste em dizer “fiado só amanhã” aos clientes da sua tasca. Entre o mulherio ali presente, grande percentagem inclinava-se para a inveja da extrema sensualidade e sex appeal daquele que alguns insistiam em rotular de gordo, badalhoco, suado e pouco agradável ao olfacto. A este último argumento, havia mesmo uma quarentona que vociferava:
- A isso chamam-se feromonas, seus estúpidos! O Tozé era só um pouco descuidado com elas, apenas isso...
Na sede dos CSI, na sala de “Interrogatórios, Questionários e Perguntas Parvas”, Gil Grisso, Catarina Salgueiro e Nico, faziam perguntas a Chico “Búfalo” Dias. Devendo a sua alcunha à marca de pomada para calçado, Chico Dias, bem parecido jovem sub-30, de cabelo loiro e braços tatuados com personagens de BD, tinha ignorado o programa Novas Oportunidades e trabalhava de engraxador à porta da Tasca, sete dias por semana em full time, pelo que era uma testemunha dos acontecimentos que antecediam o apagamento de Tozé.
Ser engraxador é ter uma profissão sensível, tal como a de manicure ou barbeiro. Tem-se acesso a segredos íntimos da clientela, que só o restrito Código Deontológico impede que caiam na vox populi. Assim, Gil Grisso ficou sem perceber, quando questionou Chico Dias sobre possíveis amantes de Tozé Vilarinho, se o engraxador de facto desconhecia a sua existência, ou se o seu sentido deontológico falava mais alto que os sórdidos pormenores a que teria tido acesso.
No entanto, as persuasivas técnicas interrogatórias da equipa CSI (entre as quais se contou o abandono da sala por parte dos criminologistas durante mais de uma hora, deixando a testemunha entregue a si mesma e a um pequeno televisor que passava continuamente compactos dos Morangos com Açúcar) permitiram apurar que naquele mesmo dia, Chico Dias tinha ouvido, na travessa que faz esquina com a Tasca do Silva, e portanto, uma ocorrência do domínio público, uma discussão entre Tozé Vilarinho e Marineide Sueli, escultural mulata brasileira que trabalhava no centro comercial fazendo unhas de gel para as senhoras do bairro e, ocasionalmente, fazia algumas horas na Tasca ajudando Cátia Vanessa no serviço às mesas, quando o trabalho apertava.
Destacando imediatamente uma equipa de investigação rápida para o centro comercial, Gil Grisso enviou o colega Nico no seu potente Smart, interrogar Marineide Sueli e proceder à recolha de cera dos ouvidos para posterior análise de ADN. Nas palavras da brasileira, a discussão havia sido motivada pelo trabalho de unhas que ela tinha feito em Carmelinda Vilarinho, as quais se tinham quebrado na primeira vez que a mulher de Tozé tinha lavado a loiça, sendo que o amantíssimo marido pretendia ser reembolsado, apesar de Marineide explicar que trabalhava a recibos verdes e não podia fazer notas de crédito. Oferecido um desconto em próximos trabalhos, Tozé não tinha aceite e a discussão tinha acontecido. Muito traumatizada por pensarem que seria capaz de matar Tozé, Marineide refugiou-se no “banheiro” a chorar, não sendo possível apurar mais nada. O mistério adensava-se.