quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Gengibre

Se há coisas simples e eficazes na culinária, o gengibre ocupa seguramente um dos primeiros lugares. O gengibre é um rizoma de uma planta originária da Ásia, que tem diversas propriedades químicas e introduz na comida um sabor limonado e um pouco picante. A raiz deve ser usada o mais fresca possível, enquanto a parte interior tem aspecto húmido e cor amarelo-esverdeada, podendo ser ralada, cortada em pequenos pedaços ou aproveitando apenas o sumo. O gengibre seco ou em pó não tem as características do fresco que aqui se destacam.

O gengibre é essencial em pratos que utilizam combinações de especiarias, mas pode ser utilizado na cozinha de muitas outras formas, incluindo em infusões. É muito eficaz em pratos com poucos temperos, especialmente quando combinado com o seu parceiro perfeito, o alho. Isto pode ser verificado em dois pratos simples:

Lombo de porco assado
Fazer furos na carne com uma faca e intruduzir neles dentes de alho. Cobrir com sal e gengibre ralado. Regar com vinho branco e assar no forno virando o lombo diversas vezes.

Salmão no forno
Colocar postas individuais de salmão em pedaços de papel vegetal de uso culinário. Temperar com sal, alho picado, pimenta, gengibre ralado e sumo de laranja. Colocar uma rodela de laranja por cima e embrulhar cada posta de salmão no papel. Embrulhar depois, também individualmente, em folha de alumínio e levar ao forno a 180 graus durante 20 minutos. Servir aproveitando o molho, que é essencial. A combinação do gengibre e da laranja retiram ao salmão o sabor que muitas pessoas acham enjoativo.

Haja Saúde

Tal como ao EB, também a Economia me fascina bastante.
Mas há outras coisas que me fascinam muito mais, tais como a falta de vergonha na cara. E esta tem crescido a olhos vistos, ao contrário da nossa Economia, e sem que os teóricos da treta se atrevam sequer a tentar explicá-la.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

A Economia

Há fenómenos curiosíssimos na Economia. Por exemplo, as actualizações salariais são sempre niveladas pela inflação esperada no próximo ano, coisa que ninguém pode saber qual é, e nunca pela inflação real do ano anterior, que é perfeitamente conhecida. Desconfio que esta prática se deve ao facto de a inflação real ser sempre superior à esperada, mas não tenho a certeza.

Outro conceito interessantíssimo é o PIB, um indicador que, ao que parece, deve estar sempre a aumentar, pois mede a riqueza de um país. Em termos simples, o PIB é a soma da actividade das empresas. Se eu tiver de tratar de um assunto e escrever uma carta, o serviço que me é prestado vale o custo de um mero selo do correio. Mas se eu telefonar, a factura da operadora de telecomunicações será superior. E se eu me deslocar de automóvel para tratar pessoalmente do assunto, o valor do consumo em combustível é substancialmente maior. Quanto mais eu gasto maior é o valor do meu contributo para o PIB nacional. Daqui eu concluo que o país será tanto mais rico quanto mais pobre eu me tornar.

A Economia fascina-me. Ou melhor, fascinam-me os esforços que os economistas fazem para tentar compreender, explicar e intervir na Economia. Fazem-me lembrar médicos falhados, sempre a fazer diagnósticos a um eterno doente que teima em padecer tanto da doença como do tratamento. Baixar a inflação é fácil, mas isso provoca desemprego. Há várias medidas eficazes para acudir ao desemprego, mas aplicá-las gera défice orçamental. Baixar o défice orçamental não é difícil, mas estagna a actividade económica. E por aí fora.

Ao fim de vários anos de observação desta interessante actividade, eu concluí que os fenómenos económicos são tão controláveis como o tempo atmosférico. Chove a cântaros há dois meses consecutivos provocando catastróficas inundações? O governo anuncia medidas radicais para parar a chuva, de entre as quais sobressai a publicação de uma lei que regulamenta a atribuição de subsídios para adquirir impermeáveis. Ao fim de mais um mês continua a chover? Vem o Ministro da Especialidade dizer que isto de medidas políticas leva o seu tempo a fazer efeito. Mas, finalmente, vem o momento em que a chuva dá lugar a dias de radioso sol, provando-se assim que as medidas tomadas acabaram por dar o seu fruto. Irá depois entrar-se num período de seca, mas isso só vai dar a oportunidade aos especialistas para anunciarem novas medidas para corrigirem esse problema.

O meu interesse pelas coisas da Economia iniciou-se há mais de 30 anos, quando Portugal negociou com a Comunidade Económica Europeia condições favoráveis para a penetração do tomate nacional no mercado europeu. Eu fiquei intrigado ao ler sobre a importância da coisa no Diário de Notícias. Portugal lançava-se de forma decisiva no caminho do desenvolvimento. E eu fiquei firmemente esperançado que os tomates cumprissem a sua função, o que, pelos vistos, aconteceu. Hoje estamos, sem dúvida, mais desenvolvidos. É pena que não tenham feito o mesmo com a salsa e as cebolas.

domingo, 27 de janeiro de 2008

Palhaços

Chamar palhaço a alguém é, inegavelmente, coisa depreciativa ou até insultuosa. Ora, sendo o palhaço um ser que procura divertir, de onde vem este valor negativo? Parece que ele deriva das coisas burlescas que o palhaço faz. Aquilo que faz, aquilo que diz, a forma como se veste. Transposta a imagem para a sociedade em geral, palhaço é aquele que faz palhaçadas, ou seja, que diz coisas ridículas e se comporta de forma caricata.

Mas um estudo da Universidade de Sheffield feito com a participação de mais de 250 crianças veio agora mostrar que também a própria imagem do palhaço é negativa. Com efeito, a maioria disse não gostar de palhaços e houve mesmo casos de crianças que afirmaram que os palhaços lhes metiam medo. Na realidade, esta ideia não é nova. Já muita gente antes tinha pensado o mesmo mas achou que não fazia sentido. Era apenas um pressentimento, uma reminiscência da idade infantil, ou talvez uma dúvida que surgia perante alguma reacção hostil observada nos filhos durante uma ida ao circo. Mas agora temos a certeza. Os palhaços estão, definitivamente, out. São politicamente incorrectos.

Obviamente que este estudo é uma machadada no ego dos palhaços, que têm andado convencidos que eram bem-vindos quando, afinal, são detestados. Espero bem que, depois disto, os palhaços tenham o bom-senso de acabar com as palhaçadas. E não me refiro apenas aos profissionais circenses.

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

A 1.ª do ano

“Ó diabo! A época dos caracóis ainda vem longe, donde se conclui que a substância viscosa com a qual a minha língua anda a brincar de lado para lado só pode ser… Errrrrrr…”

Foi assim, desta forma nua e crua (bem crua por sinal) que descobri que me havia constipado. A primeira gripada do ano veio de rompante, a meio da manhã e sem aviso prévio, sob a forma de uma linda e verdejante expectoração, espirros em série e uma boa dose de febre delirante que me fez pensar, vejam só, que o melhor que tinha a fazer era ir para casa e por lá ficar durante a tarde.
Bah…Como se eu fosse rapaz para me deixar ir abaixo com tão-pouco.
Fui para casa, portanto. E é de casa, trajado de pijama e pantufas, que vos escrevo estas singelas linhas, entre um e outro escarro para dentro de uma garrafa de litro e meio que já esteve vazia.

Ainda não tive oportunidade de vos desejar um bom ano novo. Nem vou fazê-lo, até porque se vocês mo tivessem desejado provavelmente eu não estaria aqui todo roto. ”O Trolha hoje está insuportável”, dizem vocês. Insuportável o caralho, digo-vos eu. No espaço de uma semana deixei de fumar, de beber café e a minha ”Maria” também não tem andado muito interessada. Em cima das Nicoretes só me faltava mesmo era o Vibrocil, o Benuron e o Antigripine. Sou uma espécie de farmácia ambulante que conhece gajos que já foram presos com menos droga nos bolsos.

A imensa falta de nicotina e cafeína, o nariz a pingar e os ossos doridos da febre são tudo verdades mas que apenas serviram para gastar algum do vosso tempo até que eu pudesse chegar a algo que muito me conforta no meio de tudo isto: vocês estão a trabalhar e eu não.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Mondegrins

Mondegrim é um neologismo derivado do inglês que designa os erros de percepção das letras das canções. O cantor diz uma coisa mas o ouvinte percebe outra. A língua é uma coisa muito traiçoeira...

O termo é ele próprio um mondegrim e refere-se a um velho poema inglês em que se percebia "And Lady Mondegreen" em vez de "And laid him on the green". O mundo dos mondegrins é fantástico, com inúmeros puzzles insolúveis e paletes de humor disparatado.

Há exemplos que já se tornaram clássicos. Jimi Hendrix em Purple Haze canta 'Scuse me while I kiss the sky ou 'Scuse me while I kiss this guy? E Giuseppe Verdi no seu Rigoletto escreveu La donna è mobile, ou Un automobile? Ou terá sido, como surge aqui, "La donna imobile"?

Em português, temos também alguns exemplos. Toda a gente conhece o Não Sou o Único dos Resistência:

E quando as nuvens partirem
o céu azul ficará
e quando as pernas se abrirem
vais ver o sol brilhará.



Temos depois os casos em que as palavras são transformadas noutras de uma diferente língua, utilizando sons parecidos. Janis Joplim, por exemplo, cantava "Ei, ei, ei, apalpa-me aqui" (Me & Bobby McGee).

Um dos mondegrins mais intrigantes da história da pop encontra-se no Golden Brown dos Stranglers. O texto é elementar, mas a forma como a frase é cantada confunde quem a ouve:

Golden brown texture like sun
Lays me down with my ????????
(Mancheeros? Machine guns?)


Para terminar, um anúncio de uma escola de línguas em que se "traduziu" para palavras inglesas os sons de uma conhecida canção originalmente escrita em língua espanhola. O porco come a relva do quintal e tu és merda de dragão. Vale tudo no mundo dos mondegrins:

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Coxas de frango assadas e arroz de ervas

Primeiro de Janeiro, dia de Ano Novo, a Tasca deslumbra com um dos vinte e quatro caprichos gastronómicos que granjearam ao Silva toda a sua merecida fama. Trata-se de um conjunto de receitas simples e práticas, mas com suficiente impacto na apresentação e sabor verdadeiramente divinal. São pratos que surpreendem positivamente qualquer pessoa e deixam amigos, convidados e clientes com inveja e pena de não terem aquele "dedo" para a cozinha.

Ciente do autêntico serviço público que é este blog, o Silva acedeu a desvendar a receita do capricho servido hoje - coxas de frango assadas e arroz de ervas aromáticas.

Coxas de frango assadas

Aquecer o forno a 180 graus centígrados. Num tabuleiro dispor coxas de frango umas ao lado das outras, mantendo a pele. Barrar as coxas de forma generosa com pesto verde (à venda nos supermercados em frasco). Adicionar alguns dentes de alho descascados mas inteiros. Temperar com malagueta cortada ou outro picante. Dispor por cima alguns tomates pelados enlatados e cobrir com o respectivo molho, de forma que toda a superfície das coxas fique coberta. Salpicar com um pouco de sal (não na quantidade que seria normal, pois o pesto funciona como tempero). Regar com um fio de azeite.

Levar ao forno durante 1 hora e 30 minutos. É fundamental respeitar a temperatura e o tempo. A ideia é que a carne asse lentamente no meio do molho que se forma. Ao fim de meia hora, virar as coxas, fazendo com que fiquem expostas e todo o molho fique por baixo. Vigiar nos últimos minutos para que as coxas não fiquem demasiado queimadas, podendo virar-se de novo se isso tender a acontecer.

A carne assada combina muito bem com os sabores do manjericão (do pesto), do alho e do tomate. Acompanhar com arroz de ervas.

Arroz de ervas aromáticas

Lavar bem em duas ou três águas arroz basmati. Deixar depois o arroz em água fria com sal durante pelo menos uma hora. Entretanto, lavar e secar bem com papel absorvente uns raminhos de salsa e de coentros frescos. Cortar finamente estas ervas aromáticas.

Aquecer num tacho água abundante e sal. Assim que a água ferva, introduzir o arroz e deixar cozer durante 5 minutos em lume forte mexendo sempre. Escoar a água e passar o arroz por um pouco de água morna.

Num tacho, deitar 3 colheres de sopa de água e 3 de óleo. Dispor em seguida camadas alternadas de arroz e da mistura de ervas, mas de forma que as camadas superiores fiquem cada vez mais estreitas, formando um cone. Furar este cone com o cabo de uma colher de pau para que fique um buraco desde o topo do cone até ao fundo do tacho. Regar com mais 3 colheres de óleo.

Colocar um pano de cozinha dobrado sobre o tacho e por cima do pano o testo. Amarrar o pano por cima do testo para que não arda em contacto com o fogão. Aquecer em lume máximo durante 3 ou 4 minutos e depois reduzir para a temperatura mínima. Deixar cozer durante 20 minutos sem levantar o testo.

É normal que se forme uma crosta estaladiça de arroz no fundo do tacho, a qual dá ao prato um sabor e uma textura adicionais. Esta crosta necessita de ser arrancada raspando com uma espátula ou uma colher.

Bom proveito!
E um bom ano de 2008!

Classe média

Enquanto a água jorrava na banheira, fumegante, ele dispunha alinhadamente os sais de banho, o champô, o amaciador de cabelo, o sabonete ácido, o sabonete neutro, o gel de banho e a esponja. Depois preparou as toalhas 100% algodão egípcio, o pente, a escova, o secador de cabelo, três cotonetes, a lima das unhas, o desodorizante, a eau de toilette, o aftershave, o creme mat control e a age rescue face lotion comforting toner, alcohol free. Ali estava também o jornal do dia, a revista semanal, o guia da programação da TV e a novela encetada. Finalmente trouxe o cachimbo, o tabaco, os fósforos e o cinzeiro.

Ligou a estereofonia surround sound 5.1. Introduziu um CD e premiu o botão de play. Soaram os compassos iniciais da sinfonia em sol maior WQ 182/1 de C. Ph. E. Bach. Comutou a luz para as lâmpadas soft tone rosa e acendeu duas velas de glicerina aromatizada. Mediu a temperatura da água. O termómetro indicava cinquenta e quatro graus centígrados. Esfriou para cinquenta e dois. Despiu o roupão. Fez rapidamente seis exercícios de ginástica. Então, entrando na banheira, suicidou-se.

sábado, 29 de dezembro de 2007

As estufas de Almeria

Eu tenho um problema com as malaguetas quando quero preparar coisas como o chetnim de coentros. As que se encontram à venda com mais facilidade são espanholas. O mesmo quer dizer que não prestam. Idêntica dificuldade existe com os tomates, os alhos, as cebolas, os pimentos e mais uma longa série de outros vegetais.

É fácil perceber a razão disto numa visita à região de Almeria. A visão do "deserto de estufas" é impressionante. A foto abaixo abarca, em largura, cerca de 30 quilómetros, mas é apenas uma parte da infindável paisagem de plástico. No meio deste incrível amontoado podemos ver, um pouco à esquerda da zona central, a localidade de El Ejido, que tem actualmente cerca de 75 mil habitantes. E à direita, junto à costa, Roquetas de Mar, com 70 mil. Em termos comparativos, qualquer uma delas mete Castelo Branco ou Guimarães num bolso.

É também impressionante o aproveitamento do espaço. A cadeia de estufas, em alguns sítios, só pára a escassos metros das casas, literalmente asfixiando as povoações mais pequenas. E a montanha vai sendo progressivamente convertida em socalcos.

O termo "deserto de estufas" tem um duplo sentido. Desértico é o efeito interminável de centenas de quilómetros quadrados de ininterrupta alvura plástica. Desértico é também o solo, ou não estivessem perto as desoladas terras de Tabernas, onde foi recriada a paisagem americana em vários filmes western spaghetti.

Em qualquer zona que seja plana, cada estufa alberga preciosos metros quadrados de cascalho arenoso de cor cinzenta prateada. É nele que crescem os vistosos legumes que nos enchem o olho e desconsolam a língua, à força de água deitada a conta-gotas. E, claro, de uns pozinhos misteriosos, mas decerto com qualidade e efeitos devidamente certificados pelas ASAEs nacionais e comunitárias. Uma bosta.

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Chetnim de coentros

O chetnim (ou chatni, ou chutney na grafia inglesa) é um preparado mais ou menos condimentado à base de vegetais ou frutas, usado como entrada ou como acompanhamento. Cada chetnim admite várias variantes, um pouco ao gosto de cada um. O sabor também pode variar aumentando ou diminuindo a quantidade de cada ingrediente.

Durante anos o chetnim de coentros intrigou-me devido à minha dificuldade em "interpretar" o sabor, que é algo imprevisto, e perceber quais os ingredientes que o formavam. Afinal a receita é muito simples e sem segredos ou mistérios.

Misturar num triturador de cozinha, uma cebola, um dente de alho, um pedaço de raiz de gengibre (do tamanho de uma pequena noz), um ramo de coentros (não em excesso), uma malagueta verde, uma colher de café de açúcar, uma colher de café de sal e o sumo de um limão. Depois de bem triturado, acrescentar 75 gramas de coco ralado. Se ficar muito preso, acrescentar um pouco de água. A mistura tem de ficar húmida mas sem que escorra líquido.

Sugiro este chetnim como entrada, barrando-se pequenas tostas ou pão. O grau de picante pode ser adequado às diferentes sensibilidades, retirando-se as sementes da malagueta (para menos picante) ou usando as sementes e acrescentando uma malagueta (para mais picante).

Na Cozinha da Tasca (4)

Não foi fácil a tarefa! Mas deixo-vos o resultado final, no seu "habitat natural", dispensando as palavras! Grandes Tasqueiros! Valeu a pena!



Magnifica "formatura"







Não precisam trazer a "pinga"!
A Tasca tem da boa!
E hoje é dia de bar aberto!
Venham daí!





Que cheirinho!









Onde encontrar coisas destas?!
Fora a Tasca do Silva, penso que... que... aqui

Parabéns Tasqueira-Mor

Parece que a nossa Tasqueira hoje faz anos ... Parabéns da malta!



Ah ... e por isso, hoje temos bar aberto!

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

O intrigante momento do "Zé-das-Acções"...

Ora, então, muito boas noites p'ró pessoal todo! -- bradou forte o "Zé-das-Acções", colocando os dois pés em posição rigorosamente simétrica e como que colados aos ladrilhos da Tasca, enquanto lançava um interrogante olhar descrevendo um ângulo de 120 graus pelos presentes. E ainda os tasqueiros lhe não haviam retribuído a saudação já acrescentava (e sorria): Parece que o pessoal, hoje, está preocupado é com o futuro dos dois maiores Bancos cá do bananal!

Mas nem esperou as reacções para arrematar com a questão sobre a qual vinha cogitando, soltando logo ali todas estas frases soltas, afirmativas e interrogativas:
- Estive a ler o "Correio da Manhã" na Internet e fiquei sem perceber tudo. Mas acho que não vou ficar a perder...
- Então, agora, os agentes privados já dependem do Estado, ehim? Isto é de doidos!- Digam-me cá o que é que o Governo do País tem a ver com o governo do BCP?
- Mas que falta de vergonha política e de respeito pela concorrência!!!
- Então, agora, o Governo abre mão do segredo do seu melhor negócio -- o da Caixa -- para fazer chegar a sua estratégia e know-how a um outro Banco onde só indirectamente tem interesses?!
- Oh, cum escafandro!
- Será que não havia mais ninguém capaz de presidir aos destinos do BCP?
- Ó Silva, não precisas de ficar com olhos esbugalhados; cumpre a tua obrigação e serve aí o pessoal, que quem paga sou eu; é que em 2009 vou receber uma pipa de dividendos dumas acçõeszitas que tenho do BCP!!!

E enquanto, uns após outros, todos beberam o seu copo à conta do virtualmente bafejado pela sorte a quem, desta vez, a imprevisível estratégia política lhe acena, prosseguiu:
- Eh pá, ele há coisas na política que nem ao diabo lembraria!
- Então, ainda se o demissionário não tivesse ido à audiência prévia com o Ministro, eu ainda admitiria que simplesmente o BPI e o Berardo lhe teriam oferecido um ordenado de craque da bola!... Mas não; o homem vai p'ró BCP porque há ali uma estratégia qualquer que eu ainda não consegui perceber!
- Olhem, nem me interessa perceber. O que me interessa é que os melhores clientes da Caixa passem para o BCP, que é para ver se, finalmente, as minhas acçõezitas rendem algum, que é p'ra compensar o marasmo dos últimos anos!!!

Todos beberam e... arrotaram. E as conversas, opiniões e especulações surgiram em catadupa -- cada cabeça sua sentença -- mas nenhum dos tasqueiros deu uma explicação lógica p'rá transferência de Santos Ferreira (solto ou apoiado em Vara) da CGD p'ró BCP. E uns por ali ficaram a arrotar enquanto outros foram arrotando a caminho do vale de mantas; mas todos ficaram magicando sobre que raio de "cambalacho" é que estará por detrás de tais novidades...

Alguns tasqueiros até tentaram associar a coisa à referência que Sócrates fez -- na sua Mensagem de Natal -- em relação à solução, que parece ter na manga, para os 145.000 postos de trabalho que ainda tem que arranjar até ao fim do mandato, se quiser não levar rodas de lírico ou, pior, de Pinóquio...

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Hallelujah

Uma versão fantástica deste clássico de Leonard Cohen. Rufus Wainwright toca e canta. Para mais informações, vale a pena dar uma vista de olhos ao texto da Wikipedia.



Hallelujah

I've heard there was a secret chord
That David played, and it pleased the Lord
But you don't really care for music, do you?
It goes like this the fourth, the fifth
The minor fall, the major lift
The baffled king composing Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

Your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you to a kitchen chair
She broke your throne, and she cut your hair
And from your lips she drew the Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

Mabye I have been here before
I know this room, I've walked this floor
I used to live alone before I knew you
I've seen your flag on the marble arch
Love is not a victory march
It's a cold and it's a broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

There was a time you let me know
What's real and going on below
But now you never show it to me, do you?
And remember when I moved in you?
The holy dark was moving to
And every breath we drew was Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

Maybe there's a god above
And all I ever learned from love
Was how to shoot at someone who outdrew you
And it's not a cry you can hear at night,
It's not somebody who's seen the light
It's cold and it's a broken Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah
Hallelujah, Hallelujah

sábado, 22 de dezembro de 2007

TDS - Vida Selvagem

No outro dia, lá ia eu andando pelos caminhos tortuosos desta selva (há quem lhe chame vida), quando me deparo com este sinal (para quem ainda não tirou o código, atenção, pois estamos a falar de um sinal de perigo):


Como sou ignorante em matéria de bicharada (entre muitas outras), deu-me para fazer um pequeno estudo sobre o dito lagarto.


Consultando a “Wikipedia”, lá podemos ler que “os camaleões são conhecidos pela sua habilidade em trocar de cor conforme o ambiente, por sua língua rápida e alongada, e por seus olhos, que podem ser movidos independentemente um do outro.”

Espera aí, já começo a perceber o porquê do sinal de perigo. Mais, até já me questiono se não deveria haver mais sinais daqueles por aí espalhados, pois realmente aquela espécie tem-se multiplicado desmesuradamente, correndo-se o risco de desaparecerem outras espécies animais, tão necessárias ao nosso equilíbrio. Veja-se do quão letal pode ser o dito animal:

  • Habilidade em trocar de cor: Imaginemos que eu sou um simples e banal lagartixo, franco, amigo do meu amigo, respeitador, honesto e trabalhador (eu disse “imaginemos”, ok?). Como um lagarto simples que sou, qualquer pessoa, perdão, qualquer lagarto, é meu amigo e merecedor do meu respeito. Acontece que entretanto conheço um camaleão e com ele troco impressões sobre um determinado assunto, chegando à conclusão que ambos partilhamos dos mesmos princípios e que, acima de tudo, somos lagartos com princípios!
    Como é que eu fico mais tarde, quando, em conversa com outro lagarto, o mesmo me diz que o tal lagarto com quem eu tinha falado antes, de uma forma franca e aberta, era um vira-casacas sem princípios!?
    E como é que eu fico, quando, mais tarde ainda, descubro que o tal lagarto que me falou do outro lagarto, é ele próprio um “cafageste”?

(ups … enganei-me … selva ainda vá que não vá … agora pântanos!?)
  • Língua rápida e alongada: Ora bem, língua rápida até pode ser uma virtude, mas agora alongada? … tipo … língua comprida??? … daquelas que estão sempre prontas para acabar com a nossa pacata vidinha? Não, obrigado!

  • Olhos que podem ser movidos independentemente um do outro: Mas estamos a falar de quê??? … daquelas pessoas, como dizia o outro, que conseguem olhar para a câmara um e para a câmara dois ao mesmo tempo? Não, obrigado, eu gosto mais daquela história dos “olhos nos olhos”, daqueles olhares sem segundas intenções!

(ups … enganei-me outra vez … foi sem intenção!)

Mal por mal, prefiro as víboras - são o que são e ou se gosta ou não!

Quanto ao dito animal, objecto da minha investigação, apenas vos digo (com muita tranquilidade): LAGARTO, LAGARTO!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

A Formação Profissional na Tasca do Silva