quinta-feira, 30 de abril de 2009

Um debate para lamentar

Assisti hoje a uma aula de Economia com alunos dos 11.º e 12.º anos (ensino secundário). Os alunos estavam divididos em três grupos e cada grupo tinha trabalhado na aula anterior num problema da área económica. A aula a que eu assisti consistiu numa recriação de um debate e votação na Assembleia da República. Cada grupo apresentava o seu problema e as respectivas propostas de medidas para as solucionar; os grupos restantes tinham depois uns minutos para formular perguntas ao grupo expositor; ao fim de algum tempo de debate, seguia-se a votação.

O que mais me impressionou foi o registo crítico adoptado pelos grupos que tinham de fazer as perguntas. Todas elas tiveram em mente levantar obstáculos, denegrir as ideias e desconfiar das propostas apresentadas. No entanto, a maior parte dessas propostas continham ideias muito correctas. Corolário desta forma de ver as coisas: três problemas, três debates, três votações desfavoráveis, três conjuntos de soluções rejeitadas.

A páginas tantas, eu já me via a assistir a um debate parlamentar em S. Bento. A única diferença era que, aqui, os alunos tratavam-se por tu e não por vossa excelência.

No fim, fiquei a pensar sobre todo este espírito negativista e conflituoso de debater os problemas. Será que os garotos têm aprendido os vícios dos senhores deputados? Ou será que os senhores deputados é que ainda não perderam os defeitos da garotada?

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O ciclo zoológico das enfermidades

Em 1999 as vacas andavam loucas.
Em 2005 as aves tinham gripe.
Finalmente em 2009 chegou a vez dos porcos.
Quem se seguirá?
Eu aposto nas sardinhas, lá para 2014.

sábado, 25 de abril de 2009

24 – Operação Moelas



- ...e é com todo o gosto que anuncio a tomada de decisão unânime do comité local do nosso partido, na prossecução dos nossos ideais de progresso para o nosso bairro, de luta contra a oposição que nada mais faz do que denegrir o nosso trabalho através de uma campanha negra, torpe e soez, de ataque a princípios éticos que nos devem orientar a todos. É contra essas figuras mesquinhas e rasteiras que, meus camaradas, tenho o prazer de anunciar a recandidatura de um homem que está aqui para servir a política e não para se servir dela. Dr. Aníbal Silva, a presidente da junta!...
A sala da sede local do PITA (Partido Independente Totalmente Apartidário) rompeu numa onda de aplausos que ecoaram como um tsunami de legitimação política à recandidatura do actual presidente da junta de freguesia, totalmente inesperada face às últimas sondagens na barbearia do Almerindo.

* * *

Na Tasca do Silva o momento era de apreensão enquanto o próprio telefonava para a esquadra local.
- Tele-esquadra bom dia, fala a agente Marta, em que podemos ajudar?
- Oiçam, fala o Silva da tasca, têm de mandar cá alguém com urgência, pá! Fui assaltado por uns manguelas, deram-me uma pancada...
- Muito bem. Vamos então tomar conta da ocorrência, queira fornecer-me o seu número de cartão do cidadão, por favor.
- Cartão do cidadão?? Mas eu ainda não tenho isso, pá! Preciso que me mandem aqui uma brigada...
- Se não tem cartão do cidadão o preenchimento da queixa irá ser mais demorado, sr. Silva. Queira dizer-me o seu número de contribuinte, por favor.
- ... mas vocês estão a mangar comigo ou quê? Estou a dizer que fui assaltado por três tipos, que me deram uma pancada...
- O sr. Silva acalme-se, não está a colaborar nem a facilitar a nossa tarefa. Vamos lá, não tem à mão o seu número de contribuinte, sabe ao menos o nome dos indivíduos que diz que o agrediram?

* * *

12.30H, na sede do PITA:
- Tô, Silva? Então esses ossos? Ouve, tenho de ser rápido porque tenho o telemóvel a ficar sem bateria. Amanhã, ao meio dia, o dr. Aníbal Silva vai anunciar a recandidatura à junta numa mega patuscada e decidimos que tem de ser na tua tasca..quê? Foste assaltado e tens aí a polícia?... Sempre na brincadeira este Silva, mas quem é que ainda não foi assaltado neste bairro, pá?! Mas isso agora vai acabar com a candidatura do Aníbal, a segurança é uma das suas prioridades... Pá, cala-te lá um bocadinho. Ouve, tem de ser aí, sabes bem que os teus pipis e moelas te trazem mais clientes do que os jogos da SportTV, pá, são famosos até ao Algarve, portanto não há melhor ex-líbris do bairro do que as tuas moelas... hehehe... tuas é como quem diz... mas a receita é tua, e em termos de imagem política temos de apoiar o que é nosso, a imprensa tem andado um bocado hostil, sabes como é... Portanto, não te esqueças, capricha nisso, amanhã ao meio dia, patuscada para 20 pessoas, imprensa incluída. A gente depois faz contas, ó Silva...

* * *

Três horas depois, chegava à tasca o inspector Agostinho, responsável pela ocorrência e, coincidentemente, o único agente disponível na esquadra, que estava com falta de pessoal, dado todos os agentes estarem ocupados com a segurança de um carregamento de Magalhães que iriam ser distribuídos nas escolas do concelho.
Rapidamente, o taberneiro contou como tinha sido assaltado nessa manhã, após ter levado uma pancada que o deitou por terra, ou melhor, pelos mosaicos da tasca. Estranhamente, apenas tinha dado pela falta do boião de rebuçados do dr. Bayard que estava normalmente em cima do balcão, e pelo arrombamento do cofre onde guardava o caixa do dia e outras preciosidades. O dinheiro estava lá todo, mas tinha desaparecido a famosa receita, que tantos e tantos clientes lhe granjeara para o estabelecimento e que iria ser o prato principal do beberete do presidente da junta, daí a menos de 24 horas – as moelas à Silva!
- Epá, cum catano, - o Silva agarrou-se aos poucos cabelos que lhe restavam – o que é que eu vou fazer com esta gente toda amanhã?...
- A única solução que vejo, – disse o inspector Agostinho, guardando o seu bloco de notas na gabardina – dado que existe esta urgência e eu não posso dispensar mais pessoal, é utilizarmos ajuda externa...
- Pensa mesmo que o Obama irá intervir nesta questão, sr. Inspector?
- Estou a falar de ajuda externa às forças da ordem, sr. Silva! Alguém da máxima discrição e confiança, que nos dê garantias de resposta rápida. Um homem que seja capaz de matar dois cajados com o mesmo coelho. E eu penso que temos esse homem aqui mesmo, no bairro...
- Não está a pensar no mesmo que eu?...
- Não estou certamente sr.Silva, até porque o corpo do Brad Pitt apesar de ser bastante sensual e sexy quando suado, estar bem musculado e proporcionado... não me atrai particularmente. Estou a pensar em Jack Bauer!

domingo, 15 de março de 2009

THE T-FILES - Encontros Imediatos do Grau Esquisito (final)


TRASEIRAS DA TASCA DO SILVA
SEGUNDA – 21H55

Tendo recuperado a sua autonomia de saídas nocturnas, Parménides surgiu com o seu saco de lixo e todos os que o aguardavam sustiveram a respiração. Não só pela ansiedade, mas também pelas tripas de peixe vagamente tóxicas contidas na embalagem.
E foi quando Parménides se preparava para largar no contentor aquela arma de destruição maciça sob a forma de saco de lixo, que o brilho verde voltou a surgir por detrás dos caixotes. No silêncio da noite, a luminescência daquele ser anunciava um momento de dimensão intangível, dificilmente contabilizável, mesmo pelos novos normativos internacionais. Silêncio esse, que pouco durou:
- Lá está ele! - ecoou na noite.
- O Parménides falava verdade...- disse outra voz -...é um ET!!!

Em pouco menos de nada, Parménides, o ecoponto e o ser de brilho verde estavam rodeados por uma multidão de habitantes do bairro, que tinha aguardado na penumbra a confirmação daquele momento. Assustado com a cena, a figura balbuciou:
- ...Viktor gostar de...Kristiano Runaldo?...
- Ele disse que gosta do Ronaldo! O gajo é panilhas!... - acusou alguém.
- Vamos-lhe ao focinho. Não queremos panilhas no bairro! - gritou histérica a drag-queen oficial daquela zona, temerosa da concorrência extra-planetária.
- Aaahhh...é um monstro...matem-no!...
- Todos para trás! - a voz firme era de Dana Scully, que, surgindo do nada, se interpôs entre a multidão em fúria e a atónita figura verde, apontando para ele a sua lanterna – É apenas um emigrante clandestino que estava aqui escondido...
- Aaahhh...é um emigrante clandestino...matem-no!...
- Parem imediatamente. - Dana sacou do coldre e elevou acima das cabeças a sua arma, provavelmente descarregada - Este cidadão está sob custódia do CIS e vai ser levado para interrogatório.
- Sim, sim, é um emigrante – desdenhou o Almerindo do salão de barbearia – Eu estive na guerra em Angola e na Guiné e sei bem o que é um emigrante, minha senhora. Nunca lá vi nenhum verde. Então o que é esse brilho à volta dele, hein?
- Este senhor, é Viktor Zarkov, um emigrante ilegal ucraniano e desapareceu quando o SEF se preparava para o deter e repatriar. Descobrimos depois que tinha andado a trabalhar na remodelação das instalações de uma tal madame Sissi, aqui no bairro, onde teve um acidente de trabalho ao montar um anúncio de néon para o estabelecimento. O anúncio quebrou-se, soltando o gás fréon que dava luminescência verde às letras, o que lhe contaminou o corpo, deixando-o com este brilho. Daí para cá, como nunca mais arranjou trabalho e vivia com medo de ser detido, passou a viver escondido de dia e a sair apenas à noite, para arranjar comida.
- Porra, afinal o gajo é um trabalhador, não podemos aviar nele... - lamentou-se um popular – Tem a certeza que ele não é panilhas?

Retornando ao lar, enquanto as suas pernas não cediam às emoções daquela noite, Parménides sentiu de novo um arrepio de frio pela coluna abaixo, ao reparar que, encostada a um canto escuro, uma figura estranha, semelhante a um peluche algo atarracado, irradiava uma aura em tons de verde, como que um brilho que acompanhava todo o corpo, simultâneamente atraente e repulsivo, e que tinha numa das extremidades do corpo, um membro que balouçava em rápidos e incisivos movimentos.
E então, a criatura emitiu som.

De uma voz grave, rouca e não humana, saiu um som arrastado:
- Aaauuu...
O cérebro de Parménides perdeu o controlo sobre o seu corpo e a razão cedeu lugar à emoção. O seu coração disparou a ordem, a bexiga aliviou-se e as pernas desataram a correr o mais rápido que podiam a caminho de casa, deixando para trás aquele cão verde, que trazia na coleira uma placa com os dizeres “Я належу до Віктора Zarkov. Якщо я вважаю, повертається до господаря ”, em português, “Pertenço a Viktor Zarkov. Se me encontrares, devolve-me ao dono”.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O Clube dos Contadores de Histórias

O Clube dos Contadores de Histórias é uma actividade desenvolvida na Escola S/3 Daniel Faria, de Baltar. Todas as semanas é publicada uma pequena história com intuitos pedagógicos, que pode ser recebida em correio electrónico. Esta actividade pode também ser seguida em http://www.prof2000.pt/users/historias/

São histórias simples, mas que nos levam à reflexão sobre valores essenciais da vida humana. A título de exemplo, aqui fica a história da passada semana.

Apenas um rapaz

Era uma vez um rapaz bravio que gostava de pregar partidas e fazer matulices, só por embirração. Era muito antipático este rapaz.
Mas emendou-se. Eu conto como foi.
Um dia, por maldade, deu-lhe na veneta atormentar uma pobre velhota, que vivia numa casinha pobre, à beira do povoado. Foi para uma pedreira que havia perto e pôs-se a atirar pedras e a rebolar pedregulhos, que iam cair no quintal da velhota. Para o que lhe havia de dar!?
No fim do seu feito, já cansado, aproximou-se da casa da velhinha, para ver de perto os resultados da sua proeza. Andava a velhinha a recolher as pedras, espalhadas pelo quintal.
— Foi uma bênção que me caiu do céu — dizia a velhinha. — Precisava, há que tempos, de consertar o muro do quintal, mas não tinha forças para trazer tantas pedras. Se não fosse esta avalanche...
O rapaz ficou de boca aberta. E mais sem fala ficou quando a velhinha lhe propôs:
— Bom rapazinho, importas-te de me ajudar a consertar o muro?
Ele, que tinha de fazer de conta que era um bom rapazinho, não teve outro remédio. Passou o resto do dia a acartar pedras, as pedras que ele lançara do alto do monte.
No fim da tarefa, a velhota agradeceu-lhe o trabalho e deu-lhe um grande boião de mel. O rapaz lá se foi, cansado e a lamber os beiços, um tanto confundido. À noite, quando se deitou, estava cá com uma dor nas costas, que não lhes digo nada! Mas regalado com o mel que a velhinha lhe dera.
Ora pois! Serviu-lhe de emenda. Mudou de intenções. Não posso garantir se, dessa vez em diante, nunca mais pregou partidas. Um diabinho não se transforma de repente num santinho. É exigir demais. Mas, na verdade, deixou-se de brincadeiras tolas.
Sem que possa ser considerado um virtuoso rapazinho, também já não é um venenoso rapazote. Nem rapazinho, nem rapazote. Apenas um rapaz. Nem muito mau, nem muito bom. Como quase toda a gente, aliás.

António Torrado

domingo, 8 de março de 2009

Coisas que não são o que são

As coisas são o que são. Mas há excepções. Há coisas que não são o que nós dizemos que elas são. Não estou a referir-me a ilusões de óptica ou a outros erros de perspectiva. Há coisas que toda a gente vê que são uma coisa, mas diz descaradamente que é outra.

Um dos meus exemplos preferidos são os recibos verdes. Toda a gente fala nos recibos verdes e toda a gente sabe que se trata daqueles recibos de cor verde que os profissionais liberais passam. O senhor doutor, o senhor engenheiro, o senhor arquitecto... todos eles passam recibos verdes. Há quem passe recibos verdes indevidamente, mas isso é outra história.

O recibo verde tem três características fundamentais. A primeira é que se trata de um recibo. A segunda é que é verde. A terceira é que é azul.

O azul é a cor oficial do IRS. Por isso os recibos são azuis. Os verdes, claro.

Uma pesquisa no Google por "recibo verde" nas páginas de Portugal indica que existem cerca de 27.900 páginas com esta expressão. A pesquisa por "recibo azul" encontra apenas cerca de 85. Mais significativo não podia ser. Os recibos azuis praticamente não existem, apesar de diariamente serem passados centenas deles. Por sua vez, os recibos verdes vêem-se por todo o lado, apesar de não existirem.

Através deste exemplo podemos compreender que, se as coisas são o que são, há coisas que não são o que nós dizemos que elas são. Provavelmente o leitor estará neste momento a perceber finalmente alguns mistérios relacionados com justiça, liberdade, democracia, futebol, televisão, jornais, emprego, sexo, educação, clima, preços, comércio, religião, arte, viagens, saúde, leis, hábitos, instituições, electrodomésticos e coisas assim.

Cascata e laranjal

Aqui, acabei por não mostrar as cascatas. Há dias voltei lá. Desta vez achei que esta imagem merecia ser postada.


Já agora, o laranjal:

sábado, 28 de fevereiro de 2009

THE T-FILES – Encontros Imediatos Do Grau Esquisito (IV)

ALGURES NO BAIRRO
SÁBADO – 21H29

Nessa mesma noite, e receando que o desgosto que ainda consumia o seu filho pela perda do animal de estimação o levasse a cometer loucuras como chegar a casa depois da dez da noite, a mãe de Parménides acompanhou-o na sua saída nocturna para levar o lixo ao ecoponto, nas traseiras da Tasca.

Secretamente, Parménides ansiava por encontrar de novo aquele ser luminescente como forma de restabelecer a confiança da sua mãe na sua palavra, embora também soubesse que tal encontro imediato elevava as probabilidades do terminal do seu aparelho urinário deixar de vedar. A separação do lixo decorreu sem novidades, a não ser que o contentor amarelo estava cheio já não levando a última lata de conserva, que ficou do lado de fora. A noite estava fria e a respiração provocava pequenas nuvens de vapor à saída do nariz.
A rua estava deserta... mas nada aconteceu.

Parménides e sua mãe já dobravam a esquina no regresso quando um barulho metálico violento os fez olhar instintivamente para trás. E ficou provado que o jovem não mentira. Um vulto de luminescência verde tinha tropeçado na lata de sardinhas de conserva junto ao ecoponto amarelo, indo embater de cabeça no pilhão adjacente, derrubando-o, e soltando uma interjeição imperceptível, qualquer coisa como “não-sei-quê-dassss”!

Assustado por perceber que tinha sido descoberto, o vulto fugiu de vista, coxeando entre os caixotes de papelão que atravancavam o passeio, fruto da nova remessa de presuntos serranos que o Silva encomendara para o seu estabelecimento.
- Meu filho, eu devia ter acreditado nos teus olhos!
- Mas já não é preciso, mãe! - disse Parménides, contente por ter provado a sua razão e pelo comportamento meritório do seu aparelho urinário – Temos outro tipo de provas.

E dito isto, apontou para a câmara de vigilância instalada pelo Silva. Escusado será dizer que, em agradecimento pela remoção do psicótico engraxador da frente da loja, o Silva lhe facultou as gravações de vídeo daquela noite a título gratuito, o que constituiu uma liberalidade não declarada para efeitos de imposto do selo.

Como forma de repor a integralidade da honra do seu filho, que nunca fora grande coisa desde que fora apanhado completamente vestido no balneário das colegas do preparatório enquanto estas tomavam banho, a mãe de Parménides forneceu as imagens ao jornalista da “Dica da Semana”, que na edição seguinte titulava “Homem verde destrói reciclagem – uma contradição ecológica?”. A tiragem foi insuficiente para a procura e em menos tempo que leva Marcelo Rebelo de Sousa a ler um livro, todo o bairro soube da história.

E nessa noite, em todos os cantos escuros da rua das traseiras da tasca, em todas as zonas de penumbra, em todas as sombras de candeeiros, estava alguém aguardando a chegada de Parménides Juvenal, do seu lixo e dos homens verdes.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Um doce tormento

Uma das melodias mais bonitas que eu conheço foi escrita pelo compositor Claudio Monteverdi (1567-1643). É também uma belíssima canção sobre o clássico amor não correspondido. Andam por aí várias versões, mas eu gosto particularmente desta:



Si dolce è 'l tormento
Ch'in seno mi sta,
Ch'io vivo contento
Per cruda beltà.
Nel ciel di bellezza
S'accreschi fierezza
Et manchi pietà:
Che sempre qual scoglio
All'onda d'orgoglio
Mia fede sarà.

La speme fallace
Rivolgam' il piè.
Diletto ne pace
Non scendano a me.
E l'empia ch'adoro
Mi nieghi ristoro
Di buona mercè:
Tra doglia infinita,
Tra speme tradita
Vivrà la mia fè.

Per foco e per gelo
Riposo non hò.
Nel porto del Cielo
Riposo haverò.
Se colpo mortale
Con rigido strale
Il cor m'impiagò,
Cangiando mia sorte
Col dardo di morte
Il cor sanerò.

Se fiamma d'amore
Già mai non sentì
Quel riggido core
Ch'il cor mi rapì,
Se nega pietate
La cruda beltate
Che l'alma invaghì:
Ben fia che dolente,
Pentita e languente
Sospirimi un dì.

Claudio Monteverdi
Si dolce è 'l tormento
Accordone com Marco Beasley (voz) - La Bella Noeva
Alpha, 2003

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Salada de tomate

O meu amigo Norberto, Deus o tenha em descanso eterno depois de um trágico acidente que o levou, ainda novo, deste mundo, detestava tomates. Um dia, vítima de uma emboscada na guerra colonial, teve de passar várias horas abrigado do inimigo sem que tivesse quaisquer mantimentos. Ao fim de algum tempo a fome começou a apertar. E como havia ali mesmo ao lado um tomatal, o pelotão, muito naturalmente, atacou os tomates.

Norberto resistiu, pois tomates não era comida que entrasse na sua boca. Mas, ao fim de angustiosas horas de jejum, a fome venceu. E a partir desse dia o meu amigo passou a ver os tomates com outros olhos. Ou melhor, com outra boca. O solanum lycopersicum tinha ganho mais um adepto.

Para quem não gosta de salada de tomate, não é necessário ir à guerra para passar a gostar. Basta experimentar esta receita:

Num escorredor, colocar tomates às rodelas, se possível de diferentes cores e estados de maturação. Acrescentar também alguns tomates-cereja inteiros. Temperar com sal grosso e deixar escorrer durante 20 minutos, mexendo de vez em quando.

Colocar os tomates numa saladeira e polvilhar generosamente com orégãos. Juntar um dente de alho esmagado em puré (usar utensílio próprio ou um raspador), malagueta vermelha cortada finamente, vinagre e azeite. Mexer bem para misturar todos os ingredientes.

Acrescentar pedaços de queijo mozarela (em bola). Servir como entrada ou acompanhamento.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O casamento entre pessoas do mesmo sexo

Debate na TV sobre o casamento dos homossexuais. Vi com muito interesse. À partida, a minha opinião fundamentava-se em 90% de razões a favor e 10% contra. No final do debate, a balança passou para uns meros 60-40. Não que os argumentos a favor do "não" tenham sido bons. A maior parte dos argumentos a favor do "sim" é que foram confrangedores.

A questão, se pensarmos bem, resume-se a duas vertentes: a prática e a simbólica. Se querem discutir o assunto a sério, concentrem-se nestes dois pontos.

Quanto ao aspecto prático, é bom ir logo ao osso da questão. Em termos de direito da propriedade e da família, que interessa que o casamento entre pessoas do mesmo sexo seja uma aberração do ponto de vista conceptual, se isso vai acabar com situações de injustiça e discriminação? Claro que é possível adoptar uma outra solução jurídica que não se chame casamento. Mas aqui entra a vertente simbólica, que tem estado muito arredada da discussão.

Deixem-me propor um par de analogias para se perceber melhor.

Na Matemática, sabemos que uma potência é uma representação simbólica que exprime o valor que se obtém multiplicando a base por si própria o número de vezes que surge em expoente. Sendo assim, é um absurdo escrevermos "cinco elevado a zero", pois zero não pode ser o número de vezes que a base multiplica por si própria. No entanto, "cinco elevado a zero" tem de existir por imperiosa necessidade da lógica matemática (ver explicação ao fundo).

Num plano mais próximo do casamento, toda a gente sabe que uma sociedade é um acordo entre duas ou mais pessoas. No entanto, porque é possível que um sócio detenha 99,9% do capital social ou até venha a adquirir, directa ou indirectamente, todas as quotas dos restantes sócios, o direito societário evoluiu no sentido de permitir a constituição de sociedades comerciais unipessoais, isto é, que apenas têm um sócio. As diferenças entre um comerciante singular e uma sociedade unipessoal não se resumem apenas a uma questão de direitos, mas incluem valores associados à imagem que se atribui no meio empresarial a cada uma destas formas jurídicas.

Nestes dois exemplos, a realidade matemática e a jurídica tiveram de se adaptar, combinando aspectos simbólicos, práticos e lógicos. É esta adaptação que tem de acontecer também no casamento.

Resumindo, as potências de base zero são um absurdo, mas têm de existir. As sociedades com uma só pessoa não são realmente uma sociedade, mas podem ser constituídas como tal. O casamento entre pessoas do mesmo sexo não é bem um casamento, mas é uma inevitabilidade. Por isso, altere-se a lei. E deixem-se de paneleirices.


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Por que tem de existir "cinco elevado a zero"?
Sendo 52 : 52 = 1 (um número a dividir por si próprio é igual a 1)
e 52 : 52 = 12 = 1 (propriedade da divisão de potências com o mesmo expoente)
então 52 : 52 = 50 = 1 (propriedade da divisão de potências com a mesma base).
Em conclusão, qualquer número elevado a zero é igual a 1.

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Adivinha

Hoje, uma coisa simples e ao alcance de qualquer um:

- Qual é a coisa, qual é ela, que tem duas cabeças e apenas um cérebro?

Ok, não queimem os fusíveis a pensar muito em bicharada… desconfio que até já deve haver alguns a pensar nos animais mitológicos… se bem que nem andariam muito longe, isto se estivessem a pensar naqueles que foram inventados para incutir certos medos nas pessoas, fosse pelo que personificavam, fosse pela sua própria figura.

Para acabar com o “suspense”, aqui está a resposta:



E assim aqui ficou a minha mensagem de amor, neste belo dia, também ele mitológico.

Por falar em mensagens de amor, também vos deixo um pequeno trecho da letra de uma música ali dos anos oitenta, letra essa da autoria desse grande jornalista/escritor/professor/humorista, Miguel Esteves Cardoso ("coincidências", dirão alguns agora),

"Não foram poemas nem rosas
Que colheste do meu colo
Foram cardos foram prosas
Arrancados ao meu solo"


P.S. (de "post scriptum", não vá alguém pensar que isto é uma encomenda de algum filiado): Bem sei que – pelo menos a crer no share fornecido pela “TaskTest” – estarão ávidos por mais um episódio da “TDS-TV”, mas, meus queridos amigos, façam o favor de esperar mais uns tempos, pois mais vale um bom programa de televisão de vez em quando, do que uma “televisão de programa” (pelos vistos eleitoral) todos os dias.

sábado, 31 de janeiro de 2009

THE T-FILES – Encontros Imediatos Do Grau Esquisito (III)

CASA DOS PAIS DE PARMÉNIDES
SÁBADO – 9H37

Mulder preparava-se para tocar segunda vez à campainha, quando a porta se entreabriu, revelando uma cabeça coroada de rolos modeladores, cuja cara estava coberta de uma estranha substância dita embelezadora, mas que, na verdade, era algo a meio caminho entre o muco nasal e o revestimento betuminoso para reparação de paredes de alvenaria.

- Bom dia. São os senhores do Jeová? O meu marido ainda não leu os “Caminhos do Senhor” do mês passado...
- Não, minha senhora, nós...
- Vendem aspiradores, não é? Não vale a pena, não estou interessada, o que comprei a semana passada ainda trabalha...
- Agentes Mulder e Scully, – atalhou Dana, acenando o seu cartão de identificação – somos do CIS e...
- Do CIS?! Oh, meu Deus – por momentos a máscara facial branca tornou-se pálida – é por causa daquela garrafa de whisky que eu trouxe da mercearia sem pagar? Eu juro que foi engano, estava só a ver o preço, não sei como é que ela veio parar ao saco das compras, só dei por isso quando cheguei a casa, mas depois quando a quis devolver já o meu marido a tinha gasto toda para assar umas chouriças lá da terra...
- Senhora Juvenal – cortou Mulder – na verdade, estamos aqui para falar com o seu filho Parménides sobre o encontro imediato que ele teve.
- Ah, bom!... Se é só isso, façam o favor de entrar!

Em menos tempo que leva um banco a falir ou uma multinacional a deslocalizar-se, os investigadores tornaram a sala de estar numa sala de interrogatórios, tendo inclusive montado um polígrafo em cima do naperon da televisão, a qual ficava a ganhar uns pontos na decoração, face à galinha de loiça que lá estava antes.
- Sr. Parménides, o senhor acredita em discos voadores?
- Eu? Claro que acredito. Já fui apanhado por um!
Céptica, Scully franziu um sobrolho.
- O sr. está a dizer que já foi raptado por um disco voador?
- Raptado?! Não, estou a dizer que já fui apanhado por um... na praia. Era amarelo e veio a voar até me bater na cabeça... Felizmente a minha mãe estava comigo e deu logo um estalo no miúdo, para aprender a não incomodar as pessoas.

Após três horas de intenso interrogatório, foi decidido fazer a reconstituição do caso, pelo que Mulder, Scully e Parménides foram até à Tasca do Silva, tendo este servido novamente as 3 gasosas ao seu jovem cliente. A ingestão de tamanha dose de dióxido de carbono antes do almoço fez com que, desta vez, o vómito de Parménides durante o percurso errante até às traseiras da tasca tivesse ido parar aos sapatos dos agentes e não à sua camisola.
Foi exactamente no momento em que dobravam a esquina que Parménides o viu. Em plena luz do dia, lá bem ao fundo da rua, um vulto indistinto de aura verde parecia querer esconder-se do mundo, acocorado atrás de uns caixotes de lixo. Mulder e Scully sacaram das suas armas e correram até lá, tentando ser o mais discretos possível, para não assustar o ser que, visto agora mais de perto, parecia estar mais interessado em levantar os caixotes de lixo, tombando-os para dentro de uma enorme boca de metal.

De facto, a percepção daquele ser ia sendo clarificada a cada passo que os investigadores davam na sua direcção, e não deixou de ser surpreendente quando, a dez metros do local, viram o vulto voltar-se para eles, revelando toda a dignidade de um homem da recolha do lixo, envergando um colete verde fluorescente!
- Por mim, isto encerra o caso – disse Scully, olhando para Mulder com ar acusador – Vamos embora!
- Mas isto não prova que não houve aqui um encontro imediato! – argumentou o agente – Eu sei que algures acima de nós, algo ou alguém nos observa.
- Claro!... Aquilo... – Scully apontou para a câmara de vigilância que o Silva tinha mandado instalar sobre a porta das traseiras da sua tasca.
- Não, Scully. Acredito que há forças alienígenas que interagem connosco de maneiras insuspeitas para nós! Será que estamos sozinhos no universo? Claro que não!... Basta atentar em todas as maravilhas que existem por esse mundo fora e que não têm explicação científica! Os desenhos dos campos de milho, as ruínas de Stonehenge, o triângulo das Bermudas, a receita do pastéis de Belém... A verdade está algures!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

"Preposição" ou "predisposição", eis a questão!

Houve tempos em que me convenci que até percebia alguma coisa da língua portuguesa. Porém, com o decorrer dos tempos, chego à conclusão que as minhas notas na disciplina destinada a ensinar aos mortais a língua de Camões, foram pura e simplesmente um lapso por parte de quem mas atribuiu.

Se pensar bem agora, talvez a minha vocação estivesse mais virada para a filosofia, essa bela arte de se pensar o que se quiser, ainda por cima com a agradável sensação de que o meu pensamento poderia vir a fazer doutrina junto de discípulos.

Porque é que eu não pensei nisso antes?

Porque é que eu, em vez de estudar tão importante matéria, limitava-me a fazer extensos resumos em folhas A4, os quais metia entre os livros e depois chapava no teste, porque no fundo o que a professora queria era “palha”?

Ó miséria de vida, porque é que só agora, já na casa dos “entas”, cheguei à conclusão que tudo não passa de filosofias de vidas?

Problemas existenciais todos nós temos, mas agora, no meu caso em particular, penso que tal problema se assume como algo do foro psicológico/existencial, pois todas estas interrogações partiram dum banal “tampo-de-tacho" … É verdade, amigos – um mero, banal, simplório, sebento e quiçá asqueroso “tampo-de-tacho”!

Foi ali que fiquei naquela fronteira da indecisão entre o que vem no dicionário da língua portuguesa, versão Porto-Editora, e o que vem no recém-lançado dicionário da língua “XizéNiesa”.

Onde estava a indecisão? – Precisamente porque eu fiquei a ponderar se aquele instrumento que tampa o recipiente onde se confeccionam as comezainas, estava separado efectivamente do seu cara-metade por um “de” ou por um “do”.

Ora, depois de consultar o mais completo dicionário que existe neste belo país – aquele que nós vamos actualizando todos os dias com as nossas experiências, com as experiências dos outros, com os outros que fazem experiências connosco (muitas vezes no pobre desgraçado que não tem qualquer poder, a não ser o poder ficar calado) – cheguei à brilhante conclusão que existem dois movimentos cognitivos, a saber:

- Aquele cujo conhecimento assenta na ideia de que a experiência da vida e a forma intensa como a vivemos, leva-nos a ficar com os cabelos demasiadamente escassos para cobrir precisamente a carapaça que guarda o nosso disco rígido (e atenção que estou a referir-me aos que os têm mesmo rígidos e inflexíveis) – Estou a falar do “de”;

- Aquele outro em que o pensador é ele próprio o tampo, e que por isso só deixa entrar no tacho (da sua doutrina) propriamente dito, quem ele muito bem entende – Estou a falar do “do” (“do do”?… soa-me a jogador de futebol, mas enfim, não estou aqui propriamente para falar desse submundo, onde supostamente a coisa é mais nebulosa que qualquer manhã londrina).

Foi precisamente aqui que eu cheguei a mais uma brilhante conclusão e disse para mim mesmo “XN, espera lá, tu és um génio. Não é que tu, com a tua sabedoria saloia, conseguiste ver mais para além do que alguma vez viu um Sócrates (não façam analogias estúpidas ó faxabôr), um Platão e quiçá até um brilhante Descartes? … tu conseguiste vislumbrar algo que esses génios do pensamento nunca conseguiram, não obstante se dedicarem quase em exclusivo à arte de pensar!”.

Não sei propriamente se disse aquilo a mim mesmo enquanto dormia, ou se estava efectivamente acordado. Inclusivamente nem sei se alguma vez acordei até hoje de facto, mas sei-o realmente agora que há na verdade outro movimento e que até nem é novo, bem vistas as coisas. Trata-se de um movimento unificador daqueles dois acima referidos, o qual decidiu, após aturadas reuniões mais-ou-menos secretas (aquilo que agora pomposamente se chama de concertação), retirar a preposição substituindo-a por uma simples vogal, decisão bastante trabalhosa, pois bem sabemos a maçada que é esta coisa das fusões. E foi assim, caros companheiros, que nasceu o movimento mais em voga nos últimos tempos, de seu nome “TAMPA-O-TACHO”!

O que difere este novo movimento dos dois existentes anteriormente? – Praticamente nada amigos, praticamente nada! – No fundo, trata-se apenas de uma questão de maior rendimento logístico de pensadores que se dedicavam basicamente ao mesmo e que era o de só deixar entrar no seu tacho, aqueles cujos condimentos não viessem estragar a panelinha!

E foi assim que entrei novamente num estado depressivo, pois afinal eu até nem descobrira uma coisa por aí além, apenas fui mais além na arte de puxar pela cabeça… que me senti predisposto a fazê-lo, portanto!

N.B.: Não faltariam imagens que pudessem reflectir e ao mesmo tempo abrilhantar este meu relatório, mas façam também vocês um exercício com o vosso cérebro e tornem-se também em brilhantes pensadores – Olhem à vossa volta, olhem para quem manda em vós, olhem para quem pensa que manda em vós… e depressa chegarão à conclusão que esses pensadores dos tempos modernos existem aos pontapés (atenção, espero que o termo “pontapés” não vos leve a enveredar pela violência, pois nem é esse o meu intuito e tal nem é necessário amigos, porque sabeis, esses pensadores já são por si só bastante martirizados pela sua própria consciência).

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

K Sufoco!!!!!

Hoje estou ESTOURADA... qualquer dia até preciso de um assistente!!!


Isto de estar todo o dia de pé a lavar copos não é fácil!!!
Sem a cumpincha... tirou o dia para ir cortar as gadanhas;
A levar com as bocas do Laurentino;
O mau humor do Silva... hoje caiu-lhe um pivôt... aquilo é que foi praguejar!!;
O som constante do puxar da escarreta do Sr. Constâncio que insiste em permanecer à porta da tasca a vender a lotaria;
O Juvenal hoje fez greve, ao que sabemos foi-se queixar para a mercearia... (que da última vez o seu leite tinha nata... esquisitices!!!... pera lá!... até pensa que temos coador!! prà próxima vai de "assopradela")... fim de semana à porta sem folga... isto tudo junto... É DOSE!

Sexta-feira à noite...
...sem pachorra para nada... dediquei-me ao descanso do lar... pus-me práqui a ler umas coisas... e gostei do seguinte texto:

"Minha alma calada grita,
Grita aturdida, boquiaberta
sem ao menos ter emitido um som,
um barulho qualquer, nem lamúrio algum!
Pede socorro sem entender porque.
Ensurdecedor é o barulho interno,
repercutindo em todo meu ser,
ribombando em meu corpo vibrando
decibéis insuportáveis ao nervos que trepidantes
ao estímulo do agudo e estridente som,
deflagram a dor escondida, rompendo as paredes finas
da corrente sanguínea em jactos fortes,
pululantes de extrema força, a força da emoção!"

À medida que ia lendo, passaram-me várias imagens pela cabeça. E passo a ilustrar algumas:

ou...
ou...


etc...

Todas elas ilustram um SUFOCO!!!
E isto também para falar que nem todas as pessoas o ilustrariam desta maneira.
Nem tudo o que lemos significa aquilo que julgamos... ou aquilo que ilustramos!!!
E com esta me vou.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Para quem não viu a entrevista do primeiro-ministro na SIC...

... ou para quem viu e não ficou suficientemente elucidado, o que o homem disse resume-se a isto: