Acabado o período a que alguém se lembrou de chamar de férias, eis que regressamos à vidinha do dia-a-dia.
Hoje em dia já não me custa tanto ultrapassar esse tormento que era o “Jet-Job”, pois já se sabe que noutros tempos, os de solteiro, depois de muitas noites que tinham tanto de bem bebidas, como de mal dormidas, a coisa custava a engrenar e era ver-nos a ressacar em pleno trabalho, tipo olhar para a máquina da água ao canto do escritório e imaginar um barril de “Super-Bock” fresquinha, ou então olhar para a colega do lado e imaginá-la em fio dental (e talvez até dizer-lhe “tu és fresca”… espera, já estou a sonhar… naqueles tempos penso que ainda não havia dessas modernices, perdão, “porcalhices”).
Uma das coisas úteis que fiz nas ditas férias, por estranho que possa parecer, foi levar o puto mais velho ao cinema. Sim, leram bem – AO CINEMA!
Agora não é bem cinema… é mais um aglomerado de capoeiras à escolha do freguês… então aquela parte das pipocas e da cola é que acabam com a minha paciência… mas onde foi parar o velho costume de levar uma gaja ao cinema para lhe dar umas trincas?… pipocas?… comei-as vós!… melhor, comei o milhinho em cru… pode ser que rebente nessas entranhas imundas de tudo… e ao mesmo tempo limpas de nada!
Reparei agora que já escrevi “porcalhices” e “imundices”. Nada mais a propósito para introduzir aquilo que eu vi.
Chegados ao dito aglomerado de salas de cinema, depara-se-nos logo uma tarefa árdua e difícil, que é a de escolher os filmes – outra coisa que não existia antigamente, pois limitavamo-nos a ir ver um único filme que estava em exibição uma série de dias seguidos, e por isso já sabíamos para o que íamos. E mesmo que não soubéssemos era igual ao litro, pois basicamente era tudo à base de murros, tiros e facadas… salvo as sessões das quartas-feiras, em que a malta, mesmo no verão, ia munida dum sobretudo… de preferência com um ou dois tamanhos acima do que gastávamos.
Acabei por escolher o “Wall-E”, dada a minha companhia, e em boa altura o fiz, ou nem por isso, dados os problemas existenciais que acabei por acumular aos que já trazia e que são muitos, como sabeis.
“Wall-E”, resumidamente, trata-se da história de um pequeno e simpático robot, cuja missão era a de limpar o planeta Terra depois deste ter sido abandonado à força pelo homem – o mesmo homem que o encheu de tudo quanto era porcaria.
O pequeno robot, que há centenas de anos se limitava a arrumar sucata sozinho, acaba por conhecer uma robot, de seu nome Eve, enviada à terra pelo homem que agora vivia numa enorme nave, Eve essa pela qual o “E” se apaixona e acompanha para tudo quanto é lado, mesmo quando esta regressa à nave que a tinha deixado no nosso planeta.
Por detrás desse grande amor entre dois indivíduos de lata, está uma história mais profunda e abrangente, pois é esse casal de pombinhos que acaba por dar uma visão da vida ao homem, da qual este já não se lembrava, sendo que no fim todos regressam à terra, robots incluídos (eram às manadas e faziam de tudo lá na nave espacial onde a humanidade vivia desde que abandonou a terra… presumo que até limpavam o cuzinho dos bebés, a crer no aspecto arredondado de toda a gente), para supostamente recomeçarem tudo de novo.
“Muito bonito sim senhor”, disse para mim mesmo mal saí da sala. No entanto, mais tarde estive a pensar naquilo e cheguei à seguinte conclusão – “Espera, está tudo errado, logo a começar pela “gaja” por quem se apaixona o “E”… mas ela até se chamava Eve… onde é que eu já vi isto?… Robots?… Mas não foi por causa da nossa ânsia em não fazer um corno, que acabamos por mecanizar tudo, inclusive o nosso pensamento?”.
Senhores da “Pixar”, vós sois de facto muito criativos, disso não restam dúvidas e por isso aqui vos faço uma vénia. Agora não me venham lá com tretas de histórias profundas, porque dessas nós já conhecemos da história passada e da presente, e até já sabemos o final da história. Olhai, se queríeis fazer uma coisa realmente bem feita, pegavam em dois humanos, tipo o Joaquim e a Gertrudes, punham-nos a exterminar todo o homem-máquina que por aí empesta a humanidade e, para abrilhantar a coisa, metiam umas belas cenas de amor e sexo pelo meio …. ISSO É QUE ERA!
Ok, eu sei, sou um sonhador e nada do que eu penso já faz sentido. Por falar em fazer sentido e para dar um tom de humor à coisa sensaborona que escrevi, deixo-vos aquilo que eu considero ser de um humor refinado e em que, aqui sim, se vê a verdadeira utopia a que chegámos nos dias de hoje. Ora saboreiem lá:
Bem, está na hora de mudar o óleo… às azeitonas!













