Desde a publicação desta receita que temos recebido com alguma insistência, por correio electrónico e convencional, inúmeros pedidos de mais fórmulas gastronómicas que utilizem fruta. Também aqui na tasca se verifica desde então um considerável aumento da procura deste tipo de pratos. Assim, respondendo às diversas solicitações, depois do porco com banana aqui fica a receita do porco com ananás.
Refogar cebola em azeite. Fritar depois no refogado pedaços pequenos de porco durante 5 minutos, mexendo de vez em quando. Juntar alho, gengibre ralado, coentros frescos picados, malagueta (opcional, use apenas se quiser o prato muito picante), sal e um pouco de água. Tapar e deixar estufar mais 5 minutos em lume forte.
Esmagar num almofariz um pouco de cominhos e misturar depois os cominhos moídos com pó de caril e natas. Para quatro pessoas, sugere-se uma colher de chá de cominhos e uma colher de sopa de pó de caril, mas as quantidades podem variar de acordo com o gosto pessoal. Adicionar a mistura ao estufado. Deixar cozer em lume brando durante mais 45 minutos.
Juntar então ananás ou abacaxi cortado em pedaços (meio fruto para quatro pessoas). Cozer mais 10 minutos. Servir com arroz basmati cozido.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Porco com ananás
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Gaijas com o pipi à mostra
O Ricardo e a Rita são amigos, têm ambos 8 anos de idade e estiveram a navegar na Internet. Logo a seguir, o pai do Ricardo descobriu acidentalmente a actividade dos miúdos. Pesquisa no Google: "Gaijas com o pipi à mostra".
Este episódio verídico é bem revelador da sociedade em que vivemos, principalmente do péssimo estado a que chegou o ensino em Portugal, minado pelo famigerado eduquês. Aos 8 anos já eu tinha aprendido na escola tudo quando havia para aprender sobre sexualidade. Mestre Alcino, rapaz que aos 14 anos ainda tarimbava na terceira classe, revelou a toda a gente esse fantástico mundo até aí misterioso. Em apenas meia dúzia de lições, os alunos absorveram conceitos fundamentais como minete, broche, colhões ou punheta, envolvendo-se depois em actividades práticas muito significativas.
Isso sim era escola, um local onde se aprendiam coisas úteis e importantes! Essa aprendizagem foi tão relevante, que continua a ser praticamente todo o meu conhecimento sobre sexo, o qual se revelou mais que suficiente ao longo de cinco décadas, se exceptuarmos as duas coisas novas que entretanto surgiram: a SIDA e os direitos da paneleiragem.
A busca por "gaijas com o pipi à mostra" apenas apresenta 3 mil páginas, sendo que a quase totalidade não contém a informação pretendida. O erro ortográfico é decisivo. Corrigindo para "gajas" a coisa sobe logo para umas muito mais significativas e reveladoras 50 mil páginas. No meu tempo, um erro de palmatória destes era impensável. E mais, teriam sido logo ensaiadas de forma criativa múltiplas e dinâmicas variantes, como "miúdas com a racha à vista", "meninas mostrando o grelo" ou "madames exibindo a xoxota".
Hoje as crianças dispõe de melhores professores (antigamente não havia formação contínua obrigatória), dispõem das mais modernas tecnologias, como computadores, Internet e esferográficas (no meu tempo escrevia-se numa ardósia), até já têm aulas de Inglês, mas revelam uma confrangedora insipiência sobre como fazer uso correcto de tudo isso. De facto, com o pipi da Ritinha ali à mão, é preocupante verificar que o Ricardo só andou a perder tempo na Internet.
Servido por EB às 12:49 5 arrotos
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quarta-feira, 7 de maio de 2008
Desgarrada ao XN
nananana
Indignadas ficam
nananana
Marretas esbugalhadas
nananana
Not made in China
Servido por Xi às 21:11 20 arrotos
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quinta-feira, 1 de maio de 2008
Diferenças
Servido por Xi às 09:25 5 arrotos
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quinta-feira, 24 de abril de 2008
O GNR Sherlock
A propósito do macabro achado na barragem de Alqueva amplamente noticiado hoje, vejam só o que disse o brincalhão do porta-voz da GNR:
"Constatou-se que se tratava do cadáver de um homem, sem cabeça, pernas ou braços, e em avançado estado de decomposição. Suspeita-se de homicídio."
Genial! O Grissom ao pé de ti é um aprendiz de feiticeiro.
Servido por JC às 18:44 1 arrotos
Etiquetas: Pataniscas
quarta-feira, 26 de março de 2008
Já todos conhecemos a coerência dos políticos...
quarta-feira, 12 de março de 2008
Uma ida ao supermercado
O post anterior do XN, na parte das belezas locais que tantas vezes são preteridas a favor de destinos duvidosos, lembrou-me a minha ida ao supermercado no passado domingo. O supermercado fica a 7 quilómetros de minha casa. Eu e a "patroa" decidimos fazer um desvio de mais dois ou três quilómetros para aproveitar o sol e visitar pela enésima vez a paisagem local.
O rio da minha terra não é tão bonito como o Tejo, como dizia o poeta. Aqui não se pode ter tudo, mas têm-se algumas pequenas coisas que valem muitos Tejos.
Nesta aldeia não vimos uma única pessoa na rua. Mas depois da curva da estrada, o tanque por debaixo da cameleira era uma tela em movimento.
Um prado, dois cavalos, a serra e uma falha geológica com 500 metros de desnível. Um dos sítios mais bonitos do mundo. São assim as idas ao supermercado por aqui.
Servido por EB às 22:00 11 arrotos
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terça-feira, 11 de março de 2008
Vá para fora cá dentro!
Causa-me uma certa confusão ouvir pessoas falarem de que vão para determinado país tropical, quando muitas dessas pessoas nem sequer conhecem as belezas deste nosso País, nem estão interessadas em conhecer.
Sempre que posso (abundasse o carcanhol), viajo por essas belas terras, que existem desde Trás-os-Montes ao Algarve, principalmente aquelas que tenham associadas às suas lindas paisagens, certas tradições e culturas muito próprias e que as distinguem das demais.
Foi o que fiz no passado mês de Fevereiro, acompanhado da família e de um grupo de amigos (um grande abraço para eles... sois uns bacanos!), quando mais uma vez visitei Loriga (que me desculpem os Loriguenses pelo nome da sua linda Vila aparecer em minúsculas no filme).
Loriga é uma dessas terras. É daqueles sítios em que eu posso ir lá umas cinquenta vezes e nunca me farto, pois além da sua beleza natural e urbanística, tem um povo acolhedor e que faz questão de manter as suas tradições.
Para que possam comprovar aquilo que eu digo, aqui fica um cheirinho do que eu filmei (mal por sinal, dada a minha aselhice natural) e, se gostarem, façam um favor a vocês próprios e passem um dia destes por lá:
- Em primeiro lugar aos Loriguenses, principalmente àqueles que fazem questão de manter as suas tradições (e creiam que naquela noite não deverá ter sido fácil, pois estar desde as três da matina até às tantas, ao frio e ao vento, não é para todos - só para os que fazem as coisas por gosto!);
- À minha esposa Carla, pela paciência que teve para comigo, nomeadamente no tempo em que eu me dediquei quase em exclusivo à montagem deste trabalho, relegando a família para segundo plano;
- Ao meu amigo Carlos Rocha, por me ter ajudado a fazer a montagem do filme;
- A todos os amigos que comigo estiveram em Loriga.
Por último, as minhas desculpas pela qualidade da imagem, mas creiam que, para um principiante na matéria, tornou-se complicado transformar em menos de 100 MB um projecto que tinha no seu início para cima de 1 GB. Se eventualmente sentirem dificuldades em ler as legendas, só têm um remédio - carreguem no pause, que eu não mexo em mais nada... FONIX!
Servido por XN às 11:54 9 arrotos
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sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Equívocos na avaliação dos professores
Sempre houve leis e políticas mal feitas devido à distância intransponível que medeia entre os gabinetes ministeriais e a realidade do país. Mas o processo em curso de introdução de um novo sistema de avaliação de desempenho dos professores dos ensinos básico e secundário é um caso excepcional de incompetência e de ignorância, que fornecerá à História um case study exemplar.
Num programa televisivo na passada segunda-feira, a ministra da educação mostrou que, ao contrário daquilo que os professores dizem, tem uma atitude séria e honesta ao levar por diante uma ideia que considera interessante, correcta e apropriada. Atitudes destas, porém, qualquer adolescente tem, quando reivindica coisas reprováveis e, por isso, entra em conflito com os pais. Ora, no caso da senhora ministra, é fácil saber quem é o pai com anos de experiência responsável e quem é o adolescente idealista que só conhece da vida real aquilo que apenas sonhou.
À distância a coisa surge como um edifício com boa aparência e de linhas regulares. Mas quando nos preparamos para entrar nele verificamos que a porta está apenas pintada e não consiste na tradicional abertura por onde podemos passar. É altura de resolver o problema chamando uma escavadora e abrindo um rombo na parede no sítio onde está a pintura. Uma vez lá dentro, verificamos que as casas de banho têm quarenta metros quadrados, mas nos quartos de dormir mal cabe uma cama de solteiro. Temos seis salas de jantar, mas nenhuma cozinha. E por aí fora, é assim o edifício da avaliação dos professores que foi apresentado ao país. Repleto de erros, fragilidades, impossibilidades, equívocos, indefinições e incongruências, que revelam na perfeição como é que um bom sapateiro toca rabecão.
Dado que a maior parte das questões serão demasiado técnicas, ilustremos com uma de âmbito mais geral: a rubrica B3 da ficha de avaliação, que pretende que se avalie o professor na "utilização de recursos inovadores incluindo as tecnologias de informação e comunicação". Esta formulação encerra algumas dificuldades. A primeira é que só se consegue verificar se o professor utiliza recursos inovadores depois de se definir o que é um recurso inovador. Mas isso não foi feito. Usar um computador, por exemplo, pode ser inovador para um professor que ainda ontem não sabia distinguir um rato de um teclado, mas não será seguramente um recurso inovador para outro professor que já em 1986 dava aulas com uma televisão portátil e um Sinclair programado por si próprio em linguagem Basic.
Um outro exemplo, um fotocopiador será certamente um recurso inovador em muitas escolas do primeiro ciclo que ainda não dispõem desta máquina já tão vulgarizada. Indo um pouco mais longe, em muitas destas “escolas primárias” a falta de recursos é tão gritante, que os pais são convidados a contribuir no início do ano com dinheiro para adquirir umas resmas de papel A4. Será que o Estado, que se preocupa com a utilização de recursos inovadores, considera que o papel, em alguma escolas, é um recurso demasiado tradicional? Ou demasiado inovador?
Veja-se que, relativamente aos exemplos apresentados, o problema seria evitado se a formulação da rubrica avaliativa se preocupasse, não com a utilização dos recursos inovadores, mas sim com a utilização dos recursos disponíveis na escola, um pequeno pormenor que faz uma grande diferença. O professor só tem que se limitar a usar os recursos com que o Estado equipa as escolas, sejam ou não inovadores. Não só esta formulação seria muito mais clara e precisa, como passaria também a avaliar o nível de equipamento das escolas e chamaria a atenção para um facto normalmente omitido. É que, na esmagadora maioria dos casos, se os professores inovaram no uso das "tecnologias de informação e comunicação" nos últimos 20 anos, fizeram-no com computadores seus, nas suas casas, com electricidade, livros e outros recursos pagos por eles e não pela "entidade patronal" que deveria ter suportado esses gastos. Mas isso parece que ninguém está interessado em avaliar.
Continuando com a problemática dos recursos, passemos a um aspecto basilar. Será que para ter avaliação positiva nesta rubrica, um professor, que numa dada disciplina tem obtido bons resultados usando recursos tradicionais, deverá passar a experimentar recursos inovadores de efeito desconhecido? Não sei se estão a perceber. Tal como está formulada a rubrica, um professor que usa apenas quadro preto, papel e lápis será penalizado, seja qual for a disciplina leccionada, mesmo que os seus alunos obtenham aproveitamento brilhante, enquanto que um seu colega terá avaliação positiva só porque dá umas aulas com quadro interactivo, independentemente de se saber se isso contribuiu ou não para uma melhor aprendizagem dos alunos.
E isto leva-nos à questão final. O que está em causa não poderá nunca ser a mera utilização dos recursos ditos "inovadores" mas sim a eficácia dessa utilização. Vejamos um exemplo. Um professor utiliza o tradicional quadro preto para desenhar "tês" esquemáticos na disciplina de Contabilidade ou para mostrar um algoritmo de multiplicação. Outro professor usa um inovador quadro electrónico interactivo mas limita-se a fazer nele exactamente os mesmos rabiscos que o primeiro professor fez no quadro preto. Deverão ser avaliados de forma diferente? O Ministério da Educação diz que sim. E diz que sim aos demais disparates sobre recursos inovadores na rubrica B3 da ficha de avaliação. E diz que sim aos disparates de várias outras rubricas e textos legais. Obviamente que um ministério assim deve reprovar.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
O Sr. Administrador. Quem bate é mesmo, e só, ele!
De vez em quando o Sr. Álvaro Rixa vem fazer-nos uma visita. No seu passo miúdo, olhando para o chão antes de pousar cada pé e prevenindo o deficit de forças, que é visível, com o “subsídio” da sua bengala bem segura na mão direita, vai fazendo a sua caminhada até à Tasca.
Pessoa carismática e de fortes convicções, vida intensa, cargos de poder, mente bem recheada de recordações e emoções, as quais, com orgulho e evidente nostalgia, não perde a oportunidade de relembrar, evidenciando, ao mesmo tempo, o seu jeito de exímio contador estórias. Narrativa viva com retrato bem conseguido dos factos.
O Sr. Álvaro Rixa, conta-nos, foi “Administrador” numa antiga colónia ultramarina portuguesa (ali tudo era longe - diz ele orgulhosamente - veja só que em vez de carro na garagem tinha avião no quintal!).
“Administrador” era, pelo que percebi das longas e interessantes conversas que às vezes temos, o “delegado do poder administrativo” e o “superintendente” para todas as questões públicas, administrativas e judiciais de uma região. Era o que, pode dizer-se, o “Senhor do Poder”, pois nele se centrava todo o poder executivo (administrativo público, tributos, etc) da ordem (segurança, polícia, etc) e o poder judicial (aplicação da lei e suas sanções coercitivas, julgar e aplicar penas, o que por cá chamamos de Juiz, mas com sentença sem julgamento!).
Da sua última visita cá pela tasca, com ar cansado (os anos não perdoam) e voz pausada, contou-nos ele que, “Quando cheguei aquela terra andava todo o preto descontente, toda gente batia no preto. Chamei todos (referia-se a outros representantes de órgãos administrativos, tributários e de segurança) e disse-lhes: a partir de hoje ninguém mais bate em preto, só eu”
E diz, orgulhosamente, que a partir dali tudo correu bem.
Todos os dias, logo de manhã, a primeira coisa que fazia era "dar a pena" aos pretos que no dia anterior tinham sido apanhados a fazer asneira ou de tal acusados. Umas chibatadas ou umas palmatoadas, na quantidade proporcional ao crime, era o melhor, ”não precisava de os mandar para a cadeia, iam de novo para casa para ao pé das mulheres e filhos, contentes, e se ficassem na cadeia tínhamos ainda que os alimentar e, além disso, ficarem presos não lhes fazia “emenda” e causava o descontentamento de todo o outro preto”.
-Ó Sr. Alvaro Rixa e eles aceitavam por bem?
-O sim, sim, todos me agradeciam “Obrigado, Sr. Administrador”. O que queriam era não ficarem presos e saber que ninguém mais iria, pelo que haviam feito, bater neles!
-E todos apanhavam de igual?
-Bem, claro, eu... alguns deles “eram espeeertos”(!!!!)..”Sr. Administrador, eu sou do Benfica” diziam, e traziam até camisolas e coisas do Benfica vestidas, e nem imagina como as mesmas eram disputadas e difíceis de arranjar, vendiam uns aos outros muito caro, e quando não tinham dinheiro que chegasse conseguiam-nas emprestado, que também não era fácil, e assim quando eu chegava: “Sr. Administrador está a ver, eu sou do Benfica”!
Convicções! Destas “estórias” se fez a História e, se calhar... cada um vê os seus actos, ou o seu efeito, como quer, ou conforme as suas motivações e/ou convicções. Das "estórias" de hoje far-se-á a História de amanhã. Conhecer o passado far-nos-á entender melhor o presente e prospectivar o futuro.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Coiso ...
Confesso que as últimas semanas têm sido difíceis para mim, por diversas razões. Por um lado, é a pressão do trabalho e quando isso me acontece é quando eu rendo menos, ou pelo menos tenho essa impressão. Por outro, é o estar constantemente a pensar nas outras dificuldades desta vida:
As financeiras, pois isto de darmos o melhor aos nossos filhos, nos dias de hoje, é uma coisa complicada. E mais complicada se torna ainda quando pensamos o que será isso do “dar o melhor”. Será dar-lhes quase tudo o que eles querem? Será dar-lhes aquilo que nós pensamos que eles querem? Será dar-lhes aquilo que nós pensamos que eles devem querer? Sinceramente não sei. O que eu sei é que existe por aí muita gente, já de idade avançada, que são verdadeiros exemplos de vida e que na sua infância sempre se viram privadas das muitas coisas fúteis, muitas daquelas que hoje nós achamos importantes para os nossos filhos!
As financeiras, pois nós nunca estamos satisfeitos com aquilo que temos. Ora é o carro, ora é a casa, enfim, uma série de futilidades que muitas vezes pouco uso lhes damos, pois a vida é muito curta para podermos usufruir de tudo. Por que será que nós hoje somos assim? – Sinceramente não sei. O que eu sei é que as tais pessoas mais “velhotas” eram e são muito mais felizes com muito menos!
As de relacionamento. Sim, para mim a nossa maior dificuldade prende-se com o facto de não nos conseguirmos relacionar uns com os outros numa posição de igualdade. Penso que, hoje em dia, quando olhamos para alguém raramente o vemos como sendo uma pessoa igual a nós, que tem sentimentos como nós, que pensa como nós, mas que pode perfeitamente ter outros sentimentos e pensamentos que não propriamente os mesmos que os nossos!
As de relacionamento, porque hoje em dia já quase ninguém sabe o significado de amizade. Para mim isso é das maiores tristezas que assolam a minha alma. Eu gosto muito de fazer amigos e de os conservar, mas reconheço que é difícil tal tarefa, reconheço que só de pensar nisso entro quase em paranóia, pois muitas vezes aquilo que nós pensamos como sendo o melhor para manter uma amizade mais não é do que aquilo que nós queremos que a nossa amizade seja. Pior do que isso, para mim, é quando fazemos o melhor pelo nosso amigo e a certa altura, como paga (cá está, muitas vezes, quando ajudamos um amigo, começamos logo a pensar como ele nos vai “pagar”), levamos uma autêntica punhalada nas costas (sim, nas costas, porque hoje, em muitos casos, a amizade foi substituída pela cobardia)!
Conclusão, penso que, como eu, existem hoje muitas pessoas cujo cérebro anda constantemente cheio de “merdúncias”, qual sanita entupida!
(Ok… eu sei que esta foto é nojenta, mas é isso mesmo que eu quero fazer ver – o nojo em que a nossa vida muitas vezes se transforma!)Nem de propósito, um Domingo destes, mais precisamente da parte de tarde, lá estive eu a tirar a crosta dos carros, o tempo lá foi passando e, quando me lembro, eis que tinha uma SANITA para desentupir. É, digamos que foi um Domingo de merda. Lá fui para a casa de banho sem saber muito bem como ia resolver aquilo, sem qualquer ferramenta. Sentei-me ali ao lado a olhar para a sanita, perguntando-lhe em pensamento “ora diz lá minha filha, o que comeste e que te fez mal?”. Como ela não me respondeu, decidi meter a “bicha”da banheira pela sanita abaixo, liguei a água no máximo, de forma a que a pressão pudesse empurrar o que estava a entupi-la. Azar do caraças, a sanita ficou com merda até às orelhas!
Ainda pensei num arame, mas que raio, onde iria arranjar um arame num apartamento? – Desisti da ideia e eis que me vem à cabeça outra luminosa – por que não tentar com aqueles desentupidores utilizados nas bancas de cozinha?
Lá pedi à mulher para ir ao supermercado, a ver se ainda existiam instrumentos daqueles à venda… e não é que havia mesmo? Olhei para o dito artefacto como se ele fosse o Salvador, peguei nele com todo o carinho, meti a mão na sanita, movimentando o desentupidor para cima e para baixo e eis que de repente toda a porcaria se some a uma velocidade estonteante!Tal foi a alegria sentida, que nem sequer me lembrei da mão borrada, muito menos dos salpicos de excrementos que me saltaram para a cara!
Com aquela experiência, veio-me à cabeça o seguinte desabafo: “caraças, gostei da experiência … porque é que os estudiosos da mente nunca se lembraram de criar um desentupidor de merdas existenciais, antes que a nossa vida se torne numa autêntica sanita, a qual acaba por sugar a razão da nossa existência?”
P.S.: Ainda pensei em dar o titulo de “merda” a este post ... de merda, mas isso já seria porcaria a mais, não acham!?
Servido por XN às 02:50 5 arrotos
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Gengibre
Se há coisas simples e eficazes na culinária, o gengibre ocupa seguramente um dos primeiros lugares. O gengibre é um rizoma de uma planta originária da Ásia, que tem diversas propriedades químicas e introduz na comida um sabor limonado e um pouco picante. A raiz deve ser usada o mais fresca possível, enquanto a parte interior tem aspecto húmido e cor amarelo-esverdeada, podendo ser ralada, cortada em pequenos pedaços ou aproveitando apenas o sumo. O gengibre seco ou em pó não tem as características do fresco que aqui se destacam.
O gengibre é essencial em pratos que utilizam combinações de especiarias, mas pode ser utilizado na cozinha de muitas outras formas, incluindo em infusões. É muito eficaz em pratos com poucos temperos, especialmente quando combinado com o seu parceiro perfeito, o alho. Isto pode ser verificado em dois pratos simples:
Lombo de porco assado
Fazer furos na carne com uma faca e intruduzir neles dentes de alho. Cobrir com sal e gengibre ralado. Regar com vinho branco e assar no forno virando o lombo diversas vezes.
Salmão no forno
Colocar postas individuais de salmão em pedaços de papel vegetal de uso culinário. Temperar com sal, alho picado, pimenta, gengibre ralado e sumo de laranja. Colocar uma rodela de laranja por cima e embrulhar cada posta de salmão no papel. Embrulhar depois, também individualmente, em folha de alumínio e levar ao forno a 180 graus durante 20 minutos. Servir aproveitando o molho, que é essencial. A combinação do gengibre e da laranja retiram ao salmão o sabor que muitas pessoas acham enjoativo.
Haja Saúde
Tal como ao EB, também a Economia me fascina bastante.
Mas há outras coisas que me fascinam muito mais, tais como a falta de vergonha na cara. E esta tem crescido a olhos vistos, ao contrário da nossa Economia, e sem que os teóricos da treta se atrevam sequer a tentar explicá-la.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
A Economia
Há fenómenos curiosíssimos na Economia. Por exemplo, as actualizações salariais são sempre niveladas pela inflação esperada no próximo ano, coisa que ninguém pode saber qual é, e nunca pela inflação real do ano anterior, que é perfeitamente conhecida. Desconfio que esta prática se deve ao facto de a inflação real ser sempre superior à esperada, mas não tenho a certeza.
Outro conceito interessantíssimo é o PIB, um indicador que, ao que parece, deve estar sempre a aumentar, pois mede a riqueza de um país. Em termos simples, o PIB é a soma da actividade das empresas. Se eu tiver de tratar de um assunto e escrever uma carta, o serviço que me é prestado vale o custo de um mero selo do correio. Mas se eu telefonar, a factura da operadora de telecomunicações será superior. E se eu me deslocar de automóvel para tratar pessoalmente do assunto, o valor do consumo em combustível é substancialmente maior. Quanto mais eu gasto maior é o valor do meu contributo para o PIB nacional. Daqui eu concluo que o país será tanto mais rico quanto mais pobre eu me tornar.
A Economia fascina-me. Ou melhor, fascinam-me os esforços que os economistas fazem para tentar compreender, explicar e intervir na Economia. Fazem-me lembrar médicos falhados, sempre a fazer diagnósticos a um eterno doente que teima em padecer tanto da doença como do tratamento. Baixar a inflação é fácil, mas isso provoca desemprego. Há várias medidas eficazes para acudir ao desemprego, mas aplicá-las gera défice orçamental. Baixar o défice orçamental não é difícil, mas estagna a actividade económica. E por aí fora.
Ao fim de vários anos de observação desta interessante actividade, eu concluí que os fenómenos económicos são tão controláveis como o tempo atmosférico. Chove a cântaros há dois meses consecutivos provocando catastróficas inundações? O governo anuncia medidas radicais para parar a chuva, de entre as quais sobressai a publicação de uma lei que regulamenta a atribuição de subsídios para adquirir impermeáveis. Ao fim de mais um mês continua a chover? Vem o Ministro da Especialidade dizer que isto de medidas políticas leva o seu tempo a fazer efeito. Mas, finalmente, vem o momento em que a chuva dá lugar a dias de radioso sol, provando-se assim que as medidas tomadas acabaram por dar o seu fruto. Irá depois entrar-se num período de seca, mas isso só vai dar a oportunidade aos especialistas para anunciarem novas medidas para corrigirem esse problema.
O meu interesse pelas coisas da Economia iniciou-se há mais de 30 anos, quando Portugal negociou com a Comunidade Económica Europeia condições favoráveis para a penetração do tomate nacional no mercado europeu. Eu fiquei intrigado ao ler sobre a importância da coisa no Diário de Notícias. Portugal lançava-se de forma decisiva no caminho do desenvolvimento. E eu fiquei firmemente esperançado que os tomates cumprissem a sua função, o que, pelos vistos, aconteceu. Hoje estamos, sem dúvida, mais desenvolvidos. É pena que não tenham feito o mesmo com a salsa e as cebolas.
Servido por EB às 11:10 0 arrotos
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domingo, 27 de janeiro de 2008
Palhaços
Chamar palhaço a alguém é, inegavelmente, coisa depreciativa ou até insultuosa. Ora, sendo o palhaço um ser que procura divertir, de onde vem este valor negativo? Parece que ele deriva das coisas burlescas que o palhaço faz. Aquilo que faz, aquilo que diz, a forma como se veste. Transposta a imagem para a sociedade em geral, palhaço é aquele que faz palhaçadas, ou seja, que diz coisas ridículas e se comporta de forma caricata.
Mas um estudo da Universidade de Sheffield feito com a participação de mais de 250 crianças veio agora mostrar que também a própria imagem do palhaço é negativa. Com efeito, a maioria disse não gostar de palhaços e houve mesmo casos de crianças que afirmaram que os palhaços lhes metiam medo. Na realidade, esta ideia não é nova. Já muita gente antes tinha pensado o mesmo mas achou que não fazia sentido. Era apenas um pressentimento, uma reminiscência da idade infantil, ou talvez uma dúvida que surgia perante alguma reacção hostil observada nos filhos durante uma ida ao circo. Mas agora temos a certeza. Os palhaços estão, definitivamente, out. São politicamente incorrectos.
Obviamente que este estudo é uma machadada no ego dos palhaços, que têm andado convencidos que eram bem-vindos quando, afinal, são detestados. Espero bem que, depois disto, os palhaços tenham o bom-senso de acabar com as palhaçadas. E não me refiro apenas aos profissionais circenses.
Servido por EB às 18:21 1 arrotos
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terça-feira, 15 de janeiro de 2008
A 1.ª do ano
“Ó diabo! A época dos caracóis ainda vem longe, donde se conclui que a substância viscosa com a qual a minha língua anda a brincar de lado para lado só pode ser… Errrrrrr…”
Foi assim, desta forma nua e crua (bem crua por sinal) que descobri que me havia constipado. A primeira gripada do ano veio de rompante, a meio da manhã e sem aviso prévio, sob a forma de uma linda e verdejante expectoração, espirros em série e uma boa dose de febre delirante que me fez pensar, vejam só, que o melhor que tinha a fazer era ir para casa e por lá ficar durante a tarde.
Bah…Como se eu fosse rapaz para me deixar ir abaixo com tão-pouco.
Fui para casa, portanto. E é de casa, trajado de pijama e pantufas, que vos escrevo estas singelas linhas, entre um e outro escarro para dentro de uma garrafa de litro e meio que já esteve vazia.
Ainda não tive oportunidade de vos desejar um bom ano novo. Nem vou fazê-lo, até porque se vocês mo tivessem desejado provavelmente eu não estaria aqui todo roto. ”O Trolha hoje está insuportável”, dizem vocês. Insuportável o caralho, digo-vos eu. No espaço de uma semana deixei de fumar, de beber café e a minha ”Maria” também não tem andado muito interessada. Em cima das Nicoretes só me faltava mesmo era o Vibrocil, o Benuron e o Antigripine. Sou uma espécie de farmácia ambulante que conhece gajos que já foram presos com menos droga nos bolsos.
A imensa falta de nicotina e cafeína, o nariz a pingar e os ossos doridos da febre são tudo verdades mas que apenas serviram para gastar algum do vosso tempo até que eu pudesse chegar a algo que muito me conforta no meio de tudo isto: vocês estão a trabalhar e eu não.

