quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Os "Bês" pelos "Vês"

O Ti Carlos tem uma palavra chave. Parece-me a mim que será a palavra que mais utiliza diariamente. Criatura rude, reformado, pouco ou nada para fazer, passa a vida de tasco em tasco e é de adivinhar a palavra que vai sair quando se encosta ao balcão a cambalear. – “BINHO” – Diz alto e bom som. – “Obrigado” – Penso eu e todos os presentes, alguém mais ouviu outra coisa daquela boca para fora?

Sendo tão corriqueiro, fico sempre a pensar naquilo. O Ti Carlos bebe binho mas, ao almoço, comeu uma bela posta de vacalhau com vatatas ou, eventualmente, uma costeleta de nobilho.

Pois é. Nunca percebi esta troca dos “Bês” pelos “Vês” . É que é tão fácil dizer vinho como binho ou bacalhau e vacalhau.

Vá-se lá saber!!!

terça-feira, 30 de outubro de 2007

O poder da inércia, ou a inércia do poder


Está um gajo a ver o jogo FCP v LEIXÕES SC quando, no intervalo, aparecem dois anúncios seguidinhos que deixam um gajo a pensar.

Ainda pensei em ir para casa no intervalo e aconchegar-me à beira da minha Maria, isto enquanto a coisa ainda funciona sem comprimidos milagrosos.

Mas depois pensei “porra, deixa-me lá ver a segunda parte e emborcar mais umas bejecas, pois enquanto estou aqui parado a ver 22 gajos a jogar à bola (neste caso foram só onze – os do Porto), não penso na crise, nas prestações, nos caloteiros e nas rasteiras que o destino prega à nossa vida (ou será ao contrário?)”.

Afinal, lendo bem nas entrelinhas daqueles dois anúncios, vemos:

1.º - Um gajo que é pago principescamente por um banco (ele e os administradores), para aparecer deitado num colchão, colchão esse que deve ser de algum cliente depenado, pois roupita da cama nem vê-la;

2.º - Provavelmente o mesmo gajo uns anitos mais tarde, deitado na cama (esta com roupita - pudera, não fosse o gajo um príncipe) com a sua Maria, dando-se ao luxo de fazer intervalos nas suas obrigações enquanto macho, isto porque lhe apareceu a meio um compromisso inadiável, prometendo no entanto à Maria que voltava para continuar com as palhaçadas, pois o efeito do remédio milagroso dura que se farta.

Pergunto:

- Quem é que anda a atira-nos areia para os olhos, pois se um gajo não tem possibilidades sequer de economizar, quando as terá para comprar medicamentos que nos levantem a moral, se entretanto aparecem os problemas da próstata, os bicos de papagaio, a osteoporose e, com jeitinho, as doenças de Parkinson ou Alzheimer?

domingo, 28 de outubro de 2007

Factos e gravatas

Uma das maiores aberrações da cultura ocidental é o valor atribuído ao fato e gravata masculinos. Há décadas e décadas que esta monótona forma de vestir é obrigatória em determinadas pessoas, cargos, funções ou momentos. Este facto é tanto mais surpreendente quando se sabe que ele encerra diversos absurdos e contradições. Vejamos alguns:

- O valor atribuído a este tipo de farpela só é válido para homens. As mulheres são livres de se vestir de uma forma completamente variada.

- Esse valor não é atribuído apenas à forma, mas essencialmente à cor e ao padrão de tecido. Se um homem usar fato de padrão largo e gravata berrante fica um palhaço, cómico e ridículo. Se um palhaço usar fato escuro e gravata sóbria transforma-se num político credível.

- Na generalidade dos objectos, a evolução do design e da tecnologia impõem constantemente o seu aperfeiçoamento. Usar automóveis, televisores ou telefones iguais aos que se usavam em 1960 não valoriza ninguém. Usar fato e gravata iguais aos de essa época, sim.

- O respeito por esta norma social contradiz a maior parte dos restantes valores que se querem veicular. Este homem pretende ser jovem, moderno, dinâmico e inovador, mas usa uma vestimenta velha de um século; aquele político diz que vai ser diferente do seu adversário, mas veste-se da mesma maneira que ele. E por aí fora…

Recentemente realizei um pequeno mas significativo estudo. Entrevistei várias pessoas, principalmente funcionários bancários machões e costureiros abichanados. Consultei também alguma bibliografia especializada, como foi o caso da revista Caras. E descobri algumas coisas que não são assim tão evidentes a quem não segue as regras da ditadura fatal (fatial? fatóica? diabo, esqueci-me de estudar este pormenor semântico… Adiante!).

Por exemplo, a imagem pode ser insipidamente repetitiva mas, afinal, há diferenças fundamentais. Uma das mais curiosas reside no nó da gravata. Com efeito, eu descobri que há cerca de seiscentas formas diferentes de fazer nós de gravata. De entre os mais vulgares, temos 10 nós simples, 8 duplos, 4 triplos, 4 pequenos, 6 cruzados, uma trintena de variantes do nó inglês, quase outras tantas do nó francês, etc., etc. Mas a revelação mais surpreendente reside no facto de que o nó pode ser feito de acordo com as características pessoais da pessoa que o usa. E é aqui que verdadeiramente se faz sentir a diferença, pois há uma incrível variedade de nós especiais com significado muito particular. Apenas para ilustrar, vou indicar alguns:

Nó Bre – nó usado por homens que têm a mania da superioridade.

Nó Civo – nó adoptado essencialmente por homens que não têm qualquer tipo de respeito por coisa nenhuma.

Nó Minativo – nó usado por pessoas muito vaidosas, cuja forma se parece com a letra inicial do nome da pessoa que o usa.

Nó Doa – nó muito em voga na classe política, é usado principalmente por gajos ignorantes que se metem a fazer leis que transtornam a vida dos cidadãos.

Nó Velo – nó usado por gajos que andam metidos em grandes embrulhadas.

Nó Nagenário – nó usado por aqueles homens que querem aparentar ser mais velhos do que na realidade são.

Nó Meado – nó usado por pessoas que desempenham cargos para os quais não têm qualquer tipo de competência.

Nó Ticiador – nó usado praticamente só por jornalistas e outros fazedores de opinião.

Da próxima vez que vir um homem de fato e gravata, ignore o que ele diz. Provavelmente é treta. Centre a sua atenção no tipo de nó da gravata que ele usa. Vai ver que é muito mais significativo do que tudo o resto.

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Áh pai, pai, se eu fosse Abel ...!

"AH PAI, PAI... SE EU FOSSE ABEL...!"
Se algum dia, ao passarem pela rua da Tasca ou arredores, ouvirem o desabafo em titulo é porque aconteceu injustiça ou abuso merecedor de "reparo".

Muitos que o ouvem - e até muitos que o dizem - não sabem o porquê daquela frase, que perdura nos tempos como forma de aliviar o agravo que se sente ou de apontar e lamentar a ausência de merecido castigo para alguém.

Hoje, ao passar ali na rua, falava-se da horta do Esquim das Cenouras, da ASAE porque multou a Tasca por ainda não ter a funcionar o sistema do autocontrolo denominado HACCP e ainda, principalmente, de uma reunião da paróquia, com direito a “tickets de combustível”, onde teria sido informado, a propósito de uma contagem de fiéis, que era maluco aquele que “não fosse à missa” nesse dia e não comesse a hóstia igual à do celebrante. Não sei bem o que aquilo queria dizer, mas decerto que se tratava de alguma coisa feia ou de alguma injustiça, porque logo ouvi aquele frase: AH PAI, PAI, SE EU FOSSE ABEL! E isto fez-me recordar, com saudade, o Ti Abel e a origem daquela lendária expressão de revolta e sinónimo de injustiça.

Eu conto-vos:
O Ti Abel era um mouro de trabalho. Homem alto e desenvolto, falava depressa tal como também depressa trabalhava a terra e as suas lidas e como, também depressa, fez 10 filhos! 6 rapazes e 4 raparigas. Colocados em fila formavam uma “escadinha” perfeita.
Há sua volta não havia pausas. Até “levantava pó”!

Os tempos eram difíceis. Criar aquele “time” sem faltar pão não era tarefa fácil. Com muitos sacrifícios e trabalho de todos, a comidinha, no seu essencial, nunca faltou.

Difícil e duro, também, era o dia a dia dos miúdos. Logo que, pelo fim da tarde, a escola – sim, ninguém podia faltar à escola até à 4.ª classe – lhes abria a porta, vinham de correr ajudar no trabalho da terra ou no trato dos animais ou, as mais moças, nas lides domésticas e era vê-las, conforme as forças e a idade de cada uma o permitia, de cântaro à cabeça a “acarretar” água da fonte ou de caminho de lavar a roupa no rio, etc..
Eles, sempre em passo apressado, no carro dos “machos” a comandar aceleradamente a viatura, agarrados à rabiça da charrua que mal lhes chegavam ou montados nos “machos”, em pelo, galopes desenfreados, tipo autênticos “índios americanos” no bom estilo farwest!

Disciplina, rigor, trabalho... qual pelotão de cavalaria. E que ninguém se baldasse! Ti Abel era duro na sua justiça, não perdoava.

Germano era um dos filhos, pela idade aí dos “do meio”. Miúdo rebelde, revoltava-se, indignava-se e enervava-se com as injustiças. Gaguejava um pouco, o que lhe dava alguma graça. Pele escura, pés descalços (ai sapatos! Ou pão ou... sapatos!), calças remendadas no rabo, rôtas nos joelhos, alça caída...

Naquele dia o Germano saiu de casa em passo apressado, não se sabe o que lhe aconteceu, mas decerto que foram ordens do ti Abel para alguma tarefa que entendeu “menos apropriada”. Zangado, barafustava alto, ao mesmo tempo que andava olhava lá para cima, para casa, e, sem se poder conter, bradava repetidamente o seu lamento, a sua “ameaça”, num grito de revolta: AH PAI, PAI, SE EU FOSSE ABEL...!!!

Aquele lamento, de falta de força e de falta de poder para inverter a situação, foi ouvido pela vizinhança que o arrecadou, sentidamente, nas suas memórias e ainda hoje, passadas muitas décadas, quando por cá se ouve, por cá consta ou por cá se testemunha alguma injustiça ou se reclama castigo para qualquer abuso ou ofensa, logo alguém alivia o seu agravo, manifesta a sua revolta ou o seu desprezo exclamando:
AH PAI, PAI, SE EU FOSSE ABEL !!!!

Ah pai, pai, se eu fosse Abel!

sábado, 20 de outubro de 2007

Colheita do dia

O "Esquim das Cenouras" é o "Man da horta" cá do sítio. É que, além de ter uma doença inexplicável em relação à quintarola, que só serve para lhe dar desgostos porque a rapaziada do antigamente já não aparece para ajudar na monda, ainda por cima o clima mudou e, quase em Novembro, continua um calor do catano que até dá para andar de manga curta.

Ele, "Esquim das Cenouras", vai e vem sem que ninguém perceba muito bem quem é, tampouco do que se queixa. Uns dizem que ele não diz nada que dê para entender até porque, de boa fé, gostariam de ajudá-lo na faina, fazê-lo ver que o terreno está gasto e deveria repousar até ter novos substractos, azoto e minerais, ou até deixar de insistir nas cenouras e plantar brócolos e feijão verde que está mais na moda. Outros dizem que ele tem mesmo é mau feitio e só faz o que lhe apetece.

Eu acredito na boa fé dos que quiseram ajudar e na boa fé do "Esquim" e acho que ele é bom rapaz quando está longe da horta, mas já não consegue controlar tantas ervas daninhas a nascerem mais depressa do que o tempo que leva "605 forte" a actuar.

Agora o "Cenouras" tem um problema. A horta está-se a degradar e apareceram "Os gajos do meio ambiente" a dizerem que ou aquilo se põe de acordo com a nova configuração do PDM ou terão que convocar uma assembleia municipal para resolver o problema.

Mais um final de tarde, daqui a pouco cai a noite e o "Esquim" nem uma cenoura apanhou.

As laranjas com canela do Silva

Composição:
-Laranjas, ricas em vitamina C, em fibras e poderoso laxante;
-Açúcar, energizante, combustível de alto rendimento e que potencia um aumento rápido de energia, mais rápido aos 100 que o Fiat do Sr. Toninho destravado ladeira abaixo;
-Canela, coisa que vem do pau e pró pau vai, pelo menos na população masculina, que a feminina é mais fina e fica no nível mais chique do psicológico, mas com iguais efeitos práticos nas práticas.

Ora, isto tudo misturado dá asneira na certa! Tá-se a ver, não tá-se???

Temos de descobrir, pra bem da reputação de cozinheiro do Silva, quem foi o abichanado que andou a comer esta bomba biológica e depois se foi aliviar atrás do dito muro... Pois, vai uma alma distraída com os seus amores e borra as "patas" com merda (já segundo a correcção ortográfica de Edite Estrelado de que os cães não cagam bosta).

Anda por aqui cagão!

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

É urgente comunicar.

“Quando entro na tasca e não vejo a minha “cumpincha”... começo a di... a di... Pergunta o outro, a divagar?... a disparatar?... a distanciar?... Escolham... que se lixe.

Já ouviram falar do Homus Ocupados? Hoje em dia há várias formas de comunicação - Chat, Blog, Orkut, Mail, Telemóvel, MSN, Second Life, Site, Skype, etc..., carta. Carta?!! Este meio está em desuso... dirão.

Pessoalmente adoro cartas... nem que fiquem amareladas e com cheiro a mofo.....pois estas têm voz, os meus olhos conseguem ouvir o seu conteúdo... mesmo com o passar do tempo.

E o telefone fixo? Pois... outro que tem os dias contados.

Actualmente anda meio mundo a falar com outro meio mundo on-line. Mas on-line com o quê? Qual a ligação afectiva que existe com 2 pessoas que teclam no MSN? O Homo Ocupados entrou de vez na era da vida lascada... não que eu seja contra as novas tecnologias... mas cada vez mais comunicamos uns com os outros quase como o Outlook envia aquelas respostas automáticas de férias.

O chat para mim é como me esbarrar com desconhecidos e ouvir apenas ruídos... Dependendo da intensidade, podem-se criar laços... por vezes fortes... inesperados... repúdios...

Orkut é quase um cemitério digital... estão lá mas não estão...

E blog? Muita gente só comenta um texto para dar mimo a um amigo... e morre aí.

O MSN lembra-me o filme O Sexto Sentido.. .com a diferença de que “I see live people every day”... eles estão lá a toda a hora, mas não os podemos tocar...

E second live? Pergunte ao meu avatar... aliás, convide o meu avatar para ir ao seu aniversário... sem comentários... Que tal a tasca? Sexo? Ou um simples “Oi, tá tutti?”

Daqui a pouco... alguém vai ler... podem comentar ou não... e depois voltarão ao seu mundo e continuarão à conversa com os seus dedos. Hoje em dia falta aquela coisa de saber o que o outro vai falar antes dele falar. Falta alma, falta emoção, falta voz nas conversas, falta cumplicidade...
Bem... a minha "cumpincha" virtual ainda não apareceu.... sim com esta consegui criar um laço que não desenlaça... sinto que ficou muita coisa por dizer... mas a minha vida não é só a Tasca..."

Vou para a Ilha.

Conquilhas à Xi

1 saco de conquilhas (por norma, 1 dá para 3 pessoas)
1 tira de toucinho
1 cebola
8 dentes de alho
1 folha de louro
3 tomates maduros
2 malaguetas da Margão
sal q.b.
vinho branco q.b.
salsa q.b.

Colocar as conquilhas num recipiente com água e bastante sal (uma mão cheia), trocar "praí" 3 vezes a água para extrair as areias.

Num tacho colocar os alhos, a cebola partida às rodelas, e o toucinho cortado aos quadrados. Deixar este estalar um pouco. Quando estiver tudo meio alourado põem-se os tomates, o sal, o louro, a salsa e as malaguetas. Prova-se e verifica-se o tempero. Deixar apurar cerca de 15 minutos. Por último pôr a conquilhas. Acrescentar um bocado de água e vinho branco. Deixar cozer cerca de 5 minutos ou até as cascas das conquilhas ficarem abertas.

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Afinal, o que é que comanda a vida? (O sonho não é com certeza!)

O homem do mundo moderno tornou-se dependente de máquinas, as quais cada vez são mais sofisticadas.

Eu não fujo à regra. Ele é a máquina de filmar, o telemóvel, o computador, o GPS, etc., etc., todas aquelas geringonças com funcionalidades que duvido haver alguém com pachorra para explorar na sua totalidade.

Centrando-me agora no GPS, cujas siglas querem dizer “Global Positioning System”, mas que para mim mais não é do que um "Guia Para Senis", passo a contar-vos uma experiência minha com aquele aparelho que se encontra colocado no tablier do meu carro, mesmo ao lado do ecrã de 7” do leitor de DVD, no qual normalmente aproveito para ver os concertos do Tony Carreira enquanto conduzo.

Um belo dia resolvi ir passear para o estrangeiro com a família, mais propriamente a Espanha, para comprar caramelos e eventualmente um pata negra que pudesse estar em promoção.

Como a fronteira mais próxima da minha terreola é a de Chaves, lá pedi à minha mulher para programar o GPS, dado eu não ter pachorra para tal façanha (há quem chame à falta de pachorra outra coisa, nomeadamente falta de inteligência, vá-se lá saber porquê!).

Ainda o sol não tinha nascido, pus então as turbinas do carro a trabalhar e lá seguimos viagem sob o comando duma voz feminina mais-ou-menos simpática (bem podiam arranjar uma voz mais sexy, a ver se um gajo conduzia com outro ânimo, o que iria com certeza reduzir ainda mais os índices de sinistralidade). Lá íamos nós todos contentes a ouvir um dueto do Tony com a gaja do GPS, quando, passados largos quilómetros, me apercebo que o percurso tinha mais curvas do que rectas. Conclusão – Não tinha actualizado o mapa do aparelho e, fiado na maquineta, até me esqueci da existência da A7 e da A24, situação que me atrasou consideravelmente e que fez com que, quando eu cheguei à loja da D.ª Esperanza, já não havia patas negras em promoção!

Pensando bem naquela situação, chego à conclusão que já não somos nós próprios a comandar a nossa vida, uma vez que nos deixamos orientar por uma panóplia de aparelhos (e gente do aparelho), os quais, mais cedo ou mais tarde, vão fazer com que o meu cérebro se torne numa coisa parecida com isto:

NOTA DO AUTOR: Uma vez que ninguém comentou, até à data, o meu último post (o que me entristeceu bastante), ofereço a quem comentar este o seguinte:
- Aos gajos: um GPS tomtom ONE IBÉRICO e um exemplar da revista Gina;
- Às gajas: um leitor DVD AUTO CLATRONIC com dois monitores de 7” e ainda o DVD do concerto do Tony no Pavilhão Atlântico.


ULTIMA HORA: CONFIRA EM "ARROTOS" A DISTRIBUIÇÃO DOS PRÉMIOS!

Ora pôxa!

Enquanto “batiam” uma sueca ali na mesa do canto, Chico Molas e companheiros iam-se divertindo com as suas velhas histórias.

A boa disposição era contagiante e estímulo para mais uma rodada de "americano" lá do garrafão que o Silva tinha bem escondido na despensa.

O Sr. Toninho, que já conheceis, comerciante cá da terra, além da loja, armazéns e escritórios aqui na “nossa rua”, tinha outros negócios de comércio e serviços.

Pelas 9 horas da manhã lá vinha ele no seu Fiat 1100, anos 50, acompanhado pela esposa que na empresa exercia as funções de caixa (ou tesoureira, utilizando expressões mais actuais), enquanto que à entrada dos escritórios já os aguardava toda a equipa de robots, perdão, queria dizer, funcionários.

Homem na casa dos 60, poupado ao extremo. Sabem que o seu pessoal de escritório só tinha direito a nova esferográfica mediante a entrega da finada?! Ele próprio era um perfeito exemplo dessa disciplina, bastava olhar para a sua esferográfica, cuja ponta se aguentava só pela fita cola que a enrolava. Usavam-se aquelas esferográficas transparentes, tipo Bic, adquiridas à caixa a um fornecedor de Coimbra, ao preço de 1$00 por unidade.

Nesse dia, chegou ao escritório, pendurou o casaco, sentou-se na sua secretária e... a esferográfica?! Não, não estava, correu tudo, gavetas, bolsos, as secretárias do pessoal, a esposa... mas não estava em parte nenhuma.

-Toninho, olha que se calhar ficou no carro! –Lembra a esposa.
-Decerto, decerto, vou lá, vou lá, obrigado mi’Ani! – Agradece à esposa.

Dali a pouco, lá vem ele apressado, abatido, cara de chateado, pois que a dita não estava no carro!

-Ó Toninho, não a terias deixado além na Estação de Serviço? – Diz a esposa.
A estação de serviço era outro seu estabelecimento onde todas as manhãs, a caminho do escritório, parava para recolher as contas do dia anterior.
-Se calhar, se calhar, mi ‘Ani!

Instintivamente, salta para o telefone:
-Sra. telefonista ligue-me ao 201” - manda o Sr. Toninho!
-Tá, Sr. Gomes, olhe deixei aí a minha esferográfica?!
- .....-
-Sim? Ah, pois, então guarde-ma aí que na volta do almoço trago-a!
Pousa o telefone e, como que acordando, estrebucha, solta uma “profunda” exclamação de aborrecimento, “quase se arrepelando”, desalentado, com voz de arrependimento e revolta do tamanho do mundo:

-Ora pôxa, ora pôxa mi’Ani que lá se foi mais do que custa a esferográfica!

Importa lembrar que uma chamada local custava, naquele tempo, 1$30 !!! E ainda que, naquele tempo, não havia reciclagem!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Ouvi Dizer...


Um amigo meu disse-me que um amigo dele lhe tinha dito que ouviu dizer de um amigo que tem um amigo que ouviu de fonte fidedigna que o Silva está numa onda de "modernização" e vai colocar um novo equipamento para melhor servir os seus clientes.

O Marketing e a Música

Nunca vi nenhum teledisco do Mozart, tampouco do Paganini. Calhando, eram criaturas sem cara de jeito e qualidade nenhuma para aparecerem no triste jornal da Merdaleja, até porque é necessária uma equipa de marketing, a bem dizer, limpadores de latrinas. Parece que é muito importante ter-se uma cara que ainda esteja na moda, sim, porque há caras que já não se usam, nem que cada vez que abram a boca só digam disparates, o importante é serem apoiados pelos profissionais, exterminadores de cocó visual, em detrimento da cristalinidade do discurso, do olhar e da sinceridade, enfim, daquilo que é suposto serem e fazerem.

Quando comecei a ouvir música, nem televisão tinha em casa, revistas de música pouco ou nada, portanto, para mim, ou tocavam ou não tocavam, claro, segundo aquilo a que eu chamava tocar ou não tocar, que é discutível. De resto, não fazia a mínima ideia se eram feios, bonitos ou assim assim.

O Secreto parece que saiu dum episódio dos Marretas e o Calvin do bataclã da Maria Machadão, dizem as más línguas, mas alguém falou com eles de frente para concluir que assim é?

Escolhem-se poses, planos favoráveis, penteados a condizer, mas o alvo de tamanhas mordomias muitas vezes nem se sente à vontade com essa distinção, até porque não tem nada que ver com aquilo, apenas quer fazer o que tem a fazer e é o que lhe basta.

Tenho uma coisa comigo desde muito puto, quem não me olhar de frente quando fala comigo, fico logo de pé atrás, nem que seja o "Boogie man". Daí para a frente ou para trás, sei lá, não quero saber o aspecto que têm, mas sim o que fazem e transmitem.

domingo, 14 de outubro de 2007

Era inverno e estava escuro

Pulei o muro.
Era noite e estava escuro
Ainda me lembro de como era duro!
Ficaram marcas....
Demoram a sair,
Não saem, entram, saem...
Não sei... não vejo nada
Ai maldito muro!
Estou desgraçada por ele ser duro
Fiquei arranhada
Ai céus , caí do muro!
... e como ele era duro...

Mole é meu juízo
Mas por que raio pulei o muro... Só por estar escuro?!
Ai noite, ai nem sei mais... são só gritos , são só ais...

Já sinto algo mole...

Meu Deus que decepção
Tanto esforço... e agora mole
abro os olhos, não posso crer
... pisei bosta de cão!!

sábado, 13 de outubro de 2007

Reunião de Tupperware

Hoje tirei o avental, vesti uma roupa nova, meti um pouco de sombra e um baton lindo de morrer, e fui a uma reunião de tupperware com a Mafaldinha, a muito custo pois a gaija chulou-me 35 euros por uma entrada... sempre pensei que fosse uma reunião exclusiva de mulheres... mas, surpreendentemente, havia mais homens que mulheres... "é por causa dos tickets de combustível"... confessou-me o Zé Artolas, tinha uma razão de ser... pois não estava minimamente interessado nas taças que a D. Odete Tremeliques tinha acabado de mostrar... e que belas taças ela mostrou... as mais glamorosas que tinha visto até hoje... e quando a representante dos prestigiados plásticos perguntou se alguma mulher queria participar mais activamente... Zé Chicharros levantou-se e começou a falar que não veio a mulher, porque não tinha vida para estas reuniões, e que os tickets de desconto deviam ser melhores e maiores, e só se calou quando o seduziram com uma garrafa de alvarinho, (não vou dizer que lhe cortaram o pio, e o levaram pràs traseiras da loja) ... enfim... é sempre bom ver homens participar nestes lanches... é sinal que estão atentos às necessidades das cozinhas... ou não!!!
Ainda ficámos meio chocadas quando Leninha chegou muito ofendida e nos contou que a Adega Cooperativa tem uma nova placa..."proibida a entrada a Mulheres e Cães"...
a mim não me apanham mais nestas reuniões, prefiro servir bifanas ao choninhas do XN... nem um brinde de jeito me deram...
estou a espera da Mafalda que foi ao WC ajeitar a máscara, pois vamos passar pela Adega, fazer um visita surpresa...

Laranjas com canela

Muitas vezes as coisas mais simples são as melhores. Na culinária esta regra é particularmente interessante. Mais simples significa, normalmente, mais rápido, mais barato e mais saudável.

Para quem gosta de canela, eis uma receita fundamental que combina o sabor exótico da especiaria com a doçura e a naturalidade da laranja.

Descascar uma laranja e cortá-la às rodelas. Retirar as sementes. Dispor num prato não sobrepondo as rodelas. Polvilhar ligeiramente com açúcar baunilhado (opcional). Polvilhar com canela. Convém que esta sobremesa seja preparada imediatamente antes de servir para que conserve a frescura da canela.

"O amor é filho da ilusão e por vezes pai dos cornos"

Nunca se sabe quem é o pai
Nasce com tanta violência
Que nem vê por onde vai
Depois, o peso na consciência...

Dói a consciência, dói tudo
Ai amor, amor, ao que este me obriga
Prendo o meu coração, quedo e mudo
Aperto-o tanto e dói-me a “barriga”

Dores, náuseas, do parto do não nascido
Ardem-me as entranhas
Dói pensar, um dia tê-lo conhecido!

Era inverno, escuro, medonho
Raposinha entrou pela primeira vez na tasca
Ainda um pouco à rasca...
Pediu uma aguardente de medronho.